{"id":1961,"date":"2016-07-14T01:10:59","date_gmt":"2016-07-14T04:10:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1961"},"modified":"2016-07-14T07:47:32","modified_gmt":"2016-07-14T10:47:32","slug":"coluna-no-correio-riscos-da-base","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-riscos-da-base\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Riscos da base"},"content":{"rendered":"<p>O presidente interino, Michel Temer, j\u00e1 est\u00e1 pedindo aplausos para seu governo. Acredita que, passados dois meses desde que chegou ao Pal\u00e1cio do Planalto, conseguiu o feito de mudar a cara do pa\u00eds. O peemedebista n\u00e3o deveria demonstrar tanta euforia. Basta uma an\u00e1lise mais aprofundada na economia para ver que o Brasil est\u00e1 muito longe de sair da maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria. Os n\u00fameros do varejo, com queda de 9% em maio ante o mesmo m\u00eas de 2015, e do setor de servi\u00e7os, com contra\u00e7\u00e3o de 6% na mesma base de compara\u00e7\u00e3o, indicam que a esperada recupera\u00e7\u00e3o para o segundo trimestre do ano n\u00e3o ocorreu e, se tudo der certo, pode ser que, entre julho e setembro, a atividade mostre algum suspiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em vez de cantar vit\u00f3ria antes do tempo, Temer deveria concentrar as aten\u00e7\u00f5es para o que est\u00e1 ocorrendo no Congresso. A fragmenta\u00e7\u00e3o dos partidos de sua base, sobretudo no centr\u00e3o, aponta que o controle que o Pal\u00e1cio do Planalto acredita ter na C\u00e2mara dos Deputados n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte. \u00c9 certo que o vencedor da disputa pela Presid\u00eancia da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estar\u00e1 alinhado com o presidente interino. Mas isso n\u00e3o \u00e9 garantia de sucesso. Uma base dividida \u00e9 sempre problema \u00e0 vista. Assim, Temer corre o risco de ficar mais dependente do fisiologismo para levar adiante projetos vitais para tirar o pa\u00eds do atoleiro, ou seja, ter\u00e1 que ado\u00e7ar, constantemente, a boca dos parlamentares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que torna a vida de Temer menos tranquila \u00e9 a urg\u00eancia de aprovar a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento de gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. O Planalto dava como certo que esse importante instrumento para controlar despesas seria votado rapidamente neste ano. Mas o sinal de alerta foi ligado e surgiu no horizonte um risco concreto de frustra\u00e7\u00e3o. Para a equipe econ\u00f4mica, se a PEC n\u00e3o sair neste ano, ser\u00e1 o pior dos mundos, pois esse \u00e9 o \u00fanico instrumento concreto para um ajuste fiscal de verdade. Se a proposta for derrotada, todo o discurso de austeridade difundido pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ir\u00e1 por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para se ter ideia do peso da aprova\u00e7\u00e3o da PEC, os investidores j\u00e1 nem olham mais para os rombos projetados para as contas p\u00fablicas neste ano e no pr\u00f3ximo. Tamb\u00e9m n\u00e3o contam mais com a reforma da Previd\u00eancia em 2016. O que eles querem \u00e9 ter a certeza de que, a partir do ano que vem, os gastos crescer\u00e3o menos do que a infla\u00e7\u00e3o. Mais do que isso: querem uma mudan\u00e7a estrutural no Or\u00e7amento do governo, hoje uma pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o na qual cabe tudo, inclusive inflar receitas para agradar grupos de interesses com lobby pesado em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por enquanto, h\u00e1, no mercado, a certeza de que Temer levantar\u00e1 a PEC como trof\u00e9u. Tanto que o d\u00f3lar e a bolsa de valores est\u00e3o sendo guiados pelos bons ventos que sopram no exterior, devido \u00e0 decis\u00e3o do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, de adiar a alta dos juros, e de a sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia estar sendo conduzida de uma forma menos traum\u00e1tica. Tudo, por\u00e9m, pode mudar da noite para o dia. Nos mercados, ao menor sinal de fragilidade do presidente interino, o clima azedar\u00e1. Os investidores n\u00e3o costumam ser complacentes com presidentes fracos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da PEC dos gastos tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para o Banco Central, pois ser\u00e1 a senha para que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) possa dar in\u00edcio ao processo de corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano. A torcida dentro da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 para que a proposta seja avalizada pela C\u00e2mara e pelo Senado at\u00e9 outubro, quando o afrouxamento monet\u00e1rio deve come\u00e7ar, segundo o grosso das apostas do mercado. Com a PEC nas n\u00e3os, o BC teria coragem de reduzir os juros mesmo com a infla\u00e7\u00e3o ainda distante do centro da meta, de 4,5%, pois tiraria de seu radar a gastan\u00e7a desenfreada dos \u00faltimos anos que levou o pa\u00eds para o buraco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>M\u00e3o na massa<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica j\u00e1 avisou que n\u00e3o esperar\u00e1 a aprova\u00e7\u00e3o da PEC para elaborar o projeto de Or\u00e7amento de 2017. As proje\u00e7\u00f5es de despesas levar\u00e3o em conta a infla\u00e7\u00e3o estimada para este ano. Contudo, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme, principalmente porque n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil arrumar as despesas extras de R$ 55 bilh\u00f5es necess\u00e1rias para evitar que o deficit estimado para o governo central no pr\u00f3ximo ano n\u00e3o supere os R$ 139 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo, para impressionar os investidores, est\u00e1 atirando para tudo quanto \u00e9 lado. A cada momento, solta um bal\u00e3o de ensaio para mostrar que promessa \u00e9 d\u00edvida e n\u00e3o haver\u00e1 decep\u00e7\u00e3o quanto ao cumprimento da meta. Apesar de todas as concess\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es anunciadas extraoficialmente, o que realmente est\u00e1 em mente \u00e9 o aumento de impostos. A equipe econ\u00f4mica tem em m\u00e3os estudo corrigindo at\u00e9 15 tributos. A lista vai da Cide, que incide sobre os combust\u00edveis, ao PIS\/Cofins e ao Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos mais importantes auxiliares de Meirelles afirma que o quadro \u00e9 dram\u00e1tico e o governo n\u00e3o pode vacilar um momento sequer na aprova\u00e7\u00e3o da PEC dos gastos. \u00c9 ela que ser\u00e1 o principal instrumento para que Temer mostre aos agentes econ\u00f4micos que um dos maiores males do pa\u00eds ter\u00e1 solu\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio e a longo prazos. \u201cNunca um governo dependeu tanto de um \u00fanico projeto para sobreviver\u201d, ressalta o t\u00e9cnico. \u201cA aprova\u00e7\u00e3o definitiva do impeachment dar\u00e1 respaldo a Temer. Mas o que garantir\u00e1 o futuro do governo ser\u00e1 a PEC dos gastos\u201d, emenda. \u201cPortanto, \u00e9 hora de p\u00f4r a m\u00e3o na massa e n\u00e3o de cantar vit\u00f3ria precipitadamente\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 01h10min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente interino, Michel Temer, j\u00e1 est\u00e1 pedindo aplausos para seu governo. Acredita que, passados dois meses desde que chegou ao Pal\u00e1cio do Planalto, conseguiu o feito de mudar a cara do pa\u00eds. O peemedebista n\u00e3o deveria demonstrar tanta euforia. 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