{"id":19554,"date":"2021-06-28T11:57:21","date_gmt":"2021-06-28T14:57:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=19554"},"modified":"2021-06-28T16:56:58","modified_gmt":"2021-06-28T19:56:58","slug":"endividamento-das-familias-volta-a-crescer-e-bate-novo-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/endividamento-das-familias-volta-a-crescer-e-bate-novo-recorde\/","title":{"rendered":"Endividamento das fam\u00edlias volta a crescer e bate novo recorde"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"font-weight: 400\">ROSANA HESSEL<\/span><\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><span style=\"font-weight: 400\">O endividamento total das fam\u00edlias brasileiras bateu novo recorde, chegando a 58% da massa salarial, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (28\/06) referentes ao m\u00eas de mar\u00e7o. <\/span><\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/endividamento-das-familias-atinge-o-maior-patamar-da-historia-diz-bc\/\">Em fevereiro, essa taxa estava em 57,5% e foi o maior patamar da hist\u00f3ria<\/a>. Descontando os financiamento imobili\u00e1rio, esse percentual passa para 35,7%, acima dos 35,4% contabilizados no m\u00eas anterior.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Os dados do BC mostram que o comprometimento da renda ficou est\u00e1vel em 30,5%, na compara\u00e7\u00e3o com fevereiro.<\/span><\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>&#8220;O endividamento permanece na trajet\u00f3ria de crescimento com base nos rendimentos referentes ao m\u00eas de mar\u00e7o. Esse aumento \u00e9 consistente e causado pelo crescimento do cr\u00e9dito para as pessoas f\u00edsicas&#8221;, afirmou o chefe do Departamento de Estat\u00edsticas do Banco Central, Fernando Rocha, que destacou queda no agregado das taxas de juros em maio, mas alertou para a volta de crescimento dos custos dos empr\u00e9stimos nos pr\u00f3ximos meses devido \u00e0 continuidade das altas na taxa b\u00e1sica da economia (Selic), que foi sinalizada no \u00faltima ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). &#8220;Houve queda nas taxas m\u00e9dias para pessoa f\u00edsica no agregado, mas, se olharmos para frente e para o ciclo da pol\u00edtica monet\u00e1ria, a tend\u00eancia \u00e9 de aumento&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rocha tamb\u00e9m tentou minimizar esse n\u00edvel elevado de endividamento das fam\u00edlias, apesar de reconhecer que o crescimento dos n\u00edveis desse indicador, tanto com cr\u00e9dito imobili\u00e1rio quanto sem o financiamento do im\u00f3vel. Segundo ele, isso n\u00e3o quer dizer que quase 60% da renda anual de todas as fam\u00edlias est\u00e3o comprometidos, mesmo com queda na renda da massa salarial dos brasileiros. &#8220;O cr\u00e9dito total est\u00e1 crescendo, mas eu acho que, considerando todos os fatores, ainda n\u00e3o se tem uma maior preocupa\u00e7\u00e3o com esse indicador individualmente&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, a massa salarial das fam\u00edlias encolheu R$ 15,2 bilh\u00f5es na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2020, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). &#8220;O fato de a massa ter ca\u00eddo em mar\u00e7o faz parte das idas e vindas de uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que tem um sentido claro, mas nem todos os fatores econ\u00f4micos caminham nesse mesmo sentido. Isso n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia. Espera-se melhoria nesse n\u00famero&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista Miguel Jos\u00e9 Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo de Estudos e Pesquisas Econ\u00f4micas da Associa\u00e7\u00e3o N<span style=\"font-weight: 400\">acional dos Executivos de Finan\u00e7as, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade (Anefac), essa nova taxa recorde de endividamento das fam\u00edlias n\u00e3o pode ser minimizada. &#8220;O governo n\u00e3o pode minimizar uma taxa de endividamento extremamente elevado. E quadro para frente \u00e9 de muita dificuldade para as fam\u00edlias, com desemprego crescendo e com queda na renda por conta da infla\u00e7\u00e3o mais forte, e que n\u00e3o deve ser revertido com facilidade&#8221;, alertou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>O economista reconheceu tamb\u00e9m que a inadimpl\u00eancia \u00e9 baixa, principalmente, porque os bancos est\u00e3o negociando o quanto podem com os clientes, dando prazos de car\u00eancia mais alongados para evitar justamente esse aumento do calote em meio \u00e0 pandemia. &#8220;Muitos casos de empr\u00e9stimos foram renegociados ou pausados para evitar aumento da inadimpl\u00eancia. Mas, em algum momento, essa car\u00eancia vai acabar e a pessoa ou a empresa v\u00e3o ter que come\u00e7ar a pagar a d\u00edvida. Os \u00edndices de inadimpl\u00eancia, hoje, s\u00e3o baixos, mas tendem a subir com esse quadro de desemprego elevado e infla\u00e7\u00e3o correndo a renda<span style=\"font-weight: 400\">&#8220;, afirmou. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Saldo em crescimento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os dados fazem parte da nota do mercado total de cr\u00e9dito, incluindo a d\u00edvida p\u00fablica, que apresentou aumento de 0,8%, totalizando R$ 12,4 trilh\u00f5es, o equivalente a 156,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a autoridade monet\u00e1ria, a varia\u00e7\u00e3o mensal\u00a0<\/span>mensal refletiu crescimentos no mercado local de 1,2% nos empr\u00e9stimos e financiamentos e de 1,8% nos t\u00edtulos de d\u00edvida. A d\u00edvida externa registrou queda de 1,7% &#8220;refletindo a aprecia\u00e7\u00e3o cambial de 3,17% no m\u00eas&#8221;. Na compara\u00e7\u00e3o interanual, o cr\u00e9dito ampliado cresceu 14,6%, resultado principalmente da eleva\u00e7\u00e3o da carteira de empr\u00e9stimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e de t\u00edtulos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O cr\u00e9dito ampliado a empresas situou-se em R$ 4,3 trilh\u00f5es (54,2% do PIB), com redu\u00e7\u00e3o de 0,7% no m\u00eas. J\u00e1\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">cr\u00e9dito ampliado \u00e0s fam\u00edlias alcan\u00e7ou R$ 2,6 trilh\u00f5es (32,5% do PIB), com crescimento de 1,6% no m\u00eas e 15,8% em doze meses, em fun\u00e7\u00e3o do desempenho dos empr\u00e9stimos do SFN.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto isso, o\u00a0<\/span>saldo das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito do SFN no m\u00eas de maio alcan\u00e7ou R$ 4,2 trilh\u00f5es em maio, aumento de 1,2% no m\u00eas, com crescimento tanto na carteira de pessoas jur\u00eddicas (saldo de R$1,8 trilh\u00e3o, com expans\u00e3o de 0,7%) quanto na de pessoas f\u00edsicas (saldo de R$2,4 trilh\u00f5es, com alta de 1,7%), conforme os dados do BC. Em 12 meses, o crescimento da carteira total acelerou de 15,1%, em abril, para 16,1%, em maio. A carteira de pessoas f\u00edsicas manteve acelera\u00e7\u00e3o, de 14,5% para 16,5%, enquanto a de pessoas jur\u00eddicas permaneceu em desacelera\u00e7\u00e3o, de 16,0% para 15,7%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bc-concessoes-de-credito-encolhen-19-em-maio-e-inadimplencia-sobe\/\">Apesar desse crescimento no estoque e no saldo, as novas concess\u00f5es de cr\u00e9dito apresentaram queda de 1,9% nos dados dessazonalizados<\/a>. Al\u00e9m disso, o BC contabilizou crescimento da inadimpl\u00eancia para pessoa f\u00edsica pela primeira vez desde fevereiro, de 2,9% para 3%. Essa taxa, no entanto, \u00e9 considerada ainda baixa pelo t\u00e9cnico do BC, que reconheceu que ainda h\u00e1 renegocia\u00e7\u00f5es em curso das institui\u00e7\u00f5es financeiras de prazos e condi\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimos devido \u00e0 pandemia. &#8220;A inadimpl\u00eancia segue em n\u00edveis baixos e n\u00e3o est\u00e1 em n\u00edveis preocupantes para o setor financeiro, nas \u00faltimas an\u00e1lises, est\u00e3o mostrando sua solidez&#8221;, afirmou Rocha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL O endividamento total das fam\u00edlias brasileiras bateu novo recorde, chegando a 58% da massa salarial, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (28\/06) referentes ao m\u00eas de mar\u00e7o. Em fevereiro, essa taxa estava em 57,5% e foi o maior patamar da hist\u00f3ria. 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