{"id":1891,"date":"2016-07-09T05:30:46","date_gmt":"2016-07-09T08:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1891"},"modified":"2016-07-09T09:11:03","modified_gmt":"2016-07-09T12:11:03","slug":"coluna-no-correio-devagar-com-o-andor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-devagar-com-o-andor\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Devagar com o andor"},"content":{"rendered":"<p>A equipe do Minist\u00e9rio da Fazenda acredita que passou no primeiro teste de credibilidade, depois de anunciar rombo de R$ 139 bilh\u00f5es para o governo federal em 2017. O d\u00f3lar desabou e a bolsa de valores teve alta superior a 2% ontem. Mas, como bem ressalta o secret\u00e1rio de Acompanhamento Econ\u00f4mico da pasta, Mansueto Almeida, o momento de comemora\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito longe. O que se tem, agora, \u00e9 apenas uma meta. E alcan\u00e7\u00e1-la n\u00e3o ser\u00e1 tarefa f\u00e1cil. Para que o rombo nas contas fique dentro do anunciado pelo ministro Henrique Meirelles, R$ 55 bilh\u00f5es ter\u00e3o que irrigar o caixa do Tesouro Nacional. Por enquanto, essa quantia \u00e9 pura promessa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A postura conservadora de Mansueto n\u00e3o deixa d\u00favidas quanto ao tamanho do desafio assumido. Mas, para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Lu\u00eds Ot\u00e1vio de Souza Leal, n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda. \u201cO ajuste que o governo est\u00e1 propondo fazer tem que dar certo. \u00c9 o que temos\u201d, diz. Na cabe\u00e7a dos especialistas, incluindo Leal, a \u00fanica forma de o pa\u00eds retomar o crescimento econ\u00f4mico \u00e9 resolvendo o descalabro das finan\u00e7as federais. \u00c0 medida que os resultados forem aparecendo, a confian\u00e7a se solidificar\u00e1 e os investimentos de que tanto o pa\u00eds precisa tender\u00e3o a sair das gavetas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Carlos Thadeu Filho, s\u00f3cio da consultoria MacroAgro, a virada no ritmo da atividade, com a sa\u00edda do pa\u00eds da recess\u00e3o, come\u00e7ar\u00e1 a ficar evidente j\u00e1 a partir da confirma\u00e7\u00e3o, pelo Senado, do impeachment definitivo de Dilma Rousseff. \u201cSer\u00e1 a senha para que os investidores retomem seus neg\u00f3cios. O pa\u00eds estar\u00e1 livre do fantasma da petista, cujo retorno, se ocorresse, seria um buraco negro. Com Dilma, o Brasil iria para o caminho da destrui\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Thadeu Filho, \u00e9 poss\u00edvel que o Produto Interno Bruto (PIB) cres\u00e7a mais de 2% em 2017 \u2014 o que, se confirmado, facilitar\u00e1 o trabalho de Meirelles, pois impulsionar\u00e1 a arrecada\u00e7\u00e3o. No projeto da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) encaminhado ontem ao Congresso, o governo est\u00e1 estimando incremento da economia de 1,2%. Est\u00e1 dentro da m\u00e9dia do mercado. Contudo, casas banc\u00e1rias e consultorias respeitadas, como o Bradesco e a MB Associados, garantem que a for\u00e7a da retomada vai surpreender para o bem, pois h\u00e1 muitos projetos de investimentos e demanda reprimidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Juros reais<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro importante incentivo vir\u00e1 da infla\u00e7\u00e3o, avalia o economista da MacroAgro. Ele ressalta que os \u00edndices de pre\u00e7os v\u00e3o baixar para algo entre 5,5% e 6% at\u00e9 o fim do ano que vem, ainda longe dos 4,5% prometidos pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, mas num patamar suficiente para permitir uma queda gradual da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano. \u201cAinda que o IPCA (\u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo) n\u00e3o convirja para o centro da meta, o BC ter\u00e1 que cortar os juros, pois a taxa real (que desconta a infla\u00e7\u00e3o) vai subir. E, se nada for feito, ser\u00e1 um grande inibidor para a atividade\u201d, assinala. Os juros reais est\u00e3o hoje em torno de 7% ante taxas negativas em todo o mundo desenvolvido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Thadeu Filho explica que est\u00e1 menos otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o devido a um realinhamento dos pre\u00e7os dos alimentos. Isso quer dizer que, em vez de ficarem mais baratos, esses produtos continuar\u00e3o em alta, sem arrancadas, mas em eleva\u00e7\u00e3o suficiente para segurar a desacelera\u00e7\u00e3o do IPCA. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou a infla\u00e7\u00e3o de junho. Metade do 0,35% veio de dois produtos: feij\u00e3o e leite. \u201cOs pre\u00e7os da comida continuar\u00e3o azedando o humor dos consumidores\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Independentemente disso, est\u00e1 vis\u00edvel a disposi\u00e7\u00e3o do BC de baixar juros. N\u00e3o ser\u00e1 a festa que o governo espera. Mas t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o admitem que a Selic pode cair at\u00e9 um ponto percentual nas duas \u00faltimas reuni\u00f5es do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) deste ano, para 13,25%. Esse movimento ser\u00e1 facilitado se o Congresso aprovar a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento de gastos. A equipe chefiada por Ilan ter\u00e1 a certeza de que o rombo nas contas p\u00fablicas n\u00e3o passar\u00e1 dos R$ 139 bilh\u00f5es em 2017. Menos gasto p\u00fablico significa menor press\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Socorro negado<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto tudo s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es, Mansueto diz que o governo precisa correr para fechar a proposta de Or\u00e7amento de 2017, que deve ser encaminhada ao Congresso at\u00e9 31 de agosto. \u201cO projeto j\u00e1 levar\u00e1 em considera\u00e7\u00e3o a aprova\u00e7\u00e3o da PEC dos gastos\u201d, afirma. Caso o Legislativo n\u00e3o entregue o que se espera, ser\u00e1 uma guerra, devido ao engessamento de receitas e despesas imposto pela proje\u00e7\u00e3o de deficit de R$ 139 bilh\u00f5es do governo central.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma coisa j\u00e1 est\u00e1 certa: a proposta de Or\u00e7amento n\u00e3o contemplar\u00e1 nenhum centavo para socorro \u00e0s estatais. Essas empresas v\u00eam apresentando p\u00e9ssimos resultados, acumulando, somente em 2015, preju\u00edzo de mais de R$ 50 bilh\u00f5es. As maiores preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o com a Caixa Econ\u00f4mica Federal, que teria um passivo oculto de quase R$ 30 bilh\u00f5es, a Petrobras, que foi saqueada pela quadrilha liderada pelo PT e pelo PMDB, e a Eletrobras, tamb\u00e9m esfacelada pela corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Mansueto, as estatais ter\u00e3o que se virar com o que t\u00eam para cobrir rombos de caixa. Isso passa pela venda de ativos. N\u00e3o h\u00e1 como o Tesouro atender a nenhum pleito, a despeito de ter recebido, nos \u00faltimos quatro anos, R$ 76,8 bilh\u00f5es em dividendos repassados pelas empresas. A hora, destaca o secret\u00e1rio, \u00e9 de efici\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 mais como ser complacente com o descaso e a m\u00e1 gest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A equipe do Minist\u00e9rio da Fazenda acredita que passou no primeiro teste de credibilidade, depois de anunciar rombo de R$ 139 bilh\u00f5es para o governo federal em 2017. O d\u00f3lar desabou e a bolsa de valores teve alta superior a 2% ontem. 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