{"id":1881,"date":"2016-07-08T05:30:45","date_gmt":"2016-07-08T08:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1881"},"modified":"2016-07-08T09:27:07","modified_gmt":"2016-07-08T12:27:07","slug":"coluna-no-correio-e-de-chorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-e-de-chorar\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: \u00c9 de chorar"},"content":{"rendered":"<p>O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, est\u00e1 certo de que venceu a disputa com a ala pol\u00edtica do governo ao definir o rombo nas contas p\u00fablicas de 2017 em R$ 139 bilh\u00f5es, mas n\u00e3o h\u00e1 nada o que comemorar. Ainda que o deficit seja menor do que o estimado pelo mercado, o n\u00famero \u00e9 assustador, qualquer que seja o par\u00e2metro de compara\u00e7\u00e3o. As finan\u00e7as do pa\u00eds est\u00e3o no vermelho desde 2014 e n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de quando voltar\u00e3o a apresentar superavit \u2014 talvez em 2019. O buraco persiste mesmo com a sociedade despejando, todos os anos, quase 36% do Produto Interno Bruto (PIB) em impostos nos cofres do Tesouro Nacional. O governo brasileiro \u00e9 o retrato do descontrole.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao anunciar o rombo de R$ 139 bilh\u00f5es, Meirelles, com seu sorriso caracter\u00edstico, disse que o saldo negativo real nas contas da Uni\u00e3o \u00e9 de R$ 270 bilh\u00f5es. \u00c9 o que ele chama de deficit estrutural. Levando-se em considera\u00e7\u00e3o a aprova\u00e7\u00e3o da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento de gastos, o buraco cai para R$ 194 bilh\u00f5es. Para chegar \u00e0 meta, o governo est\u00e1 contando com R$ 55 bilh\u00f5es em receitas extraordin\u00e1rias. O ministro garante que, diante dessa realidade e do deficit de R$ 1700,5 bilh\u00f5es estimado para este ano, o rombo previsto para 2017 \u00e9 um avan\u00e7o e um \u201cesfor\u00e7o\u201d no sentido do ajuste fiscal. Certamente, era poss\u00edvel fazer mais, pois est\u00e1 evidente o quanto o Estado brasileiro \u00e9 inchado e ineficiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Espertamente, o governo n\u00e3o anunciou aumento de impostos para 2017 para facilitar a vida de Meirelles. O presidente interino, Michel Temer, preferiu deixar as maldades para depois de agosto, quando, acredita, estar\u00e1 efetivado no cargo com a aprova\u00e7\u00e3o do impeachment definitivo de Dilma Rousseff. Mas que ningu\u00e9m se iluda, a eleva\u00e7\u00e3o de tributos est\u00e1 definida e faz parte dos R$ 55 bilh\u00f5es em receitas extras que a Fazenda prev\u00ea arrecadar. H\u00e1 ainda o desejo oculto de se chegar ao fim do ano com um rombo menor que o anunciado, como um trof\u00e9u a simbolizar o compromisso com a austeridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pa\u00eds de joelhos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o fiscal est\u00e1 hoje no centro de todos os problemas econ\u00f4micos que o Brasil enfrenta. Ao destruir as finan\u00e7as do governo, Dilma desencadeou uma onda de desconfian\u00e7a sem precedentes. A infla\u00e7\u00e3o disparou. O d\u00f3lar subiu e a bolsa de valores despencou. Os juros retornaram aos n\u00edveis de 2006. Em meio a tantas incertezas, as empresas cortaram a produ\u00e7\u00e3o. As fam\u00edlias, muito endividadas, reduziram o consumo. A recess\u00e3o deu as caras, desempregando 11,4 milh\u00f5es de pessoas. Todo esse desastre foi regado a uma crise pol\u00edtica que resultou no segundo processo de impeachment de um presidente da Rep\u00fablica em apenas 25 anos. O Brasil ficou de joelhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos ainda dizem que o processo de afastamento de Dilma \u00e9 injusto. N\u00e3o \u00e9. Por tudo o que a petista fez, a perda de mandato \u00e9 mais do que justa. \u00c9 inadmiss\u00edvel que um chefe de Estado promova tanto estrago na economia e tanto sofrimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sem qualquer puni\u00e7\u00e3o, como se fosse a coisa mais normal do mundo. O ideal seria que ela tivesse a grandeza de renunciar, para evitar a guerra pol\u00edtica que se instalou no pa\u00eds. Mas a arrog\u00e2ncia a impede de tal grandeza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que todos esperam \u00e9 que o governo Temer n\u00e3o repita os mesmos erros de Dilma e n\u00e3o se deixe contaminar pela complac\u00eancia de parte do mercado financeiro. Um deficit menor para 2017 n\u00e3o \u00e9 garantia de nada. Os desafios que est\u00e3o colocados s\u00e3o muitos. Nos dois meses em que est\u00e1 no Pal\u00e1cio do Planalto, o peemedebista flertou com o populismo fiscal, pensando apenas no poder. Aumentou gastos sem constrangimento, como os R$ 68 bilh\u00f5es decorrentes do reajuste aos servidores, rasgando o discurso de responsabilidade na gest\u00e3o da coisa p\u00fablica com o qual assumiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meirelles acredita que, com a meta de deficit de R$ 139 bilh\u00f5es no ano que vem, o governo enterrar\u00e1 a desconfian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos, dando in\u00edcio a um ciclo de crescimento que ajudar\u00e1, por meio do aumento das receitas, a facilitar o ajuste das contas. Contudo, todos os sinais de alerta est\u00e3o ligados. O governo nunca primou por valorizar cada real pago pelos contribuintes e j\u00e1 houve frustra\u00e7\u00e3o demais na \u00e1rea fiscal. Acabou o tempo de prometer. A hora \u00e9 de entregar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Fora, Cunha<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de todos os problemas na economia, o Brasil ficou um pouquinho melhor ontem com a ren\u00fancia de Eduardo Cunha da Presid\u00eancia da C\u00e2mara dos Deputados. Est\u00e3o claros os sinais de manobras para livr\u00e1-lo da cassa\u00e7\u00e3o, mas o Congresso n\u00e3o poder\u00e1 se curvar \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o que tanto envergonha as pessoas de bem, que s\u00e3o maioria neste pa\u00eds. Cunha, que n\u00e3o cabe no figurino do chor\u00e3o emotivo, deve ser limado da vida p\u00fablica, preso e relegado ao esquecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 provas de sobra para que o deputado v\u00e1 para a cadeia. O que n\u00e3o se entende \u00e9 por que a Justi\u00e7a est\u00e1 demorando tanto para fazer o que deve ser feito. Solto, mesmo sem a Presid\u00eancia da C\u00e2mara, Cunha \u00e9 um perigo. Ele montou uma rede de chantagem para manter o poder. Continua dando as cartas, inclusive no governo, nomeando aliados para cargos estrat\u00e9gicos. S\u00f3 n\u00e3o caiu de vez porque tem muita gente em suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tomara que, com o mau exemplo de Cunha, a popula\u00e7\u00e3o aprenda a votar. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que uma pessoa t\u00e3o nefasta sobreviva por tanto tempo da pol\u00edtica e, pior, galgando postos cada vez mais importantes. \u00c9 duro ouvir nas ruas que o deputado fez um bem para o Brasil ao levar adiante o impeachment de Dilma Rousseff. A petista caiu pelos erros que cometeu. Cunha s\u00f3 usou o caso para se promover e criar uma aura de poder al\u00e9m do real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Cunha, n\u00e3o d\u00e1 para usar o bord\u00e3o \u201ctchau, querido\u201d. A ele, s\u00f3 cabe o bom e velho \u201cfora, Cunha\u201d. O Brasil precisa virar a p\u00e1gina. A descoberta de tanta corrup\u00e7\u00e3o, da qual o deputado \u00e9 um dos l\u00edderes, mostra o quanto o pa\u00eds est\u00e1 podre. Que os ventos que est\u00e3o por vir jamais tragam pessoas como Cunha. Ningu\u00e9m merece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 05h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, est\u00e1 certo de que venceu a disputa com a ala pol\u00edtica do governo ao definir o rombo nas contas p\u00fablicas de 2017 em R$ 139 bilh\u00f5es, mas n\u00e3o h\u00e1 nada o que comemorar. 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