{"id":17983,"date":"2021-03-31T10:54:38","date_gmt":"2021-03-31T13:54:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=17983"},"modified":"2021-03-31T11:32:08","modified_gmt":"2021-03-31T14:32:08","slug":"setor-publico-acumula-rombo-de-r-1-trilhao-segundo-banco-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/setor-publico-acumula-rombo-de-r-1-trilhao-segundo-banco-central\/","title":{"rendered":"Setor p\u00fablico acumula rombo de R$ 1 trilh\u00e3o, segundo Banco Central"},"content":{"rendered":"<h2>ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>As contas do\u00a0setor p\u00fablico consolidado, que inclui os governos federal e regionais e as estatais, registraram um deficit nominal de R$ 11,8 bilh\u00f5es, em fevereiro, conforme dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (31\/03). E, no acumulado do\u00a0em 12 meses at\u00e9 fevereiro, o resultado nominal negativo continua na casa de R$ 1 trilh\u00e3o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O deficit nominal somou R$ 1,008 trilh\u00e3o no acumulado at\u00e9 o m\u00eas passado, o equivalente a 13,45% do Produto Interno Bruto (PIB), levemente abaixo do saldo negativo de janeiro, de R$ 1.016 trilh\u00e3o (13,62% do PIB). Essa redu\u00e7\u00e3o do percentual \u00e9 reflexo na mudan\u00e7a dos valores do PIB nominal, estimado em R$ 7,496 trilh\u00f5es pelo BC no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado nominal \u00e9 decorrente da combina\u00e7\u00e3o do resultado prim\u00e1rio e da conta de juros apropriados e reflete a necessidade de financiamento do governo como um todo, ou seja, o rombo das contas do pa\u00eds que precisam ser cobertos pelo endividamento p\u00fablico,<a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/divida-publica-bruta-chega-a-90-do-pib-em-fevereiro-somando-r-67-tri\/\"> pois a d\u00edvida p\u00fablica bruta atingiu o recorde hist\u00f3rico de 90% do Produto Interno Bruto (PIB).<\/a> Segundo o Banco Central, esse \u00e9 o maior patamar da s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 2006.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses dados mostram que pa\u00eds ainda vai precisar se endividar ainda mais neste ano.\u00a0 E, diante do\u00a0aumento da desconfian\u00e7a de investidores e de empres\u00e1rios no governo, essa fatura dever\u00e1 ficar cada vez mais cara. Investidores j\u00e1 cobram o pre\u00e7o da falta de coer\u00eancia do governo na condu\u00e7\u00e3o dos debates do Or\u00e7amento de 2021, que est\u00e1 inexequ\u00edvel e totalmente fora da realidade, segundo analistas. Ontem, o secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, admitiu que os pr\u00eamios de riscos cobrados nas emiss\u00f5es de t\u00edtulos est\u00e3o aumentando e que a curva de juros do Brasil j\u00e1 \u00e9 &#8220;a mais inclinada do mundo&#8221;, indicando uma Selic de 9,5% em 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Tesouro tem um desafio pela frente que \u00e9 a rolagem de R$ 518 bilh\u00f5es de t\u00edtulos p\u00fablicos que vencem at\u00e9 maio e, por conta disso, Funchal disse que pretende ampliar o &#8220;colch\u00e3o de liquidez&#8221; para poder fazer frente e sacar da conta \u00fanica e evitar emiss\u00f5es quando os juros estiverem muito altos. Ele citou como exemplo as devolu\u00e7\u00f5es programadas para este ano do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), de R$ 100 bilh\u00f5es, incluindo os R$ 38 bilh\u00f5es j\u00e1 devolvidos no in\u00edcio do m\u00eas, e tamb\u00e9m com recursos de fundos federais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O saque da conta \u00fanica ocorreu com frequ\u00eancia em 2020 e implicou em um grande salto do volume de opera\u00e7\u00f5es compromissadas, ou seja, o overnight.\u00a0 O reflexo disso \u00e9 o governo encurtando os prazos de vencimento da d\u00edvida, que est\u00e1 cada vez mais pendurada no curto prazo, porque os investidores se recusam em comprar t\u00edtulos com prazos muito longos por conta da falta de confian\u00e7a na capacidade do governo em honrar seus compromissos. Em fevereiro, essa rubrica somou R$ 1,1 trilh\u00e3o, o equivalente a 15,4% do PIB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 o resultado prim\u00e1rio do setor p\u00fablico consolidado de fevereiro ficou negativo em\u00a0R$ 11,8 bilh\u00f5es, queda de 43,5%, em termos nominais, na compara\u00e7\u00e3o com o deficit de R$ 20,9 bilh\u00f5es contabilizado no mesmo m\u00eas de 2020.\u00a0 Pelos dados do BC, o governo central registrou deficit prim\u00e1rio R$ 22,5 bilh\u00f5es, levemente acima dos R$ 21,2 bilh\u00f5es contabilizados pelo Tesouro Nacional ontem. Enquanto isso, os governos regionais e as empresas estatais tiveram superavit prim\u00e1rio (economia para o pagamento dos juros da d\u00edvida) no m\u00eas passado, de R$ 10,5 bilh\u00f5es e R$ 212 milh\u00f5es, respectivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o chefe do departamento de estat\u00edsticas do BC, Fernando Rocha, o dado positivo de janeiro, de R$ 58,4 bilh\u00f5es nas contas do setor p\u00fablico consolidado, e que ajudou no resultado positivo de R$ 46,6 bilh\u00f5es no bimestre, n\u00e3o surpreendeu &#8220;porque janeiro sempre costuma ter superavit&#8221;. Ele lembrou que o aumento do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS0 dos e as transfer\u00eancias mais elevadas da Uni\u00e3o em fevereiro ajudaram a melhorar o resultado prim\u00e1rio dos estados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No acumulado do primeiro bimestre do ano, o resultado prim\u00e1rio do setor p\u00fablico consolidado foi superavit\u00e1rio em R$ 46,6 bilh\u00f5es, dado 31,6% superior ao saldo positivo de R$ 35,4 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo de 2020. Contudo, no acumulado em 12 meses at\u00e9 fevereiro, o rombo \u00e9 expressivo. O deficit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico somou R$ 691,7 bilh\u00f5es nesse per\u00edodo, sendo que apenas o governo central\u00a0 contabiliza um saldo negativo maior, de R$ 743,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso, a conta de juros do setor p\u00fablico consolidado, apropriados por compet\u00eancia, somou R$ 29,2 bilh\u00f5es, em fevereiro de 2021, comparativamente aos R$ 28,5 bilh\u00f5es contabilizados no mesmo m\u00eas de 2020. De acordo com Rocha, o aumento do estoque da d\u00edvida e a infla\u00e7\u00e3o mais elevada em fevereiro foram os principais fatores para esse aumento dos custos dessa conta. Ele acrescentou que a diminui\u00e7\u00e3o das perdas com as opera\u00e7\u00f5es de swap cambial entre janeiro e fevereiro evitaram um aumento maior dos custos com juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No acumulado em 12 meses, as despesas com juros nominais alcan\u00e7aram R$ 316,5 bilh\u00f5es (4,22% do PIB) em fevereiro de 2021. Esse dado \u00e9 inferior aos R$ 382,0 bilh\u00f5es (5,12% do PIB) contabilizados no mesmo per\u00edodo do ano passado. Em janeiro, essa rubrica somou R$ 315,7 bilh\u00f5es (4,23% do PIB).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL As contas do\u00a0setor p\u00fablico consolidado, que inclui os governos federal e regionais e as estatais, registraram um deficit nominal de R$ 11,8 bilh\u00f5es, em fevereiro, conforme dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (31\/03). E, no acumulado do\u00a0em 12 meses at\u00e9 fevereiro, o resultado nominal negativo continua na casa de R$ 1 trilh\u00e3o. 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