{"id":17648,"date":"2021-03-17T18:52:54","date_gmt":"2021-03-17T21:52:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=17648"},"modified":"2021-03-17T19:08:14","modified_gmt":"2021-03-17T22:08:14","slug":"banco-central-eleva-a-taxa-selic-para-275-ao-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/banco-central-eleva-a-taxa-selic-para-275-ao-ano\/","title":{"rendered":"Banco Central eleva a taxa Selic para 2,75% ao ano"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">ROSANA HESSEL<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central elevou a taxa b\u00e1sica da economia (Selic), em 0,75 ponto percentual, nesta quarta-feira (17\/03) para 2,57% ao ano. Com isso, a autoridade monet\u00e1ria inicia um novo ciclo de alta nos juros b\u00e1sicos, que estavam em 2%, o menor patamar da hist\u00f3ria, desde agosto de 2020.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o comunicado da autoridade monet\u00e1ria, a decis\u00e3o foi un\u00e2nime e o colegiado apontou fatores de risco para o cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o em ambas as dire\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A maioria das apostas do mercado era de um novo ciclo <\/span><span style=\"font-weight: 400\">de normaliza\u00e7\u00e3o de juros, com alta da Selic de 0,50 ponto percentual nesta segunda reuni\u00e3o do ano do Copom e uma trajet\u00f3ria de alta at\u00e9 o fim do ano, devido ao aumento das press\u00f5es inflacion\u00e1rias.\u00a0 <a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pressao-sobre-o-dolar-pode-levar-bc-a-subir-juros-para-275-ao-ano\/\">A decis\u00e3o de aumentar em 0,75 ponto<\/a> acabou surpreendendo o mercado, mas ela foi antecipada pelo <strong>Blog\u00a0<\/strong><\/span>em 25 de fevereiro em meio aos sinais de interfer\u00eancia do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras que ajudaram na escalada recente do d\u00f3lar, que chegou a encostar em R$ 6.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em fevereiro, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,86%,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">a maior alta para o m\u00eas desde 2016. No acumulado em 12 meses,\u00a0 chegou a 5,20%, sinalizando riscos para o cumprimento a meta determinada pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) deste ano, de 3,75% anuais, com teto de 5,25%.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante da expectativa de retomada na alta da taxa Selic e com o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) mantendo os juros b\u00e1sicos por l\u00e1 e sinalizando que eles devem se manter est\u00e1veis at\u00e9 2023, a Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (B3) subiu 2,22%, encerrando em 116.549 pontos e o d\u00f3lar recuou 0,59%, para R$ 5,58.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Veja a \u00edntegra da nota do Copom:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"container main\">\n<div>\n<div class=\"texto-rico\">\n<div>\n<div class=\"detalhe-noticia\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-10\">\n<div class=\"corpo\">\n<p><em>Em sua 237\u00aa reuni\u00e3o, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 2,75% a.a.<\/em><\/p>\n<p><em>A atualiza\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio b\u00e1sico do Copom pode ser descrita com as seguintes observa\u00e7\u00f5es:<\/em><\/p>\n<ul>\n<li><em>No cen\u00e1rio externo, novos est\u00edmulos fiscais em alguns pa\u00edses desenvolvidos, unidos ao avan\u00e7o da implementa\u00e7\u00e3o dos programas de imuniza\u00e7\u00e3o contra a Covid-19, devem promover uma recupera\u00e7\u00e3o mais robusta da atividade ao longo do ano. A presen\u00e7a de ociosidade, assim como a comunica\u00e7\u00e3o dos principais bancos centrais, sugere que os est\u00edmulos monet\u00e1rios ter\u00e3o longa dura\u00e7\u00e3o. Contudo, questionamentos dos mercados a respeito de riscos inflacion\u00e1rios nessas economias t\u00eam produzido uma reprecifica\u00e7\u00e3o nos ativos financeiros, o que pode tornar o ambiente desafiador para economias emergentes;<\/em><\/li>\n<li><em>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade econ\u00f4mica brasileira, indicadores recentes, em particular a divulga\u00e7\u00e3o do PIB do quarto trimestre, continuaram indicando recupera\u00e7\u00e3o consistente da economia, a despeito da redu\u00e7\u00e3o dos programas de recomposi\u00e7\u00e3o de renda. Essas leituras, entretanto, ainda n\u00e3o contemplam os poss\u00edveis efeitos do recente aumento no n\u00famero de casos de Covid-19. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o primeiro e segundo trimestres deste ano;<\/em><\/li>\n<li><em>A continuidade da recente eleva\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o de\u00a0commodities\u00a0internacionais em moeda local tem afetado a infla\u00e7\u00e3o corrente e causou eleva\u00e7\u00e3o adicional das proje\u00e7\u00f5es para os pr\u00f3ximos meses, especialmente atrav\u00e9s de seus efeitos sobre os pre\u00e7os dos combust\u00edveis. Apesar da press\u00e3o inflacion\u00e1ria de curto prazo se revelar mais forte e persistente que o esperado, o Comit\u00ea mant\u00e9m o diagn\u00f3stico de que os choques atuais s\u00e3o tempor\u00e1rios, mas segue atento \u00e0 sua evolu\u00e7\u00e3o;<\/em><\/li>\n<li><em>As diversas medidas de infla\u00e7\u00e3o subjacente apresentam-se em n\u00edveis acima do intervalo compat\u00edvel com o cumprimento da meta para a infla\u00e7\u00e3o;<\/em><\/li>\n<li><em>As expectativas de infla\u00e7\u00e3o para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,6%, 3,5% e 3,25%, respectivamente; e<\/em><\/li>\n<li><em>No cen\u00e1rio b\u00e1sico, com trajet\u00f3ria para a taxa de juros extra\u00edda da pesquisa Focus e taxa de c\u00e2mbio partindo de R$5,70\/US$*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o do Copom situam-se em torno de 5,0% para 2021 e 3,5% para 2022. Esse cen\u00e1rio sup\u00f5e trajet\u00f3ria de juros que se eleva para 4,50% a.a. neste ano e para 5,50% a.a. em 2022. Nesse cen\u00e1rio, as proje\u00e7\u00f5es para a infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os administrados s\u00e3o de 9,5% para 2021 e 4,4% para 2022.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p><em>O Comit\u00ea ressalta que, em seu cen\u00e1rio b\u00e1sico para a infla\u00e7\u00e3o, permanecem fatores de risco em ambas as dire\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Por um lado, o agravamento da pandemia pode atrasar o processo de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, produzindo trajet\u00f3ria de infla\u00e7\u00e3o abaixo do esperado.<\/em><\/p>\n<p><em>Por outro lado, um prolongamento das pol\u00edticas fiscais de resposta \u00e0 pandemia que piore a trajet\u00f3ria fiscal do pa\u00eds, ou frustra\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade das reformas, podem elevar os pr\u00eamios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balan\u00e7o de riscos, ou seja, com trajet\u00f3rias para a infla\u00e7\u00e3o acima do projetado no horizonte relevante para a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/em><\/p>\n<p><em>O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necess\u00e1rios na economia brasileira \u00e9 essencial para permitir a recupera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da economia. O Comit\u00ea ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e altera\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter permanente no processo de ajuste das contas p\u00fablicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.<\/em><\/p>\n<p><em>Considerando o cen\u00e1rio b\u00e1sico, o balan\u00e7o de riscos e o amplo conjunto de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa b\u00e1sica de juros em 0,75 ponto percentual, para 2,75% a.a. O Comit\u00ea entende que essa decis\u00e3o reflete seu cen\u00e1rio b\u00e1sico e um balan\u00e7o de riscos de vari\u00e2ncia maior do que a usual para a infla\u00e7\u00e3o prospectiva e \u00e9 compat\u00edvel com a converg\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calend\u00e1rio de 2021 e, principalmente, o de 2022.<\/em><\/p>\n<p><em>Os membros do Copom consideram que o cen\u00e1rio atual j\u00e1 n\u00e3o prescreve um grau de est\u00edmulo extraordin\u00e1rio. O PIB encerrou 2020 com crescimento forte na margem, recuperando a maior parte da queda observada no primeiro semestre, e as expectativas de infla\u00e7\u00e3o passaram a se situar acima da meta no horizonte relevante de pol\u00edtica monet\u00e1ria. Adicionalmente, houve eleva\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o para n\u00edveis pr\u00f3ximos ao limite superior da meta em 2021.<\/em><\/p>\n<p><em>Por conseguinte, o Copom decidiu iniciar um processo de normaliza\u00e7\u00e3o parcial, reduzindo o grau extraordin\u00e1rio do est\u00edmulo monet\u00e1rio. Por todos os fatores enumerados anteriormente, o Comit\u00ea julgou adequado um ajuste de 0,75 ponto percentual na taxa Selic. Na avalia\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea, uma estrat\u00e9gia de ajuste mais c\u00e9lere do grau de est\u00edmulo tem como benef\u00edcio reduzir a probabilidade de n\u00e3o cumprimento da meta para a infla\u00e7\u00e3o deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos. Al\u00e9m disso, o amplo conjunto de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para o Copom sugere que essa estrat\u00e9gia \u00e9 compat\u00edvel com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cen\u00e1rio de aumento tempor\u00e1rio do isolamento social.<\/em><\/p>\n<p><em>Para a pr\u00f3xima reuni\u00e3o, a menos de uma mudan\u00e7a significativa nas proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o ou no balan\u00e7o de riscos, o Comit\u00ea antev\u00ea a continua\u00e7\u00e3o do processo de normaliza\u00e7\u00e3o parcial do est\u00edmulo monet\u00e1rio com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa vis\u00e3o para a pr\u00f3xima reuni\u00e3o continuar\u00e1 dependendo da evolu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, do balan\u00e7o de riscos, e das proje\u00e7\u00f5es e expectativas de infla\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Votaram por essa decis\u00e3o os seguintes membros do Comit\u00ea: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, Jo\u00e3o Manoel Pinho de Mello, Maur\u00edcio Costa de Moura, Ot\u00e1vio Ribeiro Damaso e Paulo S\u00e9rgio Neves de Souza.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central elevou a taxa b\u00e1sica da economia (Selic), em 0,75 ponto percentual, nesta quarta-feira (17\/03) para 2,57% ao ano. 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