{"id":1751,"date":"2016-06-30T07:30:10","date_gmt":"2016-06-30T10:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1751"},"modified":"2016-07-08T10:07:47","modified_gmt":"2016-07-08T13:07:47","slug":"com-dolar-em-queda-importacoes-disparam-e-ja-reduzem-saldo-comercial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/com-dolar-em-queda-importacoes-disparam-e-ja-reduzem-saldo-comercial\/","title":{"rendered":"Com d\u00f3lar em queda, importa\u00e7\u00f5es disparam e j\u00e1 reduzem saldo comercial"},"content":{"rendered":"<p>POR ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ritmo cont\u00ednuo da queda do d\u00f3lar est\u00e1 provocando o crescimento das importa\u00e7\u00f5es, o que deve reduzir o superavit da balan\u00e7a comercial esperado para este ano. A m\u00e9dia di\u00e1ria das compras no exterior cresceu 19,5% nas quatro primeiras semana de junho em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2015. No caso das exporta\u00e7\u00f5es, o cen\u00e1rio \u00e9 o inverso: recuo de 17,6%. Somente os embarques de manufaturados, produtos mais afetados pela taxa de c\u00e2mbio, ca\u00edram 21,5%, conforme dados da Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior (Secex) do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO aumento das importa\u00e7\u00f5es vem ocorrendo de forma mais intensa nas duas \u00faltimas semanas, com o d\u00f3lar cada vez mais fraco. As exporta\u00e7\u00f5es est\u00e3o em queda e, mesmo com oferta de financiamentos do governo, n\u00e3o devem crescer na atual conjuntura. O mercado de c\u00e2mbio est\u00e1 oscilando muito e o exportador est\u00e1 com medo de fechar contrato agora e ter preju\u00edzo nos pr\u00f3ximos dias se o real continuar se valorizando\u201d, explicou o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro. Ele adiantou que, em julho, quando ser\u00e3o divulgadas as novas estimavas da AEB, haver\u00e1 corte nas proje\u00e7\u00f5es. \u201cEst\u00e1vamos esperando superavit de US$ 50 bilh\u00f5es na balan\u00e7a comercial, mas dificilmente conseguiremos mais do que US$ 30 bilh\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ontem, o d\u00f3lar escorregou mais de 2,09% e fechou o dia a R$ 3,237 para venda, n\u00edvel mais baixo desde julho do ano passado. A desvaloriza\u00e7\u00e3o da divisa norte-americana soma 10,39% em junho e 18% no ano. A queda \u00e9 embalada pela perspectiva de entrada de d\u00f3lares na economia devido \u00e0 melhora na confian\u00e7a no governo e \u00e0 perspectiva de avan\u00e7o nas privatiza\u00e7\u00f5es, de acordo com especialistas \u2014 fatores que tamb\u00e9m t\u00eam estimulado a alta do mercado acion\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo analistas, tamb\u00e9m contribuiu para essa tend\u00eancia o discurso mais duro do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, na \u00faltima ter\u00e7a-feira, sinalizando que dever\u00e1 manter o c\u00e2mbio flutuante a adiar a esperada queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic). Ontem, a Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (BM&amp;FBovespa) subiu 1,99%, para 51.002 pontos, acompanhando o embalo dos mercados da Europa e da \u00c1sia que fecharam no azul. Em Nova York, o \u00cdndice Dow Jones foi na contram\u00e3o e recuou 1,10%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO discurso do novo presidente do BC mostrou que a autoridade monet\u00e1ria est\u00e1 mais comprometida com a infla\u00e7\u00e3o. Isso tira a for\u00e7a do d\u00f3lar a curto prazo e ajuda a reduzir os contratos de juros futuros\u201d, avaliou o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho. Para ele, Goldfjan est\u00e1 conseguindo recuperar a credibilidade do BC. \u201cO presidente anterior falava em comprometimento com a meta, mas n\u00e3o praticava. Ele reduziu a taxa de juros quando a infla\u00e7\u00e3o estava subindo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Risco<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da divis\u00e3o econ\u00f4mica da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), lembrou que a postura mais firme do BC indica que os juros devem permanecer no patamar atual at\u00e9 o fim do ano. \u201cIsso aumenta a entrada de d\u00f3lares porque diminui a avers\u00e3o ao risco, e ajuda na eleva\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro no pa\u00eds\u201d, destacou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, o d\u00f3lar ainda pode cair mais ao longo do ano porque estava sobrevalorizado. Apesar de atrapalhar as exporta\u00e7\u00f5es e prejudicar o saldo da balan\u00e7a comercial, o recuo do d\u00f3lar pode ajudar o governo no controle da infla\u00e7\u00e3o. Pelas contas da economista Alessandra Ribeiro, da Tend\u00eancias Consultoria, uma queda de 10% na cora\u00e7\u00e3o da divisa implica redu\u00e7\u00e3o de 0,5 ponto percentual na infla\u00e7\u00e3o. \u201cA grande d\u00favida \u00e9 onde o c\u00e2mbio vai parar. H\u00e1 ainda muitas incertezas na \u00e1rea pol\u00edtica que n\u00e3o permitem previs\u00f5es mais acuradas\u201d, comentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Mais importadoras<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O real mais valorizado levou \u00e0 abertura de 38 novas empresas importadores em maio, destacou o presidente da AEB, Jos\u00e9 Augusto de Castro. Agora, elas somam 4.925. \u201c\u00c9 a primeira vez que isso ocorre desde o ano passado. As importa\u00e7\u00f5es devem continuar crescendo com o d\u00f3lar em queda. J\u00e1 as exporta\u00e7\u00f5es de produtos de maior valor agregado v\u00e3o perder competitividade. Em 2015, as vendas de manufaturados somaram R$ 72,791 bilh\u00f5es e n\u00e3o devem crescer neste ano. Esse volume \u00e9 menor que o visto em 2006, de R$ 75,022 bilh\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 07h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ROSANA HESSEL &nbsp; O ritmo cont\u00ednuo da queda do d\u00f3lar est\u00e1 provocando o crescimento das importa\u00e7\u00f5es, o que deve reduzir o superavit da balan\u00e7a comercial esperado para este ano. A m\u00e9dia di\u00e1ria das compras no exterior cresceu 19,5% nas quatro primeiras semana de junho em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2015. 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