{"id":1747,"date":"2016-06-30T04:05:38","date_gmt":"2016-06-30T07:05:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1747"},"modified":"2016-07-08T10:07:49","modified_gmt":"2016-07-08T13:07:49","slug":"coluna-no-correio-brasil-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-brasil-2018\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Brasil 2018"},"content":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 dia de uma decis\u00e3o das mais significativas para a pol\u00edtica monet\u00e1ria: a defini\u00e7\u00e3o da meta de infla\u00e7\u00e3o que o Banco Central (BC) vai perseguir em 2018. Parece muito tempo olhar 18 meses \u00e0 frente, mas, em um mundo economicamente civilizado, as coisas devem funcionar assim, com expectativas ancoradas anos antes. Isso \u00e9 a ess\u00eancia da estabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 viveu, em alguns momentos, maior proximidade da civiliza\u00e7\u00e3o. Colheu taxas de infla\u00e7\u00e3o mais baixas e, a longo prazo, maior crescimento econ\u00f4mico. O economista Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroecon\u00f4micas do Bradesco, argumenta que o ideal seria estabelecer um objetivo mais ambicioso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) re\u00fane-se para confirmar ou n\u00e3o a meta do pr\u00f3ximo ano, estabelecida em 4,5%. \u00c9 a mesma deste ano, s\u00f3 que a margem de toler\u00e2ncia ser\u00e1 menor: 1,5 ponto em vez dos dois que vigoram atualmente para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). Isso \u00e9 legado monetarista de Joaquim Levy em sua passagem pelo Minist\u00e9rio da Fazenda no ano passado. Nada deve ser mudado nesse aspecto pelos integrantes do CMN, o atual titular da Fazenda, Henrique Meirelles, e o do Planejamento, Dyogo Oliveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o mais importante \u00e9 a de 2018. S\u00e3o grandes as chances de que se reduza a meta, possivelmente para 4%, embora isso n\u00e3o esteja garantido. \u201cN\u00e3o sei o que v\u00e3o fazer, mas eu defendo que se reduza\u201d, diz Barros. Ele acha um absurdo o Brasil ter um patamar inflacion\u00e1rio t\u00e3o alto, quando outros pa\u00edses latino-americanos, caso do Chile e do M\u00e9xico, t\u00eam objetivos bem mais baixos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Inefici\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Barros acha que seria necess\u00e1ria ousadia tamb\u00e9m no objetivo temporal. Em vez de um ano, dois anos. \u201cOu ent\u00e3o uma meta atemporal, o que vigora em v\u00e1rios pa\u00edses\u201d, explica. O problema do per\u00edodo de um ano \u00e9 que ele gera inefici\u00eancias. Se falta apenas um m\u00eas para fechar o per\u00edodo, e a carestia est\u00e1 fora do intervalo previsto, a autoridade monet\u00e1ria se v\u00ea obrigada a um esfor\u00e7o exagerado para levar o \u00edndice de pre\u00e7os ao que se prop\u00f5e. Ou ent\u00e3o ignora o n\u00famero e d\u00e1 uma desculpa, ali\u00e1s o que se tem feito no Brasil nos \u00faltimos anos \u2014 no ano passado, extrapolou-se at\u00e9 mesmo o teto da margem. O Brasil, destaca Barros, \u00e9 o \u00fanico dos 44 pa\u00edses que adotam o sistema de metas de infla\u00e7\u00e3o a se ater a um ciclo de um ano para o objetivo fixado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O problema de ignorar os objetivos sem cerim\u00f4nia \u00e9 que isso corr\u00f3i a credibilidade do sistema. Durante a gest\u00e3o da presidente Dilma Rousseff, com Alexandre Tombini no comando da autoridade monet\u00e1ria, o que se comentava \u00e9 que o teto havia virado o novo centro da meta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando v\u00eam choques inesperados, por exemplo a queda no pre\u00e7o de commodities, ou fatores clim\u00e1ticos, a diferen\u00e7a \u00e9 acomodada na margem. Mas se o pa\u00eds j\u00e1 est\u00e1 operando no limite, n\u00e3o h\u00e1 como absorver. Com isso, no ano passado, a infla\u00e7\u00e3o foi a dois d\u00edgitos. Atingiu quase o dobro do teto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vantagem do sistema de metas \u00e9 que os agentes econ\u00f4micos ajustam suas expectativas. As profecias do mercado s\u00e3o muitas vezes autorrealiz\u00e1veis: o que os agentes econ\u00f4micos acham que vai acontecer acaba acontecendo mesmo. Mas coordenar as expectativas d\u00e1 um baita trabalho, que o BC e o Minist\u00e9rio da Fazenda devem empreender. No caso do primeiro, isso ocorre por meio de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria eficiente e uma comunica\u00e7\u00e3o clara, e, no do segundo, com uma pol\u00edtica fiscal respons\u00e1vel e a garantia de autonomia ao mandato do BC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Abandono<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No governo de Dilma e na administra\u00e7\u00e3o de Tombini o sistema foi para o espa\u00e7o, assim como a infla\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significou maior liberdade para o pa\u00eds colocar os juros e o crescimento no patamar que quisesse. Ao contr\u00e1rio. O juro do pa\u00eds \u00e9 um recorde mundial, com a taxa b\u00e1sica em 14,25%. E o crescimento \u00e9 um recorde negativo. O pa\u00eds vai perder 10% em dois anos, algo que nenhuma outra economia da mesma relev\u00e2ncia experimenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sergio Werlang, respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o do sistema de metas quando era diretor de pol\u00edtica econ\u00f4mica do BC, explica que a disciplina torna as pol\u00edticas menos custosas, n\u00e3o mais. \u201cQuanto mais a expectativa diverge da meta, mais caro fica, em termos de PIB (Produto Interno Bruto), colocar de novo na meta\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Reduzir a meta para 2018 n\u00e3o teria grande efeito na pol\u00edtica monet\u00e1ria a curto prazo. Ou seja, n\u00e3o mudaria a decis\u00e3o de baixar os juros em outubro ou mais para frente. A longo prazo, pode resultar em um custo menor em termos de juros, j\u00e1 que, com uma Selic mais baixa, ser\u00e1 poss\u00edvel conseguir o mesmo IPCA. Mas \u00e9 claro que a pol\u00edtica fiscal precisa ajudar tamb\u00e9m. A expectativa \u00e9 de IPCA em 4,2% em 2018 com o juro atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel ter uma taxa menor se outros fatores ajudarem, com um deficit menor. A expectativa para o pr\u00f3ximo ano \u00e9 de um rombo em torno de R$ 100 bilh\u00f5es. Menor do que os R$ 170,5 bilh\u00f5es previstos para este ano, mas, ainda assim, um deficit. \u00c9 preciso que as coisas melhorem muito em 18 meses, o que depende da aprova\u00e7\u00e3o do teto de gastos p\u00fablicos e da reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 04h05min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO &nbsp; Hoje \u00e9 dia de uma decis\u00e3o das mais significativas para a pol\u00edtica monet\u00e1ria: a defini\u00e7\u00e3o da meta de infla\u00e7\u00e3o que o Banco Central (BC) vai perseguir em 2018. 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