{"id":17236,"date":"2021-01-20T18:39:40","date_gmt":"2021-01-20T21:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=17236"},"modified":"2021-01-20T18:41:29","modified_gmt":"2021-01-20T21:41:29","slug":"copom-decide-manter-a-taxa-selic-em-2-ao-ano-e-retira-forward-guidance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/copom-decide-manter-a-taxa-selic-em-2-ao-ano-e-retira-forward-guidance\/","title":{"rendered":"Copom decide manter a taxa Selic em 2% ao ano e retira forward guidance"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">ROSANA HESSEL<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (20\/01), manter a taxa b\u00e1sica da economia\u00a0 (Selic) em 2% ao ano, conforme o esperado pelo mercado. Essa \u00e9 a 4\u00aa reuni\u00e3o consecutiva em que o colegiado de diretores liderado pelo ministro Roberto Campos Neto n\u00e3o altera a Selic.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A decis\u00e3o foi un\u00e2nime e o colegiado retirou o<em> forward guidance<\/em>, ferramenta de pol\u00edtica monet\u00e1ria que sinalizava a manuten\u00e7\u00e3o dos juros por um per\u00edodo de tempo mais prolongado e que estava sendo utilizada desde agosto de 2020. &#8220;O forward guidance\u00a0deixa de existir e a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria seguir\u00e1, doravante, a an\u00e1lise usual do balan\u00e7o de riscos para a infla\u00e7\u00e3o prospectiva&#8221;, destacou a nota do Copom.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Veja a \u00edntegra do comunicado do Copom:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em sua 236\u00aa reuni\u00e3o, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 2,00% a.a.<\/em><\/p>\n<p><em>A atualiza\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio b\u00e1sico do Copom pode ser descrita com as seguintes observa\u00e7\u00f5es:<\/em><\/p>\n<ul>\n<li><em>No cen\u00e1rio externo, o aumento do n\u00famero de casos e o aparecimento de novas cepas do v\u00edrus t\u00eam revertido os ganhos na mobilidade e dever\u00e3o afetar a atividade econ\u00f4mica no curto prazo. No entanto, novos est\u00edmulos fiscais em alguns pa\u00edses desenvolvidos, unidos \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o dos programas de imuniza\u00e7\u00e3o contra a Covid-19, devem promover uma recupera\u00e7\u00e3o s\u00f3lida da atividade no m\u00e9dio prazo. A presen\u00e7a de ociosidade, assim como a comunica\u00e7\u00e3o dos principais bancos centrais, sugere que os est\u00edmulos monet\u00e1rios ter\u00e3o longa dura\u00e7\u00e3o, permitindo um ambiente favor\u00e1vel para economias emergentes;<\/em><\/li>\n<li><em>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade econ\u00f4mica brasileira, indicadores referentes ao final do ano passado t\u00eam surpreendido positivamente, mas n\u00e3o contemplam os poss\u00edveis efeitos do recente aumento no n\u00famero de casos de Covid-19. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o primeiro trimestre deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos aux\u00edlios emergenciais;<\/em><\/li>\n<li><em>A recente eleva\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o de\u00a0commodities\u00a0internacionais e seus reflexos sobre os pre\u00e7os de alimentos e combust\u00edveis implicam eleva\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos meses. Apesar da press\u00e3o inflacion\u00e1ria mais forte no curto prazo, o Comit\u00ea mant\u00e9m o diagn\u00f3stico de que os choques atuais s\u00e3o tempor\u00e1rios, ainda que tenham se revelado mais persistentes do que o esperado. Assim, o Copom segue monitorando sua evolu\u00e7\u00e3o com aten\u00e7\u00e3o, em particular as medidas de infla\u00e7\u00e3o subjacente;<\/em><\/li>\n<li><em>As diversas medidas de infla\u00e7\u00e3o subjacente apresentam-se em n\u00edveis acima do intervalo compat\u00edvel com o cumprimento da meta para a infla\u00e7\u00e3o;<\/em><\/li>\n<li><em>As expectativas de infla\u00e7\u00e3o para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,4%, 3,5% e 3,25%, respectivamente; e<\/em><\/li>\n<li><em>No cen\u00e1rio b\u00e1sico, com trajet\u00f3ria para a taxa de juros extra\u00edda da pesquisa Focus e taxa de c\u00e2mbio partindo de R$5,35\/US$*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o do Copom situam-se em torno de 3,6% para 2021 e 3,4% para 2022. Esse cen\u00e1rio sup\u00f5e trajet\u00f3ria de juros que se eleva at\u00e9 3,25% a.a. em 2021 e 4,75% a.a. em 2022.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p><em>O Comit\u00ea ressalta que, em seu cen\u00e1rio b\u00e1sico para a infla\u00e7\u00e3o, permanecem fatores de risco em ambas as dire\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Por um lado, o n\u00edvel de ociosidade pode produzir trajet\u00f3ria de infla\u00e7\u00e3o abaixo do esperado, notadamente quando essa ociosidade est\u00e1 concentrada no setor de servi\u00e7os. Esse risco se intensifica caso uma revers\u00e3o mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupan\u00e7a precaucional.<\/em><\/p>\n<p><em>Por outro lado, um prolongamento das pol\u00edticas fiscais de resposta \u00e0 pandemia que piore a trajet\u00f3ria fiscal do pa\u00eds, ou frustra\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade das reformas, podem elevar os pr\u00eamios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balan\u00e7o de riscos, ou seja, com trajet\u00f3rias para a infla\u00e7\u00e3o acima do projetado no horizonte relevante para a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/em><\/p>\n<p><em>O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necess\u00e1rios na economia brasileira \u00e9 essencial para permitir a recupera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da economia. O Comit\u00ea ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e altera\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter permanente no processo de ajuste das contas p\u00fablicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.<\/em><\/p>\n<p><em>Considerando o cen\u00e1rio b\u00e1sico, o balan\u00e7o de riscos e o amplo conjunto de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa b\u00e1sica de juros em 2,00% a.a. O Comit\u00ea entende que essa decis\u00e3o reflete seu cen\u00e1rio b\u00e1sico e um balan\u00e7o de riscos de vari\u00e2ncia maior do que a usual para a infla\u00e7\u00e3o prospectiva e \u00e9 compat\u00edvel com a converg\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calend\u00e1rio de 2021 e, principalmente, o de 2022.<\/em><\/p>\n<p><em>Segundo o\u00a0forward guidance\u00a0adotado em sua 232\u00aa reuni\u00e3o, o Copom n\u00e3o reduziria o grau de est\u00edmulo monet\u00e1rio desde que determinadas condi\u00e7\u00f5es fossem satisfeitas. Em vista das novas informa\u00e7\u00f5es, o Copom avalia que essas condi\u00e7\u00f5es deixaram de ser satisfeitas j\u00e1 que as expectativas de infla\u00e7\u00e3o, assim como as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o de seu cen\u00e1rio b\u00e1sico, est\u00e3o suficientemente pr\u00f3ximas da meta de infla\u00e7\u00e3o para o horizonte relevante de pol\u00edtica monet\u00e1ria. Como consequ\u00eancia, o\u00a0forward guidance\u00a0deixa de existir e a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria seguir\u00e1, doravante, a an\u00e1lise usual do balan\u00e7o de riscos para a infla\u00e7\u00e3o prospectiva.<\/em><\/p>\n<p><em>O Comit\u00ea reitera que o fim do\u00a0forward guidance\u00a0n\u00e3o implica mecanicamente uma eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros pois a conjuntura econ\u00f4mica continua a prescrever, neste momento, est\u00edmulo extraordinariamente elevado frente \u00e0s incertezas quanto \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da atividade.<\/em><\/p>\n<p><em>Votaram por essa decis\u00e3o os seguintes membros do Comit\u00ea: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, Jo\u00e3o Manoel Pinho de Mello, Maur\u00edcio Costa de Moura, Ot\u00e1vio Ribeiro Damaso e Paulo S\u00e9rgio Neves de Souza.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da taxa de c\u00e2mbio R$\/US$ observada nos cinco dias \u00fateis encerrados no \u00faltimo dia da semana anterior \u00e0 da reuni\u00e3o do Copom.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (20\/01), manter a taxa b\u00e1sica da economia\u00a0 (Selic) em 2% ao ano, conforme o esperado pelo mercado. 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