{"id":16945,"date":"2020-12-21T10:43:47","date_gmt":"2020-12-21T13:43:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=16945"},"modified":"2020-12-21T19:27:59","modified_gmt":"2020-12-21T22:27:59","slug":"ipea-processo-de-retomada-sera-desigual-e-dependera-da-vacinacao-e-do-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ipea-processo-de-retomada-sera-desigual-e-dependera-da-vacinacao-e-do-fiscal\/","title":{"rendered":"Ipea: processo de retomada ser\u00e1 desigual e depender\u00e1 da vacina\u00e7\u00e3o e do fiscal"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">ROSANA HESSEL<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A economia brasileira mostra recupera\u00e7\u00e3o da recess\u00e3o provocada pela pandemia de covid-19 irregular desde setembro, com produ\u00e7\u00e3o industrial e varejo com rea\u00e7\u00e3o mais forte. Contudo, o setor de servi\u00e7os, que \u00e9 o que mais emprega e tem maior peso na composi\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB), e o mercado de trabalho ainda indicam que haver\u00e1 um lento e gradual processo de recupera\u00e7\u00e3o, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). O \u00f3rg\u00e3o aponta dois fatores pelo caminho para que o crescimento daqui para frente seja mais robusto e de forma mais sustent\u00e1vel: a vacina\u00e7\u00e3o em massa e o reequil\u00edbrio fiscal.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA gente est\u00e1 projetando uma retomada da atividade, mas os maiores riscos s\u00e3o dois: a pr\u00f3pria din\u00e2mica da epidemia, como essa nova dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e dos programas de vacina\u00e7\u00e3o, e o risco econ\u00f4mico interno que \u00e9 a quest\u00e3o fiscal, que \u00e9 bastante preocupante&#8221;, alertou\u00a0o diretor de Estudos e Pol\u00edticas Macroecon\u00f4micas do Ipea, Jos\u00e9 Ronaldo Souza J\u00fanior. Ele refor\u00e7ou que uma vacina\u00e7\u00e3o em massa ser\u00e1 fundamental para eliminar os riscos da pandemia. P<\/span><span style=\"font-weight: 400\">ara ele, o problema fiscal \u00e9 estrutural e um dos principais fatores para o baixo crescimento da economia e, por conta disso, n\u00e3o pode ser ignorado, porque ser\u00e1 necess\u00e1rio controlar o aumento do endividamento p\u00fablico, que est\u00e1 muito acima da m\u00e9dia dos pa\u00edses emergentes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Achar que apenas aumentar os gastos para ajudar no processo de retomada da atividade \u00e9 um engano, porque o endividamento est\u00e1 muito elevado e o pa\u00eds poder\u00e1 ter problemas para recuperar os investimentos, pois empresas privadas n\u00e3o conseguem cr\u00e9dito quando o governo, que \u00e9 o maior devedor, tem dificuldades para reduzir a d\u00edvida p\u00fablica&#8221;, pontuou. Ele lembrou que a vacina\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 instant\u00e2nea e haver\u00e1 um delay para o impacto dela na economia, sem contar que ser\u00e1 um grande desafio vacinar mais da metade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que tem uma log\u00edstica desafiadora. &#8220;\u00c9 uma dificuldade natural, diferente da Inglaterra e da Alemanha, que s\u00e3o pa\u00edses pequenos e n\u00e3o possuem \u00e1reas isoladas&#8221;, explicou.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme dados do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), a d\u00edvida p\u00fablica bruta do Brasil deve ultrapassar 100% do PIB neste ano, enquanto a m\u00e9dia de pa\u00edses emergentes dever\u00e1 subir 52,1% para 61,4% entre 2019 e 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Novas proje\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o diretor do Ipea, o instituto atualizou as proje\u00e7\u00f5es de setembro e passou a prever queda de 4,3% do PIB deste ano, em vez de 5% Para 2021, as previs\u00f5es tamb\u00e9m foram revisadas, inclusive, devido \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o dos dados do PIB deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com isso, o \u00f3rg\u00e3o passou a prever crescimento de 4% em 2021, sendo que o carrego estat\u00edstico da atividade de 2020 para o ano que vem dever\u00e1 ser 2,7% em termos de crescimento. Antes, a proje\u00e7\u00e3o era de alta de 3,6% \u201cAs revis\u00f5es da s\u00e9rie do IBGE mudaram o padr\u00e3o de crescimento da economia\u201d, explicou Souza Jr..<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNo mercado de trabalho, os efeitos da recupera\u00e7\u00e3o, apesar de vis\u00edveis, ainda s\u00e3o modestos, e a perspectiva \u00e9 que a taxa de desemprego ainda aumente antes de come\u00e7ar a cair \u2013 devido ao prov\u00e1vel aumento da procura por trabalho em 2021\u201d, destacou o <a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=37278&amp;catid=3&amp;Itemid=3\">estudo do Ipea <\/a>divulgado nesta segunda-feira (21\/12), prevendo infla\u00e7\u00e3o de 4,4% para este ano, acima do centro da meta determinada pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), de 4% ao ano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O t\u00e9cnico do Ipea lembrou que a estimativa para o PIB do quarto trimestre \u00e9 de avan\u00e7o de 2,1% no PIB, em rela\u00e7\u00e3o ao terceiro trimestre, mas de queda de 2,1%\u00a0 na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo intervalo de 2019.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pelas proje\u00e7\u00f5es do Ipea, o PIB vai encerrar 2021 sem recuperar totalmente do patamar pr\u00e9-crise, ou seja, de 2019, com o PIB agropecu\u00e1rio crescendo 3,8%, menos do que o PIB no ano que vem. Ele n\u00e3o descarta uma queda do PIB logo no primeiro trimestre, dependendo do sucesso da vacina\u00e7\u00e3o em massa e da intensidade dessa segunda onda de cont\u00e1gio que est\u00e1 provocando lockdowns na Europa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201c\u00c9 dif\u00edcil prever um crescimento robusto na economia sem a vacina\u00e7\u00e3o em massa. Medidas de isolamento poder\u00e3o acontecer de novo, como ocorre na Europa, e at\u00e9 mesmo a confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ficar prejudicada para um retorno da atividade mais forte, principalmente, do setor de servi\u00e7os\u201d, afirmou o diretor do Ipea.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL A economia brasileira mostra recupera\u00e7\u00e3o da recess\u00e3o provocada pela pandemia de covid-19 irregular desde setembro, com produ\u00e7\u00e3o industrial e varejo com rea\u00e7\u00e3o mais forte. 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