{"id":1680,"date":"2016-06-26T23:01:58","date_gmt":"2016-06-27T02:01:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1680"},"modified":"2016-06-26T23:33:27","modified_gmt":"2016-06-27T02:33:27","slug":"clinicas-populares-ganham-espaco-com-consulta-a-r-89","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/clinicas-populares-ganham-espaco-com-consulta-a-r-89\/","title":{"rendered":"Cl\u00ednicas populares ganham espa\u00e7o com consultas a R$ 89"},"content":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O aumento do desemprego, que levou 1,9 milh\u00e3o de brasileiros a perder a cobertura de planos de sa\u00fade, as dificuldades que os consumidores enfrentam para usar os conv\u00eanios e a precariza\u00e7\u00e3o do atendimento no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) impulsionaram a expans\u00e3o de redes de cl\u00ednicas populares no pa\u00eds. Com pre\u00e7os acess\u00edveis para a realiza\u00e7\u00e3o de consultas e exames, pelo menos sete empresas foram criadas para prestar servi\u00e7os m\u00e9dicos de baixa e m\u00e9dia complexidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O advogado Daniel Cardone, especialista no mercado de sa\u00fade, explica que o conceito de cl\u00ednicas populares surgiu nos Estados Unidos, em varejistas como a CVS, uma das maiores redes de farm\u00e1cia do mundo, e no Walmart. Os norte-americanos n\u00e3o t\u00eam um sistema p\u00fablico de sa\u00fade e as duas companhias faturam com a venda de medicamentos. Com isso, criaram suas pr\u00f3prias cl\u00ednicas, com pre\u00e7os de consultas inferiores aos de hospitais, para atender pacientes com dores de cabe\u00e7a, alergias e pequenos desconfortos. \u201cO pa\u00eds tem uma popula\u00e7\u00e3o enorme sem recursos para buscar atendimento em hospitais privados e as empresas viram uma oportunidade\u201d, detalha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cardone comenta que, em qualquer lugar do mundo, as pessoas n\u00e3o veem barreiras para gastar quando o assunto \u00e9 sa\u00fade. Vendem os bens, usam as economias ou tomam financiamentos para custear tratamentos. Diante de uma demanda semelhante, os brasileiros adaptaram o conceito norte-americano para a realidade daqui. \u201cNo Brasil a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite que uma farm\u00e1cia ou uma rede varejista tenha m\u00e9dicos prescrevendo medicamentos. Mas as cl\u00ednicas podem ser criadas por investidores e m\u00e9dicos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Exame a R$ 3,50<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O especialista destaca que o modelo deu certo no Brasil diante da car\u00eancia de hospitais p\u00fablicos e dos custos elevados para tratamento em unidades privadas para quem n\u00e3o tem plano de sa\u00fade. Uma consulta varia de<br \/>\nR$ 89 a R$ 120. Exames s\u00e3o realizados a partir de R$ 3,50. O investimento para montar uma unidade varia de R$ 500 mil a R$ 1 milh\u00e3o. O custo do projeto \u00e9 determinado pelo gasto com equipamentos. \u201cO cidad\u00e3o brasileiro que hoje est\u00e1 desempregado n\u00e3o tem dinheiro para pegar t\u00e1xi ou \u00f4nibus e percorrer v\u00e1rios hospitais em busca de atendimento. Logo, ele vai a uma cl\u00ednica popular, gasta menos e tem a certeza de que ser\u00e1 atendido\u201d, diz Cardone.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Francisco Balestrin ressalta que, somente no ano passado, 150 mil consultas deixaram de ser realizadas em prontos-socorros privados na cidade de S\u00e3o Paulo com a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de benefici\u00e1rios de planos de sa\u00fade. Ele explica que essa demanda passou a ser atendida por cl\u00ednicas populares, consult\u00f3rios particulares ou pelo pr\u00f3prio SUS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Balestrin, as cl\u00ednicas populares s\u00e3o uma tend\u00eancia de mercado e a perenidade dessas empresas ser\u00e1 testada quando a economia retomar o crescimento e os brasileiros voltarem a ter emprego, planos de sa\u00fade e usarem os hospitais privados. \u201cQuem faz um atendimento profissional participar\u00e1 do processo de consolida\u00e7\u00e3o. Quem entrou na onda pode perder a clientela\u201d, comenta. Ele ressalta ainda que os atendimentos de m\u00e9dia e alta complexidade continuam a ser realizados pelos hospitais tradicionais e a tend\u00eancia \u00e9 de que o movimento aumente diante do envelhecimento populacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De olho na expans\u00e3o da demanda por atendimentos m\u00e9dicos, o advogado Emannuel Garakis e outros quatro s\u00f3cios abriram a primeira unidade da Minha Cl\u00ednica no Setor Comercial Sul, centro de Bras\u00edlia. A cl\u00ednica tem cinco consult\u00f3rios e espa\u00e7o para exames e coleta de sangue. A segunda unidade est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Sebasti\u00e3o e deve empregar 35 pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diretor t\u00e9cnico da cl\u00ednica popular, Joannis Garakis, explica que a empresa est\u00e1 focada na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e0 sa\u00fade, com pre\u00e7os acess\u00edveis. As consultas variam de R$ 89 a R$ 99. Os exames saem at\u00e9 pela metade do pre\u00e7o do que os realizados em laborat\u00f3rios e hospitais tradicionais. \u201cO paciente tem direito a uma consulta e um retorno em at\u00e9 30 dias\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os brasileiros, por\u00e9m, t\u00eam opini\u00f5es distintas sobre o servi\u00e7o prestado pelas cl\u00ednicas populares. A vendedora ambulante Ant\u00f4nia Duarte, 57 anos, conhece o drama de quem busca atendimento na rede p\u00fablica. Ela vende lanches na porta do Hospital de Base de Bras\u00edlia, a maior unidade p\u00fablica do Distrito Federal, e v\u00ea o sofrimento de quem n\u00e3o consegue ser atendido. \u201cTentei uma consulta, que foi marcada para outubro. Moro no Entorno do DF e paguei R$ 150 em um m\u00e9dico particular. As cl\u00ednicas populares s\u00e3o uma alternativa aos mais pobres\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O servidor p\u00fablico Luiz Rocha, 55, teme que o atendimento realizado pelas cl\u00ednicas populares n\u00e3o seja de qualidade. Ele, que tem plano de sa\u00fade, afirma que j\u00e1 teve dificuldades para marcar uma consulta. \u201cOs pre\u00e7os das cl\u00ednicas populares s\u00e3o atrativos, mas n\u00e3o tenho confian\u00e7a. Sonho com o dia em que o SUS ter\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de cuidar dos brasileiros sem filas e sem transtornos\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 23h01min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO &nbsp; O aumento do desemprego, que levou 1,9 milh\u00e3o de brasileiros a perder a cobertura de planos de sa\u00fade, as dificuldades que os consumidores enfrentam para usar os conv\u00eanios e a precariza\u00e7\u00e3o do atendimento no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) impulsionaram a expans\u00e3o de redes de cl\u00ednicas populares no pa\u00eds. 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