{"id":1662,"date":"2016-06-26T10:10:30","date_gmt":"2016-06-26T13:10:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1662"},"modified":"2016-06-26T11:44:00","modified_gmt":"2016-06-26T14:44:00","slug":"sem-preocupacao-com-a-aposentadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/sem-preocupacao-com-a-aposentadoria\/","title":{"rendered":"Sem preocupa\u00e7\u00e3o com a aposentadoria"},"content":{"rendered":"<p>POR CELIA PERRONE<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A estudante de psicologia Tayane Nunes, 22 anos, vive com os pais, faz est\u00e1gio e o dinheiro que sobra, quando sobra, coloca na caderneta de poupan\u00e7a para fazer um mestrado fora do pa\u00eds. Ela diz que n\u00e3o procura outra aplica\u00e7\u00e3o por falta de conhecimento. \u201cN\u00e3o sei onde investir meu dinheiro. N\u00e3o sei quais aplica\u00e7\u00f5es s\u00e3o seguras e duradouras\u201d, conta. E, apesar das constantes alertas sobre o deficit da Previd\u00eancia, que amea\u00e7a o sustento dos trabalhadores na velhice, ela nem cogita economizar para a aposentadoria. \u201cEst\u00e1 t\u00e3o longe ainda. Al\u00e9m disso, pretendo prestar concurso para a Pol\u00edcia Militar. Meu pai e minha m\u00e3e s\u00e3o policiais e v\u00e3o receber aposentadoria integral. Sei que tudo pode mudar at\u00e9 eu me aposentar, mas est\u00e1 muito longe da minha realidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desconhecimento de Tayane n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Ela faz parte da chamada Gera\u00e7\u00e3o Y, conhecida tamb\u00e9m como gera\u00e7\u00e3o do mil\u00eanio, ou millenials, que foi objeto da pesquisa \u201cGera\u00e7\u00e3o Perdida: Motivando a Gera\u00e7\u00e3o Y a fazer investimentos para a aposentadoria\u201d, da Universidade de Cambridge e do banco BNY Mellon. Os pesquisadores entrevistaram 1.253 jovens entre 21 e 36 anos nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Holanda, na Austr\u00e1lia, no Jap\u00e3o e no Brasil e descobriram que os representantes desse grupo social mal sabem como come\u00e7ar a planejar a aposentadoria e nem sequer imaginam quanto teriam que poupar por m\u00eas para obter uma determinada renda no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave no Brasil, onde metade dos entrevistados diz que n\u00e3o sabe e nem quer saber da possibilidade de receber menos benef\u00edcios que seus pais e av\u00f3s. Nos pa\u00edses desenvolvidos, 77% dos jovens sabem que ter\u00e3o uma aposentadoria menos confort\u00e1vel que a das gera\u00e7\u00f5es anteriores, devido a fatores demogr\u00e1ficos, pol\u00edticos e macroecon\u00f4micos. Eles n\u00e3o t\u00eam conhecimento, no entanto, do que realmente o futuro lhes reserva, mas gostariam de ser alertados da \u201cdura realidade\u201d sobre suas finan\u00e7as p\u00f3s-aposentadoria. A pesquisa mostra ainda que as atitudes variam imensamente de pa\u00eds para pa\u00eds. No Brasil, apenas 48% dos integrantes da Gera\u00e7\u00e3o Y est\u00e3o interessados em conhecer a \u201cdura realidade\u201d, em compara\u00e7\u00e3o a 94% dos australianos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Verdades<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Paul Traynor, chefe internacional dos segmentos de Seguros e Previd\u00eancia no BNY Mellon, o mais preocupante \u00e9 que um ter\u00e7o dos jovens brasileiros n\u00e3o est\u00e1 disposto, \u201cou talvez n\u00e3o esteja pronto&#8221;, para ouvir a verdade sobre o pr\u00f3prio futuro financeiro, em compara\u00e7\u00e3o com apenas 12% nos outros pa\u00edses. Mas ele destaca que a falta de conhecimento n\u00e3o \u00e9 exclusiva do Brasil e que mais de 70% dos jovens brasileiros sugeriram que fossem adicionadas aulas de educa\u00e7\u00e3o financeira e investimentos ao curr\u00edculo escolar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o n\u00famero mais alto no nosso levantamento. \u00c9 evidente que h\u00e1 uma sede para a educa\u00e7\u00e3o financeira, mas n\u00e3o encontram isso no meio do caminho\u201d, frisa Traynor. Ele ressalta que, dao que os jovens brasileiros est\u00e3o incitando para maior educa\u00e7\u00e3o em torno de poupan\u00e7a e de investimentos, talvez eles sintam que uma abordagem pragm\u00e1tica e educacional seria mais eficaz e motivacional do que qualquer choque ou t\u00e1ticas de intimida\u00e7\u00e3o. &#8220;O qualitativo feedback que recebemos da Gera\u00e7\u00e3o Y brasileira nos diz que ela est\u00e1 muito interessada no agora e tem dificuldade para se concentrar no futuro\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Marxismo<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Incluir educa\u00e7\u00e3o financeira no curr\u00edculo escolar \u00e9 tamb\u00e9m o que defende o economista e especialista em previd\u00eancia e finan\u00e7as p\u00fablicas Fabio Giambiagi. \u201cNo segundo ano do ensino m\u00e9dio deveriam ser ministradas aulas de educa\u00e7\u00e3o financeira com \u00eanfase em juros compostos e, no terceiro ano, um curso de educa\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria\u201d, afirma. Ele credita a diferen\u00e7as culturais, principalmente, o fato de os brasileiros n\u00e3o quererem saber sobre a realidade da aposentadoria, e destaca que, nos pa\u00edses asi\u00e1ticos, o ensino da matem\u00e1tica \u00e9 melhor do que no Brasil. \u201cAqui doutrinam a garotada com um marxismo de quinta categoria e ela cai na vida sem no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para enfrentar o que realmente importa: como se preparar para os desafios financeiros\u201d, critica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa descobriu que 61% dos brasileiros da Gera\u00e7\u00e3o Y n\u00e3o recebem qualquer informa\u00e7\u00e3o financeira por meio das empresas nas quais trabalham ou das institui\u00e7\u00f5es de ensino. \u201cOs brasileiros dessa gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o menos propensos a serem contatados tanto pelas empresas em que trabalham como pelas institui\u00e7\u00f5es de ensino sobre quest\u00f5es financeiras do que em qualquer outro pa\u00eds pesquisado\u201d, diz Adriano Koelle, chairman da Am\u00e9rica Latina no BNY Mellon.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tecnologia pode ser aliada da informa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa da Universidade de Cambridge e do banco BNY Mellon que investigou os h\u00e1bitos e expectativas financeiras dos millenials ressalta que 60% dos brasileiros inclu\u00eddos nessa categoria estimam o tamanho do fundo de que necessitar\u00e3o para a aposentadoria arriscando palpites em vez de se basearem em dados estat\u00edsticos e matem\u00e1ticos. Mas Paul Traynor, chefe internacional dos segmentos de Seguros e Previd\u00eancia no BNY Mellon, diz que um fato chamou a aten\u00e7\u00e3o no levantamento: os entrevistados brasileiros pareciam muito mais propensos do que jovens de outros pa\u00edses a se envolverem nesses c\u00e1lculos utilizando tecnologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs brasileiros forneceram as respostas mais altas na nossa pesquisa atrav\u00e9s de redes sociais e tamb\u00e9m s\u00e3o os que mais desejam gerenciar a poupan\u00e7a de longo prazo por meio de um aplicativo. Isso \u00e9 algo de que servi\u00e7os financeiros e provedores devem tomar nota ao considerar a melhor forma de se envolver com este p\u00fablico\u201d, recomenda Traynor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma iniciativa para ajudar esse p\u00fablico a criar estrat\u00e9gias de poupan\u00e7a foi desenvolvido pelo economista Fabio Giambiagi, autor e coautor de mais de 25 livros sobre a economia brasileira, sendo quatro referentes a temas previdenci\u00e1rios, e pelo professor do Departamento de Engenharia Eletr\u00f4nica e de Computa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) S\u00e9rgio Villas-Boas. O site <i>www.pensione21.org<\/i> pretende ajudar as pessoas a se prepararem melhor para o futuro, por meio de um planejamento adequado que lhes permita chegar \u00e0 idade de aposentadoria em situa\u00e7\u00e3o financeira condizente com a da vida ativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O site disponibiliza simuladores, em forma de tabelas, que permitem comparar v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, oferecendo um conjunto de possibilidades de rentabilidade de aplica\u00e7\u00f5es financeiras. \u201c\u00c9 um site para aprender brincando, ao mesmo tempo que fornece par\u00e2metros onde a pessoa pode parar, pensar e decidir o que \u00e9 melhor para ela\u201d, diz Giambiagi. \u201cSuponha uma mulher de 30 anos, filha \u00fanica de pais com mais de 70 anos, que ser\u00e1 herdeira do \u00fanico im\u00f3vel deles, de R$ 800 mil. Ela pode se dar ao luxo de n\u00e3o poupar, mas se fizer algumas simula\u00e7\u00f5es no site, vai perceber que R$ 800 mil n\u00e3o \u00e9 de se jogar fora, mas tamb\u00e9m n\u00e3o dar\u00e1 para fazer grande coisa\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Sadia Cuthbert, chefe de Desenvolvimento de Neg\u00f3cios na Cambridge Judge Business School, os jovens precisam ser regularmente contatados por meio de m\u00faltiplos canais. \u201cSem uma nova abordagem, enfrentamos um risco real de que a Gera\u00e7\u00e3o Y se torne a Gera\u00e7\u00e3o Perdida \u2014 tanto para o setor de servi\u00e7os financeiros como em termos de sua pr\u00f3pria prepara\u00e7\u00e3o para a aposentadoria\u201d, salienta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 10h10min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR CELIA PERRONE &nbsp; A estudante de psicologia Tayane Nunes, 22 anos, vive com os pais, faz est\u00e1gio e o dinheiro que sobra, quando sobra, coloca na caderneta de poupan\u00e7a para fazer um mestrado fora do pa\u00eds. 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