{"id":1627,"date":"2016-06-24T08:30:43","date_gmt":"2016-06-24T11:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1627"},"modified":"2016-06-24T08:57:52","modified_gmt":"2016-06-24T11:57:52","slug":"tormento-dos-consumidores-vai-muito-alem-do-feijao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/tormento-dos-consumidores-vai-muito-alem-do-feijao\/","title":{"rendered":"Tormento dos consumidores vai muito al\u00e9m do feij\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>POR RODOLFO COSTA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A carestia que atormenta os consumidores vai muito al\u00e9m do feij\u00e3o, cujos pre\u00e7os subiram 58,6% nos \u00faltimos 12 meses. Segundo o Instituto Brasileiros de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE), h\u00e1 uma lista enorme de gr\u00e3os, frutas, verduras e legumes que acumulam reajustes superiores a 20% e est\u00e3o estragando o card\u00e1pio de muitas fam\u00edlias. A ordem entre as donas de casa \u00e9 tirar tudo o que est\u00e1 caro da lista do supermercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDefinitivamente, o feij\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema para os consumidores\u201d, disse o militar Jorge Lu\u00eds Dias, 50 anos. A sensa\u00e7\u00e3o dele e da mulher, a enfermeira Val\u00e9ria, 45, \u00e9 de que os aumentos est\u00e3o disseminados e n\u00e3o dar\u00e3o sossego t\u00e3o cedo. O governo garante que, a partir de agora, a infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais amena. Mas quem vai \u00e0s compras n\u00e3o acredita. \u201cEstamos adquirindo cada vez menos e substituindo produtos mais caros pelos mais baratos\u201d, ressaltou Val\u00e9ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dados do IBGE d\u00e3o a exata no\u00e7\u00e3o do que disse o casal Dias. O mam\u00e3o, por exemplo, ficou 85,9% mais caro em 12 meses, segundo o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). J\u00e1 o pre\u00e7o da batata-inglesa teve reajuste de 61,4%. A manga subiu 62,6% e o alho, 62,8%. \u201cA nossa op\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo por levar para casa apenas o que for essencial\u201d, ressaltou Jorge. \u201cSe n\u00e3o for assim, a conta n\u00e3o fecha\u201d, emendou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jorge foi enf\u00e1tico. \u201cTrocamos o feij\u00e3o-carioca pelo preto, e estamos comprando o arroz mais barato\u201d. Outra mudan\u00e7a foi no per\u00edodo das compras. Em vez de mensal, a ida ao supermercado passou a ser semanal, para proveitar as promo\u00e7\u00f5es. \u201cMesmo assim, n\u00e3o sa\u00edmos mais com o carrinho cheio. Acompanhamos promo\u00e7\u00f5es em diversos mercados e compramos nos dias que h\u00e1 o melhor pre\u00e7o\u201d, afirmou Val\u00e9ria. \u201cMas nem as ofertas n\u00e3o s\u00e3o mais as mesmas.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pesquisas e ofertas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a servidora p\u00fablica Aparecida Neto de Oliveira, 46, a situa\u00e7\u00e3o financeira das fam\u00edlias chegou ao limite. O sal\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o dura at\u00e9 fim do m\u00eas e a lista de compras encolhe a cada ida ao supermercado. Ela contou que, h\u00e1 tr\u00eas meses, o quilo da banana-prata sa\u00eda por R$ 1,99. Agora, \u00e9 at\u00e9 dif\u00edcil encontrar a fruta por menos de R$ 4,99, um aumento de 150,7%. \u201cA banana est\u00e1 a peso de ouro. Por conta disso, s\u00f3 estou levando a banana-ma\u00e7\u00e3\u201d, contou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na tentativa de aliviar o bolso, Aparecida deixou as compras grandes de lado e s\u00f3 vai ao supermercado quando est\u00e1 faltando algo na despensa de casa, sempre pesquisando os pre\u00e7os e acompanhando as ofertas da semana. Apesar dos esfor\u00e7os, teve que abrir m\u00e3o da quantidade e da qualidade dos produtos que consome. \u201cO dinheiro s\u00f3 d\u00e1 pra comprar o que \u00e9 de necessidade b\u00e1sica. Deixei de consumir verduras e estou trocando a carne pelo frango\u201d, desabafou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio ao aumento dos pre\u00e7os, ainda h\u00e1 margem de manobra para evitar essas press\u00f5es, segundo avaliam especialistas. O educador financeiro e idealizador do blog Quero ficar rico, Rafael Seabra, recomendou \u00e0s fam\u00edlias que cogitem a ideia de substituir frutas, feij\u00e3o, arroz e batata-inglesa por inhame, mandioca e batata-doce. \u201cMuitos consumidores j\u00e1 est\u00e3o adquirindo o h\u00e1bito de trocar a carne pelo frango, mas outras substitui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o \u00f3timas para o bolso, e, do ponto de vista nutricional, at\u00e9 melhores\u201d, enfatizou. Outra alternativa \u00e9 s\u00f3 consumir frutas da esta\u00e7\u00e3o, sempre mais baratas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Mudan\u00e7a de h\u00e1bito<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Professor de finan\u00e7as p\u00fablicas da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Roberto Piscitelli reconheceu que \u00e9 dif\u00edcil tirar alimentos como o feij\u00e3o do prato dos brasileiros. Mas ressaltou que \u00e9 poss\u00edvel comprar marcas mais baratas. \u201cN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio comprar por nome, e, sim, o produto. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma oportunidade de abrir o leque e flexibilizar o card\u00e1pio, diversificando a cesta e mudando h\u00e1bitos alimentares. Quando a situa\u00e7\u00e3o se normalizar, o consumidor poder\u00e1 escolher se continua na linha da mudan\u00e7a ou se volta aos h\u00e1bitos anteriores\u201d, frisou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Piscitelli tamb\u00e9m recomendou as compras em feiras. \u201cExistem feiras que t\u00eam frutas frescas, de qualidade at\u00e9 melhor e com pre\u00e7os mais em conta\u201d, disse ele, que n\u00e3o aconselha a forma\u00e7\u00e3o de estoques. \u201cNormalmente, algumas pessoas t\u00eam medo de o pre\u00e7o aumentar e decidem comprar tudo no come\u00e7o do m\u00eas. Mas, se todos decidirem fazer isso, os valores dos produtos tendem a aumentar, uma vez que a oferta diminui.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para amenizar a alta do feij\u00e3o, o governo federal anunciou ontem a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota de importa\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o. A medida, no entanto, pode n\u00e3o ser estendida para outros alimentos consumidos pelas fam\u00edlias. Em nota, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) informou que h\u00e1 limites na lista de exce\u00e7\u00e3o \u00e0 Tarifa Externa Comum que vale entre os pa\u00edses do Mercosul. \u201cO feij\u00e3o, por ser um alimento essencial e b\u00e1sico do brasileiro, teve tratamento favor\u00e1vel\u201d, informou. A pasta destacou, por\u00e9m, que \u201ccontinua vigilante e observando a flutua\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>====================<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Camex zera al\u00edquota<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior (Camex) zerou o Imposto de Importa\u00e7\u00e3o para os feij\u00f5es preto e carioquinha pelo per\u00edodo de tr\u00eas meses. \u201cA decis\u00e3o foi tomada em fun\u00e7\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do produto, motivada por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores, entre eles problemas clim\u00e1ticos que afetaram a safra\u201d, informou o Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os. A tarifa para importa\u00e7\u00e3o dos feij\u00f5es de pa\u00edses fora do Mercosul at\u00e9 ent\u00e3o era de 10%. A redu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita por meio da inclus\u00e3o de dois c\u00f3digos relacionados ao produto na Lista de Exce\u00e7\u00f5es \u00e0 Tarifa Externa Comum (Letec).<\/p>\n<p>====================<\/p>\n<p><b>Press\u00e3o no bolso<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante da alta das despesas com comida, v\u00e1rios analistas est\u00e3o revendo as proje\u00e7\u00f5es para o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano. A MacroSector Consultores, por exemplo, revisou ontem as estimativas para a infla\u00e7\u00e3o de 7,2% para 7,6%. A consultoria acredita que a carestia ser\u00e1 puxada, principalmente, pelas despesas com alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas, que podem subir at\u00e9 15% este ano. Nesse patamar, esse grupo, que responde por um ter\u00e7o do custo de vida, ter\u00e1 a maior alta desde 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O efeito provocado pelos alimentos ser\u00e3o nocivos para a atividade econ\u00f4mica, pois o Banco Central ter\u00e1 pouco espa\u00e7o para cortar os juros e o Produto Interno Bruto (PIB) cair\u00e1 4,2%. A MacroSector acredita que a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) encerrar\u00e1 o ano em 13,5%, ante os atuais 14,25%. \u201cCom a infla\u00e7\u00e3o ainda muito alta, a redu\u00e7\u00e3o dos juros ser\u00e1 mais modesta. A pr\u00f3pria sinaliza\u00e7\u00e3o do presidente do BC, Ilan Goldfajn, \u00e9 de cortes menos agressivos\u201d, disse o economista F\u00e1bio Silveira, s\u00f3cio-diretor da consultoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para ele, o custo dos alimentos seguir\u00e1 pressionado em decorr\u00eancia da quebra da safra brasileira de ver\u00e3o, devido a fatores clim\u00e1ticas, e da alta dos pre\u00e7os internacionais das commodities agr\u00edcolas, dada \u00e0 expectativa de estabiliza\u00e7\u00e3o dos juros b\u00e1sicos dos Estados Unidos em 0,25% ao ano no curto prazo. \u201cA sinaliza\u00e7\u00e3o de que a autoridade monet\u00e1ria norte-americana n\u00e3o elevar\u00e1 os juros t\u00e3o cedo provoca aumento dos pre\u00e7os de gr\u00e3os cotados em bolsa\u201d, destacou Silveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil, o excesso de chuvas provocou escassez de milho e de soja, que, combinada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do estoque no mercado internacional, est\u00e1 elevando os pre\u00e7os de derivados. A expectativa \u00e9 de que esse movimento pressione o custo de ra\u00e7\u00f5es que alimentam bovinos, su\u00ednos e aves. Por tabela, as carnes ficar\u00e3o mais caras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 08h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR RODOLFO COSTA &nbsp; A carestia que atormenta os consumidores vai muito al\u00e9m do feij\u00e3o, cujos pre\u00e7os subiram 58,6% nos \u00faltimos 12 meses. 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