{"id":15257,"date":"2020-08-15T23:41:02","date_gmt":"2020-08-16T02:41:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=15257"},"modified":"2020-08-15T23:51:41","modified_gmt":"2020-08-16T02:51:41","slug":"quem-vencera-a-guerra-pelo-teto-de-gastos-paulo-guedes-ou-rogerio-marinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/quem-vencera-a-guerra-pelo-teto-de-gastos-paulo-guedes-ou-rogerio-marinho\/","title":{"rendered":"Quem vencer\u00e1 a guerra pelo teto de gastos: Paulo Guedes ou Rog\u00e9rio Marinho?"},"content":{"rendered":"<h2>O governo enfrenta hoje uma guerra declarada entre os ministros da Economia, Paulo Guedes, e do Desenvolvimento Regional, Rog\u00e9rio Marinho. A disputa entre eles n\u00e3o vem de hoje, mas atingiu seu \u00e1pice nesta semana, quando Guedes decidiu torn\u00e1-la p\u00fablica e oficial ao anunciar a debandada na sua equipe e, sobretudo, levantar a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro sofrer um processo de impeachment se continuar seguindo os conselhos de ministros \u201cfura-teto\u201d. O tiro disparado pelo chefe da Economia teve Marinho como alvo preferencial, j\u00e1 que \u00e9 ele que vem liderando toda a movimenta\u00e7\u00e3o nos bastidores para o governo ampliar as despesas com obras, mesmo que isso significa estourar o teto de gastos.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_11528\" aria-describedby=\"caption-attachment-11528\" style=\"width: 456px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/08\/Rog\u00e9rio-Marinho-Luis-Nova-Esp.CB-D.A-Press-e1565034011883.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11528\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2019\/08\/Rog\u00e9rio-Marinho-Luis-Nova-Esp.CB-D.A-Press-e1565034011883.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"302\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11528\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Luis Nova\/ Esp. CB\/D.A Press<\/figcaption><\/figure>\n<p>Marinho, que foi secret\u00e1rio especial de Previd\u00eancia do Minist\u00e9rio da Economia antes de ser al\u00e7ado ao primeiro escal\u00e3o do governo, n\u00e3o est\u00e1 sozinho na guerra contra Guedes. Tem a seu lado os ministros militares com assento no Planalto, sendo o mais pr\u00f3ximo dele o chefe da Casa Civil, Braga Neto. Conta com a simpatia do secret\u00e1rio-geral da Presid\u00eancia, Jorge Oliveira, e do ministro de Infraestrutura, Tarc\u00edsio Freitas. Construiu uma ponte importante com o ministro da Comunica\u00e7\u00f5es, F\u00e1bio Faria, o que o aproximou ainda mais do Centr\u00e3o, o grupo ao qual Bolsonaro se aliou para impedir qualquer movimenta\u00e7\u00e3o do presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia, quanto a um poss\u00edvel processo de impeachment \u2013 h\u00e1 mais de 40 pedidos nesse sentido engavetados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o ministro do Desenvolvimento Regional alardeia que conseguiu se cercar de figuras relevantes do entorno de Bolsonaro, Guedes tamb\u00e9m bate no peito ter o apoio necess\u00e1rio para levar adiante a sua agenda. Ele assegura ter 100% do apoio do presidente. Cita como exemplo as declara\u00e7\u00f5es de Bolsonaro na live de quinta-feira (13\/08) e os posts nas redes sociais na sexta (14\/08). Em todos, comprometendo-se com o ajuste fiscal. O ministro tamb\u00e9m garante ter o apoio do colega F\u00e1bio Faria e dos filhos do presidente. \u201cN\u00e3o tem outro caminho. Ou seguimos com a responsabilidade fiscal, ou o pa\u00eds quebrar\u00e1 de novo, como ocorreu no governo Dilma e como se viu recentemente na Argentina\u201d, tem dito nas conversas mais recentes com interlocutores do governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guedes afirma ainda que os \u201cfura-teto\u201d est\u00e3o se aproveitando da proximidade do fechamento do Or\u00e7amento de 2021 para impor a agenda da gastan\u00e7a, quando o momento \u00e9 de controlar despesas. N\u00e3o h\u00e1, no entender do chefe da equipe econ\u00f4mica, como repetir 2020, quando todos os limites da responsabilidade fiscal foram jogados para o espa\u00e7o por conta da pandemia. Ele entende que, ao longo do tempo, ser\u00e1 poss\u00edvel ampliar os investimentos do governo, mas, antes, \u00e9 preciso conter o deficit explosivo das contas p\u00fablicas, que pode chegar a R$ 800 bilh\u00f5es neste ano, e a disparada da d\u00edvida p\u00fablica, que encosta nos 90% do Produto Interno Bruto (PIB), levantando questionamentos sobre a solv\u00eancia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ala que joga contra Guedes n\u00e3o perdoa. Afirma que, al\u00e9m de ele nunca ter feito esfor\u00e7os para construir rela\u00e7\u00f5es fortes dentro governo, acreditando ser intoc\u00e1vel, viu que o seu programa liberal para a economia n\u00e3o trouxe os resultados esperados pelo presidente \u2013 um crescimento mais r\u00e1pido da atividade, sobretudo. Tamb\u00e9m demorou para agir durante a pandemia do novo coronav\u00edrus, o que escancarou as fragilidades de sua pol\u00edtica. Foi durante as duras cr\u00edticas que o governo recebeu pela falta de cr\u00e9dito r\u00e1pido \u00e0s empresas que Marinho se estruturou de vez para ocupar espa\u00e7o e partir para cima do ex-chefe. Nessa empreitada, atraiu apoio de empres\u00e1rios insatisfeitos com Guedes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Trai\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Guedes e Marinho desandou de vez em abril, quando o chefe da equipe econ\u00f4mica descobriu que o antigo subordinado estava negociando com os ministros militares e o presidente da Rep\u00fablica um programa de obras para estimular a economia, solapada pela covid-19. O Pr\u00f3-Brasil previa investimentos de pelo menos R$ 30 bilh\u00f5es em projetos de infraestrutura, com a retomada de empreendimentos parados. O termo mais suave que Guedes usou para se referir a Marinho foi \u201ctraidor\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na fat\u00eddica reuni\u00e3o ministerial de 22 de abril, o ministro da Economia classificou o Pr\u00f3-Brasil como um \u201cerro\u201d e comparou a proposta ao Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), elaborado pela ex-presidente Dilma Rousseff. \u201cVoltar a uma agenda de trinta anos atr\u00e1s, que \u00e9 investimento p\u00fablico financiado pelo governo, foi o que a Dilma fez\u201d, disse Guedes, ressaltando, claramente, as digitais do oponente. \u201cTodo o discurso \u00e9 conhecido: acabar com as desigualdades regionais. Marinho, claro, est\u00e1 l\u00e1, s\u00e3o as digitais dele\u201d, disparou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele momento, o ministro da Economia conseguiu o apoio de Bolsonaro para segurar o \u00edmpeto gastador de Marinho e dos militares. O problema \u00e9 que, agora, com a popularidade em alta por causa do aux\u00edlio emergencial de R$ 600, o presidente est\u00e1 focado na reelei\u00e7\u00e3o, e quer transformar o Brasil em um canteiro de obras. Diante dessa ambi\u00e7\u00e3o, dizem integrantes do grupo de Marinho, Guedes n\u00e3o ser\u00e1 um estorvo. Ainda mais depois das declara\u00e7\u00f5es que deu na \u00faltima ter\u00e7a-feira, consideradas muito acima do aceit\u00e1vel pelo presidente. A interlocutores, Bolsonaro disse que o ministro da Economia havia passado dos limites ao levantar a possibilidade de ele sofrer um impeachment pelo aumento de gastos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os auxiliares de Guedes, a ordem \u00e9 resistir. \u201cN\u00e3o se trata apenas de Marinho, um pol\u00edtico que est\u00e1 botando fogo no parquinho. H\u00e1 uma leva de pessoas de dentro do governo dispostas a derrubar o ministro\u201d, diz um integrante da equipe econ\u00f4mica. Para ele, em vez de o presidente ficar irritado com Guedes, por ele ter falado a verdade e ter exposto a press\u00e3o pelo aumento de gastos, Bolsonaro deveria agradecer ao subordinado. \u201cO pouco de credibilidade que ainda resta na quest\u00e3o fiscal se deve ao ministro. N\u00e3o fosse ele, a farra fiscal j\u00e1 estaria institucionalizada\u201d, complementa, lembrando que h\u00e1 pessoas no Congresso dispostas a ajudar Guedes, inclusive na unifica\u00e7\u00e3o das Propostas de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PECs) do Pacto Federativo e a Emergencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro integrante do time de Guedes afirma que, se o presidente diz que est\u00e1 no limite com o ministro, o chefe da equipe econ\u00f4mica tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 nada satisfeito com os ataques generalizados que vem recebendo. \u201cPor enquanto, ele ainda est\u00e1 disposto a enfrentar o fogo amigo. Mas todos n\u00f3s sabemos que Guedes n\u00e3o tolera muita coisa. N\u00e3o h\u00e1 chance de ele ficar se humilhando por um cargo. Ele quer ajudar, pois acredita nas boas inten\u00e7\u00f5es do presidente. Mas humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 com ele\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 23h41min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo enfrenta hoje uma guerra declarada entre os ministros da Economia, Paulo Guedes, e do Desenvolvimento Regional, Rog\u00e9rio Marinho. 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