{"id":14554,"date":"2020-06-30T10:31:03","date_gmt":"2020-06-30T13:31:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=14554"},"modified":"2020-06-30T10:31:03","modified_gmt":"2020-06-30T13:31:03","slug":"volume-de-operacoes-compromissadas-do-bc-ultrapassa-r-13-tri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/volume-de-operacoes-compromissadas-do-bc-ultrapassa-r-13-tri\/","title":{"rendered":"Volume de opera\u00e7\u00f5es compromissadas do BC ultrapassa R$ 1,3 tri"},"content":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A piora no quadro fiscal est\u00e1 criando dificuldades para o Tesouro Nacional rolar a d\u00edvida p\u00fablica para prazos mais longos. Com isso, as opera\u00e7\u00f5es compromissadas voltaram a ganhar corpo na carteira do Banco Central, deixando o governo cada vez mais pendurado no curto prazo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Depois de somarem R$ 1,288 trilh\u00e3o, em abril, o equivalente a 17,7% do Produto Interno Bruto (PIB), as opera\u00e7\u00f5es compromissadas encerraram maio totalizando R$ 1,309 trilh\u00e3o, ou 18,1% do PIB. Em dezembro de 2019, o volume de opera\u00e7\u00f5es compromissadas somaram R$ 951,5 bilh\u00f5es, o equivalente a 13,1% do PIB. Logo, o crescimento dessa rubrica no ano soma 37,6%.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esse tipo de opera\u00e7\u00e3o envolve t\u00edtulos do Tesouro indexados \u00e0 taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em transa\u00e7\u00f5es com institui\u00e7\u00f5es financeiras, predominantemente, com prazos curt\u00edssimos (conhecido tamb\u00e9m como overnight). O Banco Central vende um t\u00edtulo com o compromisso de recompr\u00e1-lo em um prazo determinado que pode ser de um dia ou de at\u00e9 nove meses.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os dados fazem parte do relat\u00f3rio do resultado fiscal do setor p\u00fablico consolidado, que registrou um rombo nas contas p\u00fablicas de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">R$131,4 bilh\u00f5es em maio, o maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica do BC, iniciada dezembro de 2001. A d\u00edvida p\u00fablica bruta passou de 69,8% do PIB, para 71,8% do PIB, somando R$ 5,198 trilh\u00f5es, devido ao aumento dos gastos p\u00fablicos no combate aos efeitos da pandemia de covid-19.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ontem, quando apresentou o pior resultado prim\u00e1rio do governo central da hist\u00f3ria, o secret\u00e1rio do Tesouro, Mansueto Almeida, reconheceu que os prazos da d\u00edvida p\u00fablica t\u00eam reduzido, mas evitou admitir que o governo est\u00e1 com problemas para a rolagem da d\u00edvida p\u00fablica para prazos acima de seis meses. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ali\u00e1s, a d\u00edvida p\u00fablica bruta n\u00e3o para de subir e, pelas estimativas do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) dever\u00e1 ultrapassar 100% do PIB at\u00e9 o fim do ano. O Fundo prev\u00ea retra\u00e7\u00e3o de 9,1% no PIB brasileiro deste ano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;As compromissadas s\u00e3o uma alternativa para o Tesouro financiar o rombo das contas p\u00fablicas quando ele n\u00e3o consegue fazer emiss\u00f5es de longo prazo a taxas que ele considera adequada. E estamos vendo isso acontecer com mais for\u00e7a desde o in\u00edcio da pandemia, pois o governo est\u00e1 usando outros instrumentos para se financiar, como tamb\u00e9m tem sacado da conta \u00fanica do Tesouro&#8221;, destacou Fabio Klein, especialista em contas p\u00fablicas da Tend\u00eancias Consultoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dessa piora no quadro fiscal do governo federal, Bruno Lavieri, economista da 4E Consultoria, ainda n\u00e3o acha que o risco de insolv\u00eancia \u00e9 elevado no curto prazo. &#8220;Contando os recursos da conta \u00fanica, as compromissadas e outras op\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia existem, mas os pr\u00f3ximos meses n\u00e3o ser\u00e3o f\u00e1ceis&#8221;, avaliou. Para ele e para Klein os maiores riscos do ponto de vista fiscal vir\u00e3o em 2021, quando o teto de gastos corre risco elevado de ser descumprido. &#8220;As despesas transit\u00f3rias podem ser carregadas e a recupera\u00e7\u00e3o lenta da atividade econ\u00f4mica dever\u00e1 afetar a arrecada\u00e7\u00e3o, impedindo, com isso, uma retomada da trajet\u00f3ria de ajuste fiscal&#8221;, comentou Lavieri.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alberto Ramos, diretor para Am\u00e9rica Latina do Goldman Sachs, tamb\u00e9m demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com a deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Ele prev\u00ea um rombo fiscal de, pelo menos, 17% do PIB, &#8221; levando a um aumento acentuado da d\u00edvida p\u00fablica bruta para perto de 95% do PIB&#8221;.\u00a0 Em 2019,\u00a0 esse indicador encerrou o ano em 75,8% do PIB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O alto e crescente n\u00edvel de d\u00edvida p\u00fablica (estoque) e o alto deficit fiscal (fluxo) deixam as contas p\u00fablicas e a economia vulner\u00e1veis \u200b\u200ba choques dom\u00e9sticos e externos adversos, como a pandemia de covid-19 em desenvolvimento. Portanto, abordar a din\u00e2mica insustent\u00e1vel da d\u00edvida p\u00fablica e criar amortecedores fiscais permanece, inquestionavelmente, o principal desafio macro enfrentado tanto pelo Executivo quanto pelo Legislativo, quando a pandemia \u00e9 controlada&#8221;, avaliou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; A piora no quadro fiscal est\u00e1 criando dificuldades para o Tesouro Nacional rolar a d\u00edvida p\u00fablica para prazos mais longos. 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