{"id":14526,"date":"2020-06-29T15:02:01","date_gmt":"2020-06-29T18:02:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=14526"},"modified":"2020-06-29T15:02:01","modified_gmt":"2020-06-29T18:02:01","slug":"fgv-pib-de-2020-ja-estava-fraco-antes-da-chegada-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fgv-pib-de-2020-ja-estava-fraco-antes-da-chegada-da-covid-19\/","title":{"rendered":"FGV: PIB de 2020 j\u00e1 estava fraco antes da chegada da covid-19"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">ROSANA HESSEL<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil j\u00e1 estava fraco antes mesmo da chegada do coronav\u00edrus ao pa\u00eds e a chegada da pandemia de covid-19 ajudou o pa\u00eds entrar em recess\u00e3o logo no primeiro trimestre. Essa \u00e9 uma das constata\u00e7\u00f5es do estudo divulgado nesta segunda-feira (29\/06) pelo Comit\u00ea de Data\u00e7\u00e3o de Ciclos Econ\u00f4micos (Codace), da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com dados do Codace, o pico no ciclo de crescimento da economia brasileira ocorreu no quarto trimestre de 2019, sinalizando que, &#8220;a partir de primeiro trimestre de 2020&#8221;, o pa\u00eds dava sinais entrou em nova recess\u00e3o econ\u00f4mica antes mesmo de o novo coronav\u00edrus chegar ao pa\u00eds, que gerou impactos negativos na atividade a partir da segunda metade de mar\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o PIB brasileiro encolheu 1,5% no primeiro trimestre de 2020.\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">Uma economia entra em recess\u00e3o quando registra dois trimestres consecutivos de queda e as proje\u00e7\u00f5es do mercado para o segundo trimestre n\u00e3o s\u00e3o nada animadoras, apontando tombo de at\u00e9 15%.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O grupo de economistas do Codace, que esteve reunido no \u00faltimo dia 26, identificou a ocorr\u00eancia de um pico no ciclo de neg\u00f3cios brasileiro no quarto trimestre de 2019, informou a nota do \u00f3rg\u00e3o divulgada hoje. \u201cO pico representa o fim de uma expans\u00e3o econ\u00f4mica que durou 12 trimestres \u2014 entre o primeiro trimestre de 2017 e o quarto de 2019 \u2014 e sinaliza a entrada do pa\u00eds em uma recess\u00e3o a partir do primeiro trimestre de 2020\u201d, destacou o documento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos integrantes do Codace, o economista Marco Bonomo, professor do Insper, demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com os dados levantados pelo Comit\u00ea. &#8220;Essa recess\u00e3o \u00e9 muito preocupante. \u00c9 muito profunda. Tem potencial de ser a maior da hist\u00f3ria&#8221;, afirmou Bonomo ao <strong>Blog<\/strong>. Segundo ele, a economia brasileira vinha crescendo muito pouco no primeiro trimestre. &#8220;O choque devido \u00e0 pandemia em meados de mar\u00e7o foi suficiente para a economia registrar recess\u00e3o logo no primeiro trimestre&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Bonomo, a recess\u00e3o n\u00e3o come\u00e7ou em janeiro, mas o PIB vinha apresentando um desempenho fraco nos primeiros meses do ano. &#8220;Se a economia estivesse registrando um crescimento forte, n\u00e3o ia ser o choque na segunda metade de mar\u00e7o (devido \u00e0 covid-19) que iria fazer o PIB cair no primeiro trimestre&#8221;, destacou. Segundo ele, por enquanto,\u00a0 o Comit\u00ea se eximiu de dizer quando no primeiro trimestre come\u00e7ou a recess\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Codace tamb\u00e9m realizou a data\u00e7\u00e3o mensal da recess\u00e3o de 2014 a 2016 ao identificar um pico em mar\u00e7o de 2014 e um vale em dezembro de 2016. \u201cIsso significa que a recess\u00e3o teria durado 33 meses, entre abril de 2014 e dezembro de 2016\u201d destacou o documento.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Essa taxa est\u00e1 acima da m\u00e9dia de 17,7 meses computada nas crises anteriores estudadas pelo Comit\u00ea. Na d\u00e9cada perdida, de 1980, a recess\u00e3o chegou a durar 28 meses, entre o pico de outubro de 1980 at\u00e9 o vale de fevereiro de 1983.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A recess\u00e3o que durou mais tempo foi a \u00faltima, de 2014 a 2016, que durou 33 meses. Mas a mais profunda ser\u00e1 a da covid-19, mas ainda temos apenas os primeiros dados sobre ela. Ainda n\u00e3o d\u00e1 para prever a dura\u00e7\u00e3o porque estamos no meio dessa recess\u00e3o&#8221;, destacou ao <strong>Blog<\/strong>, a economista Marcelle Chauvet, professora da Universidade da Calif\u00f3rnia.\u00a0&#8220;A economia estava se recuperando muito lentamente desde 2017. Alguns setores estavam bem fracos antes da covid-19, outros, em expans\u00e3o&#8221;, adicionou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m de Bonomo e de Chauvet, integram o Codace os economistas Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central e coordenador e diretor da AC Pastore &amp; Associados; Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real e diretor do Iepe-Casa das Gar\u00e7as; Jo\u00e3o Victor Issler professor da Escola Brasileira de Economia e Finan\u00e7as (EPGE) da FGV-RJ; Paulo Picchetti, professor da Escola de Economia de S\u00e3o Paulo (EESP) da FGV-SP, e Pesquisador do Instituto <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Fernando Veloso, professor da EPGE-FGV e pesquisador do Ibre-FGV e Vagner Ardeo, vice-diretor do Ibre-FGV.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veja abaixo o gr\u00e1fico que mostra o tamanho das \u00faltimas recess\u00f5es levantadas pelo Codace e destacadas nos per\u00edodos em cinza:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2020-06-29-at-15.33.49.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-14538\" src=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2020-06-29-at-15.33.49.jpeg\" alt=\"\" width=\"871\" height=\"705\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2020-06-29-at-15.33.49.jpeg 871w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2020-06-29-at-15.33.49-300x243.jpeg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2020-06-29-at-15.33.49-768x622.jpeg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2020-06-29-at-15.33.49-550x445.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2020\/06\/WhatsApp-Image-2020-06-29-at-15.33.49-230x186.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 871px) 100vw, 871px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Discurso equivocado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dados do Codace confirmando que o PIB de 2020 j\u00e1 estava fraco no come\u00e7o do ano contradizem o\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, que sempre fala em suas apresenta\u00e7\u00f5es ao mercado de que a economia brasileira estava \u201cdecolando\u201d neste ano, mas o \u201cavi\u00e3o foi abatido\u201d pela crise provocada pela covid-19.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO ministro tem errado todas as previs\u00f5es que ele tem feito para o mercado e o estudo do Codace, confirma o fato de que Guedes n\u00e3o acerta uma\u201d, destacou o economista Jos\u00e9 Luis Oreiro, professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Ele\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">citou v\u00e1rios equ\u00edvocos da equipe econ\u00f4mica que viraram piada no meio acad\u00eamico e do mercado ao tentarem reinventar a roda da macroeconomia, como tentar separar o PIB p\u00fablico do PIB privado e, recentemente, incluir o deficit fiscal na conta de carga tribut\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vale ressaltar que a pandemia de covid-19, denominada de \u201cgripezinha\u201d pelo presidente Jair Bolsonaro (que ainda insiste em rebater vis\u00f5es cient\u00edficas sobre o tema), est\u00e1 colocando o mundo na maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria e j\u00e1 matou mais de 57 mil brasileiros e mais de 500 mil pessoas no mundo. Especialistas n\u00e3o cansam de alertar para os riscos do afrouxamento precipitado na maioria das cidades do pa\u00eds e as consequ\u00eancias na economia. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Diante do agravamento das consequ\u00eancias da covid-19 pelo mundo, as novas proje\u00e7\u00f5es do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), estima que o PIB global dever\u00e1 encolher 4,9% neste ano, e o tombo do PIB brasileiro ser\u00e1 quase o dobro: 9,1%. Na semana passada, o Banco Central alterou de estabilidade para queda de 6,4% a previs\u00e3o de queda do PIB brasileiro em 2020.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em mar\u00e7o, o professor da UnB previa queda de 10% no PIB. \u201cEssa era o percentual que os economistas da Espanha estavam prevendo para o pa\u00eds europeu e, como aquela economia \u00e9 parecida com a brasileira, porque \u00e9 baseada em servi\u00e7os, n\u00e3o havia como n\u00e3o prever uma queda brusca desse tamanho\u201d, disse Oreiro<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil j\u00e1 estava fraco antes mesmo da chegada do coronav\u00edrus ao pa\u00eds e a chegada da pandemia de covid-19 ajudou o pa\u00eds entrar em recess\u00e3o logo no primeiro trimestre. 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