{"id":1403,"date":"2016-06-12T13:05:43","date_gmt":"2016-06-12T16:05:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1403"},"modified":"2016-06-12T14:30:55","modified_gmt":"2016-06-12T17:30:55","slug":"dicas-para-driblar-alta-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/dicas-para-driblar-alta-alimentos\/","title":{"rendered":"Dicas para driblar a alta dos alimentos"},"content":{"rendered":"<p>POR MARLLA SABINO E HENRICK MENEZES<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A forte alta dos pre\u00e7os dos alimentos est\u00e1 tirando o sono dos consumidores. Com o desemprego em disparada e a renda em queda, acomodar os reajustes no or\u00e7amento apertado se tornou um problema de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o. Para n\u00e3o retirar ainda mais produtos dos carrinhos dos supermercados, o jeito est\u00e1 sendo recorrer a promo\u00e7\u00f5es, substituir produtos e gastar muita sola de sapato em pesquisas. Mas, apesar de todas as estrat\u00e9gias, nem sempre \u00e9 poss\u00edvel driblar a carestia. O prato predileto dos brasileiros, o arroz e o feij\u00e3o, est\u00e1 cada vez mais caro. Somente o pre\u00e7o do feij\u00e3o carioquinha subiu 33,5% neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1 perspectivas de a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos dar tr\u00e9gua \u2014 as proje\u00e7\u00f5es apontam para alta m\u00e9dia de 11% neste ano \u2014, os consumidores ter\u00e3o que mudar os h\u00e1bitos. Professor de finan\u00e7as da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, Haroldo Mota \u00e9 enf\u00e1tico. Para ele, os brasileiros n\u00e3o devem se prender \u00e0s compras mensais, realizadas assim que recebem o sal\u00e1rio. Desse jeito, acabam n\u00e3o se beneficiando de promo\u00e7\u00f5es e n\u00e3o comparam pre\u00e7os. \u201cO ideal \u00e9 adequar as compras \u00e0s necessidades semanais, e sempre aproveitar as melhores oportunidades para economizar\u201d, indica. Ele aconselha que os consumidores visitem mais de um supermercado, comparem o valor dos mesmos produtos e ainda aproveitem os dias de oferta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso cuidado. Mesmo as promo\u00e7\u00f5es podem oferecer armadilhas. \u201c\u00c9 sempre importante ficar de olho nas ofertas ou liquida\u00e7\u00f5es, sobretudo de alimentos. Veja a data de validade, principalmente dos latic\u00ednios. Ao redobrar a aten\u00e7\u00e3o, pode-se prevenir futuros transtornos\u201d, destaca Mota. Outra dica importante: confira o valor dos produtos quando estiver no caixa. S\u00e3o comuns os casos em que h\u00e1 diverg\u00eancia no pre\u00e7o que est\u00e1 na prateleira e o que \u00e9 registrado na nota. \u201cN\u00e3o se enganem com cartazes de ofertas nas g\u00f4ndolas, porque elas podem ter acabado. Por isso, \u00e9 importante acompanhar o registro de todos os produtos no caixa\u201d, aconselha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sair de casa com uma lista contendo itens essenciais tamb\u00e9m pode resultar em boa economia ao fim das compras, pois se evita cair na tenta\u00e7\u00e3o dos sup\u00e9rfluos. Esse controle fica mais f\u00e1cil se os consumidores tiverem em m\u00e3os uma calculadora e n\u00e3o se prender a marcas tradicionais. Na crise, vale mais a criatividade do que o tradicionalismo. Foi o que fez a cabeleireira Maria Jos\u00e9 da Silva, 48 anos. \u201cO feij\u00e3o est\u00e1 valendo ouro. Reduzi a quantidade que queria comprar. Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 dando para levar leite para casa. Vou esperar uma promo\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Panfletos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com isso, nos \u00faltimos meses, os h\u00e1bitos alimentares mudaram na casa de Maria Jos\u00e9. \u201cS\u00f3 estamos comendo o que est\u00e1 sendo vendido com descontos nos supermercados. Carne, nem pensar\u201d, assinala. Na tentativa de aliviar o bolso, ela acompanha todas as ofertas dos supermercados e fica atenta aos panfletos para n\u00e3o perder nenhuma boa oportunidade. \u201cJamais deixo de comparar os pre\u00e7os. Saio de casa sabendo aonde vou e o que preciso comprar\u201d, afirma. Ela ressalta que as frutas, os legumes e as verduras s\u00e3o comprados semanalmente. \u201cA batata est\u00e1 muito cara, ent\u00e3o, tenho optado pela mandioca e pela ab\u00f3bora, que est\u00e3o mais em conta\u201d, receita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da carestia, em maio, o custo da cesta b\u00e1sica aumentou em 17 capitais brasileiras segundo o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). A raz\u00e3o, explica o economista Jos\u00e9 Luiz Amaral Machado, \u00e9 que a oferta de v\u00e1rios produtos diminuiu devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que atrapalham a produ\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos com problemas de estiagem em algumas regi\u00f5es e excesso de chuvas em outras, especialmente na que produzem feij\u00e3o. Isso acaba batendo no bolso dos consumidores\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cabeleireira Cida Fonseca, 54, n\u00e3o entende muito bem esses problemas clim\u00e1ticos, mas reconhece que os alimentos est\u00e3o dando uma sova no or\u00e7amento das fam\u00edlias. Semanalmente, ela lista os produtos que precisa comprar para evitar gastos desnecess\u00e1rios e desperd\u00edcio. \u201c\u00c9 melhor diminuir na quantidade, pois n\u00e3o adianta comprar e esbanjar em casa e acabar indo tudo para lixeira. N\u00e3o h\u00e1 dinheiro para isso. Pode falar para outras coisas importantes\u201d, argumenta. Ela diz que, nos \u00faltimos meses, reduziu a quantidade de produtos no carrinho, pois o sal\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente para pagar todas as contas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de deixar de comprar alguns produtos ou trocar de marcas, Cida se v\u00ea obrigada a arcar com o aumento de alguns itens que, para ela, s\u00e3o insubstitu\u00edveis. Um deles \u00e9 a batata-inglesa, que j\u00e1 teve alta de 50,91% no ano e a cebola, que disparou 31,29%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). \u201cSinto no bolso essa varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. Mas a gente n\u00e3o abre m\u00e3o da salada, e \u00e0s vezes, tem que pagar mais caro para manter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Aten\u00e7\u00e3o com o cart\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem vai ao supermercado deve se preocupar com o que vai comprar e como vai pagar. Roberto Piscitelli, professor de finan\u00e7as da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), sugere aos consumidores definirem um limite para os gastos e n\u00e3o se intimidarem em cortar da lista itens que tiveram alta nos pre\u00e7os. Abrir m\u00e3o de marcas famosas e produtos tradicionais garante que o objetivo seja cumprido. \u201cN\u00e3o se deixe levar pela marca, porque tem mais propaganda. Ouse consumir um produto mais barato, mas n\u00e3o se esque\u00e7a de ter cuidado com a qualidade\u201d, estimula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Piscitelli, os consumidores devem ser seletivos na hora de escolher frutas e verduras. Comprar as op\u00e7\u00f5es da esta\u00e7\u00e3o sempre resulta em economia. \u201cA dica \u00e9 reparar no que est\u00e1 mais f\u00e1cil de achar em todos os lugares, pois, com o aumento da oferta, os pre\u00e7os caem\u201d, afirma. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Ele recomenda ir ao supermercado sempre depois de o consumidor ter feito uma refei\u00e7\u00e3o. Quem vai \u00e0s compras com fome exagera na aquisi\u00e7\u00e3o de mercadorias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para os pais que t\u00eam filhos pequenos, o recomendado \u00e9 que evite lev\u00e1-los ao supermercado. Crian\u00e7as podem gerar tumulto, pois n\u00e3o entendem que o momento da economia \u00e9 ruim e a grana est\u00e1 curta. \u201cO ideal \u00e9 que as compras sejam feitas individualmente ou com algu\u00e9m que possa ajudar a controlar os gastos\u201d, argumenta o professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Cr\u00e9dito<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Haroldo Mota, professor de finan\u00e7as da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, os consumidores tamb\u00e9m devem ficar atentos ao uso de cart\u00e3o de cr\u00e9dito nas compras do supermercado. A facilidade de uso pode trazer dor de cabe\u00e7a futura se os gastos n\u00e3o forem planejados. Se for a \u00fanica op\u00e7\u00e3o de pagamento, evite parcelar o valor para n\u00e3o criar uma d\u00edvida impag\u00e1vel. \u201cO ideal \u00e9 que as compras em supermercado sejam pagas em esp\u00e9cie.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A operadora de caixa Daise Lopes Leite, 36 anos, faz compras mensais para tentar evitar ir ao mercado e cair na tenta\u00e7\u00e3o de levar para casa produtos sup\u00e9rfluos. Por m\u00eas, ela gasta R$ 400 com os itens b\u00e1sicos, sem incluir verduras, frutas e carne. \u201cEu n\u00e3o comprava salsicha para meus filhos comerem. Hoje, est\u00e1 na minha mesa\u201d, relata. Ela cortou da lista de compras doces e guloseimas e trocou a marca dos produtos de limpeza. \u201cN\u00e3o tem outro jeito, temos que abrir m\u00e3o\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A dona de casa Liana Lima Silva Melo, 35, tem quatro filhos pequenos, mas, na hora de ir \u00e0s compras, apenas ela e o marido o fazem. \u201cSe as crian\u00e7as nos acompanham, acabamos comprando muitas besteiras\u201d, diz. Nos \u00faltimos meses, os gastos dela com supermercado passaram de R$ 700 para R$ 1.300 \u2014 alta de 85,7%. \u201cFrutas e verduras, s\u00f3 feiras\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 13h05min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR MARLLA SABINO E HENRICK MENEZES &nbsp; A forte alta dos pre\u00e7os dos alimentos est\u00e1 tirando o sono dos consumidores. Com o desemprego em disparada e a renda em queda, acomodar os reajustes no or\u00e7amento apertado se tornou um problema de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o. 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