{"id":1401,"date":"2016-06-12T10:05:53","date_gmt":"2016-06-12T13:05:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1401"},"modified":"2016-06-13T11:25:32","modified_gmt":"2016-06-13T14:25:32","slug":"emprego-movido-vento-e-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/emprego-movido-vento-e-sol\/","title":{"rendered":"Emprego movido a vento e sol"},"content":{"rendered":"<p>POR SIMONE KAFRUNI<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bons ventos sopram na ind\u00fastria energ\u00e9tica brasileira e tudo indica que, mais do que apenas luz no fim do t\u00fanel, h\u00e1 for\u00e7a suficiente para impulsionar a retomada do crescimento do pa\u00eds. A gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica alternativa nem parece estar em um pa\u00eds com 11,4 milh\u00f5es de desempregados e mergulhado na pior recess\u00e3o da hist\u00f3ria. Os segmentos e\u00f3lico e solar crescem a taxas de dois d\u00edgitos por ano e, com o potencial de expans\u00e3o de pequenas centrais hidrel\u00e9tricas (PCHs), devem criar 828 mil empregos at\u00e9 2020, com investimentos bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o melhor fator de produtividade do planeta no aproveitamento dos ventos, o Brasil teve o maior crescimento global em gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica em 2015. E, apesar de ser razoavelmente jovem, impulsionado a partir de 2009, o setor colocou o pa\u00eds na 10\u00aa coloca\u00e7\u00e3o em um ranking mundial de capacidade instalada, caminhando a passos largos para a nona posi\u00e7\u00e3o. Dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica (Abee\u00f3lica) mostram que, em 2015, o salto foi de 46,1%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 3,8%. Foram R$ 20 bilh\u00f5es em investimentos e 41 mil empregos gerados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Presidente da Abee\u00f3lica, Elbia Silva Gannoum explica que, desde que o aparato regulat\u00f3rio incluiu a gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica nos leil\u00f5es de energia, em 2009, a fonte se tornou a segunda mais competitiva, perdendo apenas para a hidrel\u00e9trica, na matriz energ\u00e9tica brasileira. \u201cAssumimos essa posi\u00e7\u00e3o por dois motivos: progresso tecnol\u00f3gico e condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O fator de produtividade mundial \u00e9 de 28% a 30%. No Brasil, est\u00e1 entre 50% e 65%\u201d, compara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dos leil\u00f5es de energia realizados nos \u00faltimos sete anos, o setor foi respons\u00e1vel por mais de 50% das contrata\u00e7\u00f5es, atr\u00e1s apenas das grandes hidrel\u00e9tricas. Em 2015, dos 7 gigawatts de energia nova (GW), 39% foram de e\u00f3lica. \u201cConseguimos implantar uma cadeia produtiva na ind\u00fastria. Hoje, os projetos t\u00eam de 70% a 80% de nacionaliza\u00e7\u00e3o. Trouxemos f\u00e1bricas para c\u00e1. A cada aerogerador, s\u00e3o mil fornecedores\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Gargalos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com investimentos em torno de R$ 20 bilh\u00f5es por ano, inserindo no sistema interligado nacional 2 GW de energia por ano, o setor e\u00f3lico j\u00e1 tem contratados quase 18,5 mil megawatts (MW) de pot\u00eancia at\u00e9 2019. Como para cada 1 MW s\u00e3o criados 15 empregos, ser\u00e3o mais 277 mil postos de trabalho at\u00e9 l\u00e1, al\u00e9m dos 41 mil abertos no ano passado, e, pelo menos, R$ 80 bilh\u00f5es em investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Marco Afonso, diretor da CGI, consultoria em infraestrutura, dos tr\u00eas segmentos de gera\u00e7\u00e3o alternativa de energia, o de e\u00f3lica \u00e9 o mais bem estruturado. \u201cA cadeia de produtos est\u00e1 instalada no Brasil. Algumas empresas, inclusive, j\u00e1 exportam. Outras ainda t\u00eam interesse de vir para c\u00e1. Mas o pa\u00eds precisa resolver gargalos que atrapalham o setor\u201d, alerta. O principal deles \u00e9 o descasamento das obras de gera\u00e7\u00e3o com as de transmiss\u00e3o. \u201cNa hora de produzir, faltam linhas de transmiss\u00e3o, que enfrentam entraves no licenciamento ambiental\u201d, pondera. Outro problema \u00e9 o cr\u00e9dito restrito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um exemplo de como os parques e\u00f3licos se multiplicam no pa\u00eds \u00e9 a inaugura\u00e7\u00e3o, em 29 de junho, de mais um deles, na Serra do Mel, no Rio Grande do Norte. O Complexo E\u00f3lico Vamcruz, da empresa Voltalia, em parceria com Chesf e Encalso, produzir\u00e1, aproximadamente, 450 gigawatts por hora (GWh) ao ano, energia suficiente para abastecer mais de 200 mil fam\u00edlias. O parque criou 485 empregos durante as obras, al\u00e9m de 30 diretos para opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Meio ambiente<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diretor-geral da Voltalia Energia do Brasil, Robert Klein, explica que o setor e\u00f3lico foi pouco atingido pela crise. Mas houve dificuldades burocr\u00e1ticas. \u201cA demora na obten\u00e7\u00e3o de financiamentos e o aumento do custo foram complicadores. Al\u00e9m disso, devido \u00e0s turbul\u00eancias pol\u00edticas, algumas licen\u00e7as e autoriza\u00e7\u00f5es demoraram a sair mais do que de costume\u201d, lamenta. Por\u00e9m, o executivo ressalta que Vamcruz \u00e9 o terceiro complexo constru\u00eddo pela empresa e a credibilidade e a experi\u00eancia no mercado ajudaram a superar os entraves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A empresa est\u00e1 construindo outros parques. O pr\u00f3ximo complexo a entrar em opera\u00e7\u00e3o ainda neste ano na Serra Par\u00e1 ter\u00e1 99 MW de capacidade instalada. Na sequ\u00eancia, ser\u00e1 constru\u00eddo o Parque Vila Acre I, com 27 MW, tamb\u00e9m em Serra do Mel, como resultado do \u00faltimo leil\u00e3o que a Voltalia participou, em novembro de 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Sivieri Arbex, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Fomento \u00e0s PCHs (ABRAPCH) conta que h\u00e1, hoje, 17 Pequenas Centrais Hidrel\u00e9tricas (PCHs) outorgadas e 159 aptas \u00e0 outorga aguardando licen\u00e7a ambiental. \u201cSomadas, as 176 PCHs devem agregar ao sistema uma pot\u00eancia instalada de 2.064 MW, com investimentos previstos de R$ 16,5 bilh\u00f5es e 400 mil empregos diretos e indiretos\u201d, afirma. As CGHs (usinas de at\u00e9 3 MW), tamb\u00e9m t\u00eam um potencial enorme. \u201cS\u00e3o mais de 80 usinas a construir, com pot\u00eancia instalada superior a 160MW, investimentos de R$ 1,4 bilh\u00e3o e mais de 50 mil vagas\u201d, estima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os problemas do setor, no entanto, s\u00e3o maiores. \u201cH\u00e1 dificuldades nos processos de aprova\u00e7\u00e3o ambiental e em firmar um contrato de venda de longo prazo que viabilize a obten\u00e7\u00e3o de financiamento para a constru\u00e7\u00e3o de suas usinas\u201d, explica Arbex. Ele acrescenta que as fontes h\u00eddricas t\u00eam o menor custo m\u00e9dio de longo prazo do Brasil, menos de R$ 100 o MWh.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Peso da Lava-Jato<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marco Afonso, da consultoria em infraestrutura CGI, alerta que as Pequenas Centrais Hidrel\u00e9tricas (PCHs) t\u00eam entraves ambientais porque precisam fazer represamento de rios. \u201cElas exigem investimentos altos. E, hoje, as grandes empresas que seriam potenciais construtoras est\u00e3o envolvidas em Lava-Jato. Tanto que est\u00e3o colocando suas participa\u00e7\u00f5es em hidrel\u00e9tricas \u00e0 venda. Al\u00e9m disso, o custo da energia n\u00e3o \u00e9 atraente para o investidor\u201d, justifica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Potencial grande de crescimento<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segmento de energia solar, por meio de pain\u00e9is fotovoltaicos, ainda n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o desenvolvido quanto o e\u00f3lico, mas tem potencial de crescimento gigantesco. Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia explica que o segmento \u00e9 uma forma complementar de gera\u00e7\u00e3o de energia, que, no passado, se limitava a locais sem acesso ao sistema nacional, como ilhas, comunidades ribeirinhas, Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir de 2012, com a resolu\u00e7\u00e3o normativa 482, da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel), que permitiu a qualquer consumidor final instalar um sistema e gerar para consumo pr\u00f3prio, o excedente deixou de ser perdido e passou a ser injetado na rede, multiplicando o potencial de crescimento do setor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO cliente passou a ter um cr\u00e9dito de energia, que pode ser usado para abater no futuro. Acabou o desperd\u00edcio e trouxe benef\u00edcio econ\u00f4mico para quem investe no sistema\u201d, diz Sauaia. O mercado de micro (pot\u00eancia at\u00e9 75 quilowatts) e minigera\u00e7\u00e3o (at\u00e9 5 mil quilowatts) aumentou exponencialmente. \u201cOs sistemas podem ser usados para reduzir em at\u00e9 80% e 90% os gastos com energia el\u00e9trica. Aproveitando a energia solar, no telhado, na fachada, no estacionamento\u201d, pontua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele conta que, em 2012, eram apenas tr\u00eas sistemas. No ano seguinte, 75. Em 2014, 425. O ano passado fechou com 1.751. \u201cIsso significa que, em 2015, no momento em que o PIB do Brasil encolhia mais de 3%, o setor crescia 313%\u201d, diz Sauaia. A expectativa da Aneel \u00e9 de que o mercado avance 800% em 2016, chegando a 10 mil sistemas. \u201cHouve a inser\u00e7\u00e3o de um novo mercado. A energia solar fotovoltaica j\u00e1 teve leil\u00f5es. O setor tem 3,3 mil megawatts (MW) contratados em 99 projetos de usinas, com investimentos de \u00a0R$ 12,5 bilh\u00f5es\u201d, explica. Cada MW gera entre 25 e 30 empregos. \u201cNossa previs\u00e3o \u00e9 a abertura de 60 mil postos de trabalho at\u00e9 2020, que v\u00e3o ajudar a dinamizar a economia\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Demanda<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os projetos leiloados entrar\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o em 2017 e 2018. A maior parcela est\u00e1 na regi\u00e3o Nordeste, devido \u00e0 grande incid\u00eancia solar. Na Bahia, mais de 200 MW em constru\u00e7\u00e3o ser\u00e3o entregues no ano que vem. Em Pernambuco, j\u00e1 est\u00e3o operando 10 MW dos 92 MW contratados. O presidente da Absolar alerta, contudo, que o governo precisa manter o sinal de investimento com leil\u00f5es anuais de energia solar. Este ano, est\u00e3o previstos dois \u2014 um em julho, outro em outubro, mas, para 2017, ainda n\u00e3o existem sinaliza\u00e7\u00f5es. \u201cPor enquanto, a energia solar contribui pouco na matriz. Mas, at\u00e9 2024, se o planejamento da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) for mantido, a expectativa \u00e9 representar 4%, crescimento de 200 vezes em 10 anos\u201d, calcula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dono de uma empresa que instala sistemas fotovoltaicos, M\u00e1rcio Ant\u00f4nio Simas, diretor da AMX Bras\u00edlia, explica que a microgera\u00e7\u00e3o aumentou a necessidade de m\u00e3o de obra de instaladores el\u00e9tricos. \u201cEst\u00e3o sendo criadas microempresas, chamadas integradoras, que fazem o papel de prospectar clientes. Por meio de parcerias com fabricantes ou empresas de maior porte, esses integradores podem apenas indicar o neg\u00f3cio ou fazer todo o processo, gerando at\u00e9 20 empregos diretos e 50 indiretos para uma demanda\u201d, aponta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 10h05min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR SIMONE KAFRUNI &nbsp; Bons ventos sopram na ind\u00fastria energ\u00e9tica brasileira e tudo indica que, mais do que apenas luz no fim do t\u00fanel, h\u00e1 for\u00e7a suficiente para impulsionar a retomada do crescimento do pa\u00eds. A gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica alternativa nem parece estar em um pa\u00eds com 11,4 milh\u00f5es de desempregados e mergulhado na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[244,36,240,243,242,241,245],"class_list":["post-1401","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-abeeolica","tag-energia","tag-eolicas","tag-fotovoltaica","tag-sol","tag-vento","tag-voltalia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1401"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1402,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1401\/revisions\/1402"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}