{"id":13891,"date":"2020-04-20T12:45:28","date_gmt":"2020-04-20T15:45:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=13891"},"modified":"2020-04-20T12:49:54","modified_gmt":"2020-04-20T15:49:54","slug":"estrangeiro-desconfiado-com-brasil-ja-retirou-r-655-bilhoes-da-b3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/estrangeiro-desconfiado-com-brasil-ja-retirou-r-655-bilhoes-da-b3\/","title":{"rendered":"Estrangeiro desconfiado com Brasil j\u00e1 retirou R$ 65,5 bilh\u00f5es da B3"},"content":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (B3), que atraiu um ex\u00e9rcito de investidores pessoa f\u00edsica em 2019 devido \u00e0 queda na rentabilidade de aplica\u00e7\u00f5es conservadoras, vem assistindo a uma debandada de capital estrangeiro como nunca antes vista. Em meio ao aumento das incertezas no mercado em fun\u00e7\u00e3o da pandemia da Covid-19, provocada pelo novo coronav\u00edrus, e ao aumento da desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao governo, aplicadores n\u00e3o-residentes est\u00e3o batendo em retirada da B3 neste ano em volume mais acelerado do que no ano passado, que foi recorde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sa\u00edda l\u00edquida de estrangeiros da Bolsa foi de R$ 65,5 bilh\u00f5es no acumulado do ano at\u00e9 o \u00faltimo dia 16, conforme dados da B3 entre as compras e vendas de a\u00e7\u00f5es no mercado secund\u00e1rio. Esse montante superou em 46,9% o recorde hist\u00f3rico para um ano registrado em 2019, quando a debandada de investidores n\u00e3o residentes somou R$ 44,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E tudo indica que essa sa\u00edda continuar\u00e1 aumentando uma vez que o sobe e desce do \u00cdndice Bovespa, principal indicador da B3, deve continuar inst\u00e1vel, podendo encerrar o ano no vermelho pela primeira vez desde 2015. Em valor de mercado, a Bolsa perdeu quase R$ 1,4 trilh\u00e3o no acumulado do ano, pelas estimativas da Econom\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ciclo de cortes na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) iniciado pelo Banco Central em julho do ano passado deixou as aplica\u00e7\u00f5es conservadoras, como poupan\u00e7a e fundos de renda fixa, menos atraentes e fizeram a B3 mais atraente para o pequeno aplicador. Em mar\u00e7o, o n\u00famero de investidores pessoa f\u00edsica bateu recorde de 2,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualmente, a Selic est\u00e1 em 3,75% e as expectativas do mercado s\u00e3o de que os juros devem continuar caindo uma vez que a infla\u00e7\u00e3o tem se comportado bem abaixo da meta, de 4%. No acumulado em 12 meses at\u00e9 abril, a infla\u00e7\u00e3o oficial, medida pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 3,3%, e as apostas s\u00e3o de novos cortes na Selic neste ano devido \u00e0 atividade fraca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelas estimativas do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil dever\u00e1 encolher 5,3% em 2020. Essa previs\u00e3o \u00e9 mais pessimista do que a nova mediana das estimativas do mercado, contabilizadas pelo Banco Central, de queda de 2,96%. Na semana passada, a previs\u00e3o era de um recuo de 1,96%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economista Alessandra Ribeiro, s\u00f3cia da Tend\u00eancias Consultoria, que prev\u00ea queda de at\u00e9 4,1% no PIB brasileiro neste ano, ressalta que o risco no Brasil vem aumentando diante do agravamento da crise provocada pelo novo coronav\u00edrus e, como consequ\u00eancia do aumento dos gastos do governo para conter os efeitos da pandemia na economia, a tend\u00eancia de piora nas contas p\u00fablicas tamb\u00e9m deve afastar investidores do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Alessandra, h\u00e1 uma avers\u00e3o maior ao risco pa\u00eds que est\u00e1 crescendo e, nessa conta, os analistas j\u00e1 est\u00e3o incluindo a piora no cen\u00e1rio pol\u00edtico, porque o presidente Jair Bolsonaro continua na contram\u00e3o dos demais governantes ao minimizar a doen\u00e7a e insistir no afrouxamento do confinamento antes mesmo de a curva dos cont\u00e1gios atingir o pico. Com o aumento das tens\u00f5es com o Congresso, o presidente poder\u00e1 ter dificuldades para encaminhar as reformas estruturais para ajustar as contas piorar que devem piorar devido \u00e0 necessidade de aumento de gastos para combater a Covid-19, quando a pandemia for controlada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO mercado est\u00e1 bastante vol\u00e1til porque os analistas est\u00e3o come\u00e7ando a incluir na conta o risco pol\u00edtico, apesar de muitos n\u00e3o admitirem. E a piora do cen\u00e1rio fiscal dever\u00e1 vir com novos rebaixamentos da classifica\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos do governo\u201d, alerta. \u201cA conta vai ser bem grande e nosso ponto de partida \u00e9 o fiscal melhorando muito devagar, podendo comprometer a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nos pr\u00f3ximos anos por conta da pandemia\u201d, destacou ela, que estima a d\u00edvida p\u00fablica bruta indo para 87% do PIB neste ano. J\u00e1 o FMI, que tem uma metodologia diferente para o c\u00e1lculo, prev\u00ea que a d\u00edvida p\u00fablica bruta do Brasil suba para 98,2% do PIB, o que \u00e9 preocupante se o governo n\u00e3o tomar medidas para conter o aumento de gastos a partir do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO governo n\u00e3o poder\u00e1 gastar desordenadamente, mas o risco de isso acontecer \u00e9 grande. E o cen\u00e1rio que estamos vendo \u00e9 o Brasil, que n\u00e3o tinha conseguido se recuperar da recess\u00e3o de 2015 e 2016 e dever\u00e1 continuar registrando uma retomada mais lenta do que os demais pa\u00edses\u201d, destaca.\u00a0 Para Alessandra, os riscos dom\u00e9sticos continuam elevados e, por conta disso, o Banco Central tem demonstrado resist\u00eancia para cortar mais a Selic como o mercado est\u00e1 pedindo. \u201cH\u00e1 um componente forte de risco dom\u00e9stico, inclusive pol\u00edtico, que est\u00e1 sendo contabilizado e, por conta disso, acho que dificilmente a Selic ir\u00e1 para 2%, como algumas casas j\u00e1 est\u00e3o prevendo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao comentar a recente mudan\u00e7a na perspectiva da Standard &amp; Poor\u2019s de \u201cpositiva\u201d para \u201cest\u00e1vel\u201d para os t\u00edtulos soberanos do Brasil, a economista considera a sinaliza\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica do sentimento de preocupa\u00e7\u00e3o com a retomada lenta do pa\u00eds e do aumento dos riscos de que as mudan\u00e7as estruturais nos gastos complementares \u00e0 reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o terem avan\u00e7ado e, agora, terem ficado para o pr\u00f3ximo ano. \u201cA recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais gradual e, por conta disso, o risco de rebaixado \u00e9 grande, porque o ambiente pol\u00edtico tende a piorar e pode gerar um risco importante no radar\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A atual nota de classifica\u00e7\u00e3o de risco do pa\u00eds est\u00e1 em BB-, tr\u00eas degraus abaixo do grau de investimento para os t\u00edtulos soberanos de longo prazo em moeda estrangeira. Esse \u00e9 o selo de bom pagador para as d\u00edvidas soberanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos term\u00f4metros de risco dos pap\u00e9is do governo brasileiro, o CDS (Credit Default Swap), estava em 285,9 pontos na manh\u00e3 desta segunda-feira, registrando alta de 211,3% sobre os 91,8 pontos de 20 de fevereiro, conforme dados do site World Government Bonds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fluxo negativo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fluxo cambial tamb\u00e9m comprova esse movimento de retirada de investidores desconfiados em 2020. A sa\u00edda l\u00edquida de recursos do pa\u00eds somou US$ 13,3 bilh\u00f5es do pa\u00eds no acumulado de janeiro at\u00e9 9 de abril, conforme dados do Banco Central. Nesse mesmo per\u00edodo do ano passado, o saldo estava positivo em R$ 2,5 bilh\u00f5es. Apenas o fluxo de retirada da conta financeira ficou negativo em R$ 29,2 bilh\u00f5es, comprovando a sa\u00edda dos investidores estrangeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9tore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, lembra que a sa\u00edda de investidores estrangeiros da B3 est\u00e1 mais relacionada com o contexto externo do que o dom\u00e9stico, devido ao aumento dos riscos nos mercados emergentes diante desse cen\u00e1rio de pandemia global. Ele destaca que h\u00e1 um fluxo de migra\u00e7\u00e3o do capital para mercados considerados mais seguros e que vinha se intensificando desde o ano passado com o aumento das tens\u00f5es comerciais entre China e Estados Unidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEsse movimento \u00e9 normal em per\u00edodos de instabilidade e, por conta disso, as moedas dos pa\u00edses emergentes est\u00e3o derretendo de forma generalizada\u201d, afirma Sanchez. \u201cO Brasil n\u00e3o est\u00e1 sozinho nesse cen\u00e1rio de fuga dos pa\u00edses de risco elevado\u201d, complementa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o da Bolsa, o d\u00f3lar continua valorizado frente \u00e0s moedas dos pa\u00edses emergentes devido a esse cen\u00e1rio externo mais inst\u00e1vel. Para Sanchez, a divisa norte-americana dever\u00e1 continuar forte e se estabilizar acima de R$ 5 daqui para frente. \u201cEssa \u00e9 a nova realidade, mas a moeda poder\u00e1 encerrar por volta de R$ 4,70 se a pandemia for dissipada dentro de tr\u00eas meses\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, acredita que o mercado de a\u00e7\u00f5es vai sobreviver a mais essa crise e, apesar da alta volatilidade no momento. Ele recomenda que \u00e9 preciso encarar a Bolsa como uma forma de investimento mais de longo prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA Bolsa \u00e9 uma das formas mais baratas de as empresas se capitalizarem, conforme e a expectativa de retorno. Quando os juros muito altos, como no passado, o capital acaba empo\u00e7ado em t\u00edtulo p\u00fablico. Agora, com a Selic no menor patamar da hist\u00f3ria, a Bolsa come\u00e7ou a ter mais visibilidade. As pessoas est\u00e3o aprendendo que, para ter maior retorno, \u00e9 preciso correr mais riscos. Faz parte do jogo\u201d, afirma Agostini.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Semana conturbada<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O IBovespa abriu em queda nesta segunda-feira (20\/04), chegando \u00e0 m\u00ednima de 76.942 pontos, em meio \u00e0 forte queda nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo que tem derrubado as bolsas internacionais devido \u00e0 falta de demanda que n\u00e3o esvazia os estoques abarrotados do produto. Por volta das 12h30, a B3 estava em 77.985 pontos, registrando recuo de 1,27%. J\u00e1 o d\u00f3lar disparou novamente e encostou em R$ 5,30 diante do agravamento da crise pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 a \u00faltima sexta-feira, a B3 acumulava desvaloriza\u00e7\u00e3o de 31,7% no ano em meio ao aumento das incertezas da retomada da economia diante da pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da forte queda na Bolsa no ano, a participa\u00e7\u00e3o o aplicador pessoal f\u00edsica ficou em 17,5% em abril, conforme dados da B3. Esse dado \u00e9 levemente acima dos 16,2% em mar\u00e7o, conforme os dados da B3 at\u00e9 o dia 16, que possuem defasagem de dois dias. J\u00e1 a fatia dos estrangeiros diminuiu entre abril e mar\u00e7o, passando de 48,4% para 45,3% do total de investidores. Enquanto isso, os investidores institucionais ocuparam esse espa\u00e7o e passaram de 31,1% para 32,9% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; A Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (B3), que atraiu um ex\u00e9rcito de investidores pessoa f\u00edsica em 2019 devido \u00e0 queda na rentabilidade de aplica\u00e7\u00f5es conservadoras, vem assistindo a uma debandada de capital estrangeiro como nunca antes vista. Em meio ao aumento das incertezas no mercado em fun\u00e7\u00e3o da pandemia da Covid-19, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[2740,2393,2554,4505,3593,4510,2803],"class_list":["post-13891","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-b3","tag-bolsa","tag-bolsonaro","tag-covid-19","tag-estrangeiros","tag-pandemia","tag-risco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13891"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13897,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13891\/revisions\/13897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}