{"id":1357,"date":"2016-06-09T07:01:09","date_gmt":"2016-06-09T10:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1357"},"modified":"2016-06-09T08:07:36","modified_gmt":"2016-06-09T11:07:36","slug":"1357-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/1357-2\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Tempos muito estranhos"},"content":{"rendered":"<p>O presidente interino, Michel Temer, n\u00e3o escondeu a frustra\u00e7\u00e3o com a sua imensa rejei\u00e7\u00e3o junto do eleitorado, mostrada pela primeira pesquisa liberada desde que ele tomou posse, mas, para os agentes econ\u00f4micos, o que menos o peemedebista deve se preocupar neste momento \u00e9 com popularidade. O que importa, na vis\u00e3o de empres\u00e1rios e investidores, \u00e9 a for\u00e7a do governo no Congresso. Temer tem que mostrar poder para aprovar medidas que possam tirar o pa\u00eds da recess\u00e3o. Qualquer coisa fora disso \u00e9 bobagem, dizem os donos do dinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi justamente por aderir ao populismo para aparecer bem nas pesquisas que Dilma Rousseff est\u00e1 prestes a perder, definitivamente, o mandato. Ela n\u00e3o poupou nos malabarismos para criar um pa\u00eds de fic\u00e7\u00e3o, no qual prevaleceram pedaladas fiscais e interven\u00e7\u00f5es em pre\u00e7os importantes como os da energia el\u00e9trica e da gasolina. Por um bom tempo, conseguiu enganar a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Mas t\u00e3o logo a realidade foi se impondo, os \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o despencaram. A petista saiu do Pal\u00e1cio do Planalto como a presidente mais impopular da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer chegou justamente ao poder pelo apoio que construiu no Congresso. E \u00e9 preciso que mantenha essa for\u00e7a para aprovar medidas que n\u00e3o t\u00eam qualquer apelo popular \u2014 muito pelo contr\u00e1rio. A aprova\u00e7\u00e3o, ontem, em segundo turno na C\u00e2mara dos Deputados do aumento da desvincula\u00e7\u00e3o de receitas da Uni\u00e3o (DRU), de 20% para 30%, foi uma sinaliza\u00e7\u00e3o importante, mas \u00e9 certo que essa batalha \u00e9 a menor de todas a serem enfrentadas pelo presidente interino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que imp\u00f5e um teto para o aumento de gastos p\u00fablicos dar\u00e1 a real dimens\u00e3o da solidez da base parlamentar que Temer acredita ter constru\u00eddo no Legislativo. A PEC mexer\u00e1 com muitos interesses, inclusive com o de servidores p\u00fablicos, que est\u00e3o no centro de uma pol\u00eamica devido ao reajuste que deve ser votado pelo Senado e custar\u00e1 quase R$ 100 bilh\u00f5es aos cofres do Tesouro Nacional at\u00e9 2019. Se prevalecer o que foi, tardiamente, prometido pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o funcionalismo n\u00e3o ter\u00e1 mais ganho real nos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Porteira dos gastos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo Temer completar\u00e1 um m\u00eas no pr\u00f3ximo domingo ainda sem nada de palp\u00e1vel para entregar. A perspectiva \u00e9 de que nada avance muito r\u00e1pido at\u00e9 agosto, quando o Senado deve decidir sobre o impeachment de Dilma. O peemedebista precisa ter a certeza do mandato definitivo para comprar brigas. Esse, pelo menos, \u00e9 o discurso de seus auxiliares mais pr\u00f3ximos. A reforma da Previd\u00eancia, por exemplo, s\u00f3 deve chegar ao Congresso depois das elei\u00e7\u00f5es municipais, em outubro. A proposta de reforma trabalhista ficar\u00e1 para mais tarde ainda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes, o peemedebista precisa desfazer entre os parlamentares e os agentes econ\u00f4micos a percep\u00e7\u00e3o de que o governo abriu a porteira dos gastos. O apoio expl\u00edcito do Planalto ao reajuste dos servidores e \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o em mais de R$ 38 bilh\u00f5es dos gastos ao longo deste ano deu a impress\u00e3o de o que discurso fiscalista pode se tornar propaganda enganosa. Sem um processo forte de convencimento, Temer deve enfrentar muita resist\u00eancia \u00e0 PEC do limite de gastos. \u201cEstamos vendo um discurso muito diferente da realidade\u201d, diz um senador da base aliada. \u201cEst\u00e1 tudo muito estranho\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Est\u00e1 t\u00e3o estranho que, anteontem, depois de sair de um encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que ambos n\u00e3o haviam tratado sobre reajustes de sal\u00e1rios. N\u00e3o s\u00f3 trataram como fizeram um acordo. Em vez de os ministros do STF terem aumento de sal\u00e1rio, o que elevaria o teto do funcionalismo para R$ 39.293 por m\u00eas e provocaria um efeito cascata desastroso nas contas de estados, eles receberiam a diferen\u00e7a de R$ 5.530 por meio de gratifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que esse acerto, sancionado pelo Planalto, provocar\u00e1 fortes rea\u00e7\u00f5es, pois uma camada grande de servidores \u2014 ju\u00edzes e procuradores, por exemplo \u2014 deixar\u00e1 de ter os vencimentos aumentados. A insatisfa\u00e7\u00e3o j\u00e1 era grande ontem, antes de a gratifica\u00e7\u00e3o ser revelada pelo Correio. Hoje, procuradores e ju\u00edzes devem se encontrar com um grupo de senadores justamente para tratar do futuro de seus sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Indicadores ruins<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para os investidores, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que o humor entre os agentes econ\u00f4micos n\u00e3o seja dos melhores. Esperava-se que, com a mudan\u00e7a no comando do governo, um \u00e2nimo novo tomasse conta do pa\u00eds, mas o que estamos vendo at\u00e9 agora \u00e9 decep\u00e7\u00e3o. Na pol\u00edtica, h\u00e1 o risco de a Rep\u00fablica implodir, com as principais lideran\u00e7as sendo tragadas pela Lava-Jato. Na economia, em que se esperava um pequeno al\u00edvio, os indicadores continuam muito ruins.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o, que o Banco Central de Alexandre Tombini dizia estar em queda, voltou a subir \u2014 e forte. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 0,78%, a maior taxa para o m\u00eas desde 2008. Os especialistas garantem que, pelo segundo ano seguido, o custo de vida vai estourar o teto da meta, de 6,5%. Isso deixa o BC, que, nos pr\u00f3ximos dias, ser\u00e1 comandado por Ilan Goldfajn, de m\u00e3os atadas para reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 14,25% ao ano. A incapacidade em dar um al\u00edvio no custo do dinheiro foi ratificada ontem pelo Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer imaginava que, com nomes fortes e respeitados no comando da economia, provocaria mudan\u00e7a no humor dos agentes produtivos e de investidores. De in\u00edcio, at\u00e9 se ensaiou uma melhora na confian\u00e7a. Mas a dificuldade do governo de levar adiante medidas importantes para ajustar as contas p\u00fablicas contaminou negativamente os \u00e2nimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meirelles est\u00e1 tentando, at\u00e9 agora, animar a plateia no gog\u00f3. Mas \u00e9 pouco. A expectativa que a posse dele criou est\u00e1 lentamente se transformando em preocupa\u00e7\u00e3o. Muitos j\u00e1 falam na possibilidade de o ministro se transformar em um novo Joaquim Levy, que chegou \u00e0 Fazenda todo poderoso, prometendo mundos e fundos, mas n\u00e3o entregou nada e acabou saindo pelas portas dos fundos. Pelo visto, tempos muitos dif\u00edceis ainda v\u00e3o nos atormentar por um longo per\u00edodo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 07h01min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente interino, Michel Temer, n\u00e3o escondeu a frustra\u00e7\u00e3o com a sua imensa rejei\u00e7\u00e3o junto do eleitorado, mostrada pela primeira pesquisa liberada desde que ele tomou posse, mas, para os agentes econ\u00f4micos, o que menos o peemedebista deve se preocupar neste momento \u00e9 com popularidade. 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