{"id":12890,"date":"2020-02-05T19:18:36","date_gmt":"2020-02-05T22:18:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=12890"},"modified":"2020-02-05T20:33:06","modified_gmt":"2020-02-05T23:33:06","slug":"servidores-devem-r-2222-bilhoes-no-credito-consignado-um-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/servidores-devem-r-2222-bilhoes-no-credito-consignado-um-recorde\/","title":{"rendered":"Servidores devem R$ 222,2 bilh\u00f5es no cr\u00e9dito consignado, um recorde"},"content":{"rendered":"<h2>Os servidores p\u00fablicos n\u00e3o economizaram na hora de fazer d\u00edvidas ao longo de 2019. Dados do Banco Central mostram que as d\u00edvidas do funcionalismo atingiram R$ 222,2 bilh\u00f5es somente no cr\u00e9dito consignado, cujas presta\u00e7\u00f5es s\u00e3o descontadas no contracheque. Um recorde.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As d\u00edvidas dos servidores no consignado aumentaram R$ 33,6 bilh\u00f5es no ano passado. Isso significa dizer que eles contrataram R$ 2,8 bilh\u00f5es em d\u00e9bitos por m\u00eas, na m\u00e9dia, ou R$ 133,4 milh\u00f5es por dia \u00fatil. O saldo devido aos bancos no consignado cresceu 17,8% em rela\u00e7\u00e3o a 2018.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do apetite dos servidores pelo consignado, o aumento das d\u00edvidas no ano passado, de R$ 33,6 bilh\u00f5es, \u00e9 46% maior do que todos os d\u00e9bitos dos trabalhadores da iniciativa privada na mesma modalidade de cr\u00e9dito, de R$ 23 bilh\u00f5es. O que os servidores contrataram em um m\u00eas de consignado foi quase todo o aumento do saldo devedor dos trabalhadores do setor privado em 2019: R$ 2,8 bilh\u00f5es contra R$ 3,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Setor privado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo os especialistas, essa discrep\u00e2ncia ocorre porque os bancos preferem concentrar os empr\u00e9stimos no servi\u00e7o p\u00fablico, devido \u00e0 estabilidade no emprego. Na iniciativa privada, o risco \u00e9 maior, pois n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o para demiss\u00f5es. Nesses casos, o calote \u00e9 quase certo. O Brasil contabiliza hoje quase 12 milh\u00f5es de desempregados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o Brasil tem cerca de 11,5 milh\u00f5es de servidores. Dividindo a d\u00edvida do consignado por eles, \u00e9 como se cada um devesse aos bancos, em m\u00e9dia, R$ 19.138. Esse valor corresponde a cinco vezes o sal\u00e1rio m\u00e9dio recebido pelo funcionalismo, de R$ 3.716.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Esplanada dos Minist\u00e9rios, s\u00e3o muitos os relatos de superendividamento dos servidores. &#8220;Sabemos de colegas que est\u00e3o passando por s\u00e9rias dificuldades por causa do excesso de d\u00edvidas. Primeiro, come\u00e7aram com o consignado. Depois, mergulharam no empr\u00e9stimo pessoal, no cart\u00e3o de cr\u00e9dito e no cheque especial&#8221;, diz uma servidora do Minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para ela, o governo deveria controlar melhor o n\u00edvel de d\u00edvidas contra\u00eddas pelos servidores. &#8220;Infelizmente, no m\u00e1ximo, o governo s\u00f3 consegue saber o que os funcion\u00e1rios p\u00fablicos devem no consignado, porque isso est\u00e1 registrado nos contracheques. Mas nem isso \u00e9 olhado com rigor&#8221;, acrescenta a mesma servidora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Casos de depress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma funcion\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Cidadania conta que s\u00e3o muitos os casos de depress\u00e3o dentro do governo por causa do endividamento excessivo. &#8220;Nesses casos, as faltas s\u00e3o frequentes. Basta ir \u00e0s \u00e1reas de Recursos Humanos dos minist\u00e9rios para ouvir relatos de superendividamento de servidores&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um servidor da Pol\u00edcia Federal ressalta que os problemas de d\u00edvidas em excesso s\u00e3o frequentes mesmo entre os servidores que ganham muito bem. &#8220;Sei de pessoas que ganham R$ 30 mil por m\u00eas, mas devem R$ 700 mil ou mais a bancos. E, nessa conta, n\u00e3o h\u00e1 financiamento da casa pr\u00f3pria. Ou seja, \u00e9 d\u00edvida para consumo ou emerg\u00eancias&#8221;, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de educadores financeiros, \u00e9 preciso muita cautela na hora de se fazer d\u00edvidas, mesmo no caso dos servidores, que t\u00eam estabilidade no emprego. Os juros no consignado, por exemplo, s\u00e3o, na m\u00e9dia, de 21,4% ao ano para o funcionalismo p\u00fablico. Mas nenhuma carreira est\u00e1 tendo aumento salarial nesta propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os exageros, lembram os especialistas, sempre resultam em calote. Levantamento do professor Ricardo Rocha, do Insper, aponta que o Brasil tem mais de 60 milh\u00f5es de inadimplentes. Se esse grupo formasse um pa\u00eds, seria maior do que a Espanha ou a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 19h18min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os servidores p\u00fablicos n\u00e3o economizaram na hora de fazer d\u00edvidas ao longo de 2019. Dados do Banco Central mostram que as d\u00edvidas do funcionalismo atingiram R$ 222,2 bilh\u00f5es somente no cr\u00e9dito consignado, cujas presta\u00e7\u00f5es s\u00e3o descontadas no contracheque. Um recorde. &nbsp; As d\u00edvidas dos servidores no consignado aumentaram R$ 33,6 bilh\u00f5es no ano passado. Isso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":12891,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[3,407,59,321,4400,126,123],"class_list":["post-12890","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-banco-central","tag-consignado","tag-depressao","tag-dividas","tag-ministerios","tag-policia-federal","tag-servidores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12890"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12890\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12892,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12890\/revisions\/12892"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}