{"id":12643,"date":"2020-01-08T18:45:38","date_gmt":"2020-01-08T21:45:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=12643"},"modified":"2020-01-08T18:45:38","modified_gmt":"2020-01-08T21:45:38","slug":"saida-de-capital-estrangeiro-do-pais-em-2019-bate-recorde-us-448-bi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/saida-de-capital-estrangeiro-do-pais-em-2019-bate-recorde-us-448-bi\/","title":{"rendered":"Sa\u00edda de capital estrangeiro do pa\u00eds em 2019 bate recorde: US$ 44,8 bi"},"content":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A debandada de investidores estrangeiros do Brasil foi recorde em 2019, mesmo com o risco pa\u00eds medido pelo CDS (Credit Default Swap) para contratos de cinco anos ficando levemente abaixo de 100 pontos. Conforme dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (08\/01), as sa\u00eddas l\u00edquidas de d\u00f3lares do Brasil somaram US$ 44,8 bilh\u00f5es no acumulado at\u00e9 o dia 30 de dezembro. Esse dado \u00e9 quase tr\u00eas superior ao maior deficit anual do fluxo cambial registrado at\u00e9 ent\u00e3o registrado pelo BC, de US$ 16,2 bilh\u00f5es, em 1999.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em dezembro, a autoridade monet\u00e1ria computou a sa\u00edda l\u00edquida de US$ 17,6 bilh\u00f5es, a maior retirada do pa\u00eds para o per\u00edodo desde 2014, quando o saldo negativo ficou em US$ 14 bilh\u00f5es.<br \/>\nO volume de sa\u00eddas l\u00edquidas \u00e9 a diferen\u00e7a entre o resultado de compras e vendas do volume financeiro no pa\u00eds (que ficou negativo em US$ 62,2 bilh\u00f5es no ano passado), e o saldo das opera\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio exterior, que foi positivo em US$ 17,4 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo.\u00a0\u00a0Os \u00faltimos meses do ano costumam ter um fluxo maior de retirada de d\u00f3lares do pa\u00eds devido ao envio de lucros das subsidi\u00e1rias para as matrizes no exterior, mas especialistas consideram o montante at\u00edpico em meio ao ciclo de recupera\u00e7\u00e3o da economia e de maior otimismo no mercado de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO grande problema \u00e9 que o capital estrangeiro que vinha para o pa\u00eds atr\u00e1s dos juros de 10% ao ano dos t\u00edtulos p\u00fablicos, quando a Selic (taxa b\u00e1sica da economia) come\u00e7ou a sair e foi para 4,5% anuais. E como o pa\u00eds n\u00e3o tem grau de investimento, e os t\u00edtulos p\u00fablicos s\u00e3o classificados como<em> junk bonds<\/em> (lixo) esses investidores foram obrigados a procurar outros tipos de aplica\u00e7\u00e3o em mercados considerados mais seguros\u201d, explicou Ricardo Galhardo, gerente da Treviso Corretora de C\u00e2mbio. Ele lembrou que os grandes fundos internacionais t\u00eam um limite para investir em pa\u00edses sem grau de investimento, que \u00e9 o selo de bom pagador das ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco. O Brasil demorou mais de 20 anos para conquistas e que perdeu em pouqu\u00edssimo tempo devido ao desequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adianta ter o risco baixo se ainda existe muita inseguran\u00e7a jur\u00eddica. Isso afasta o investidor estrangeiro e esse pessoal que saiu s\u00e3o pessoas que buscam rentabilidade e n\u00e3o est\u00e3o preocupados com o bem do pa\u00eds\u201d, adicionou Galhardo. Segundo ele, a queda da Selic tamb\u00e9m provocou um movimento at\u00edpico na bolsa, que bateu recordes consecutivos devido ao aumento do volume de investidores dom\u00e9sticos, que foram atr\u00e1s de rendimentos maiores do que os da poupan\u00e7a, de fundos de renda fixa e de alguns t\u00edtulos do Tesouro Nacional, que passaram a perder para a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Standard &amp; Poor&#8217;s, no fim do ano passado, melhorou a perspectiva da nota de risco do Brasil e sinalizou uma melhora na classifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, caso o crescimento da economia for acima das expectativas e houver melhora na trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica bruta, que apresentou leve melhora neste ano pela redu\u00e7\u00e3o da Selic e tamb\u00e9m pela devolu\u00e7\u00e3o de R$ 123 bilh\u00f5es de aportes do Tesouro pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), esse valor \u00e9 quase cinco vezes maior do que os R$ 25 bilh\u00f5es previstos pela institui\u00e7\u00e3o. Esses dois fatores positivos n\u00e3o tem nada a ver com melhora estrutural das contas p\u00fablicas, infelizmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Logo, h\u00e1 muito trabalho para a equipe econ\u00f4mica do ministro da Economia, Paulo Guedes, a ser feito para ele cumprir as promessas de in\u00edcio de mandato. Zerar o deficit prim\u00e1rio das contas p\u00fablicas, por exemplo, algo que Guedes prometeu fazer no primeiro ano de \u00e0 frente da pasta, dificilmente acontecer\u00e1 antes de 2022. Pelas estimativas de Pedro Schneider, economista do Ita\u00fa Unibanco, um superavit de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) que \u00e9 o necess\u00e1rio para conter o crescimento da d\u00edvida p\u00fablica, s\u00f3 ocorrer\u00e1, na melhor das hip\u00f3teses, em 2023.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, a volta do grau de investimento ainda deve demorar alguns anos. &#8220;S\u00f3\u00a0deve acontecer depois de 2023. Tem um longo ch\u00e3o a\u00ed. As ag\u00eancias v\u00e3o esperar maiores sinais de consolida\u00e7\u00e3o fiscal. \u00c9 preciso um crescimento mais forte durante mais tempo para a\u00ed pensar em colocar o <em>investment grade<\/em> de novo&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; A debandada de investidores estrangeiros do Brasil foi recorde em 2019, mesmo com o risco pa\u00eds medido pelo CDS (Credit Default Swap) para contratos de cinco anos ficando levemente abaixo de 100 pontos. 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