{"id":12595,"date":"2020-01-03T13:43:51","date_gmt":"2020-01-03T16:43:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=12595"},"modified":"2020-01-03T16:26:36","modified_gmt":"2020-01-03T19:26:36","slug":"tensao-no-oriente-medio-reduz-chances-de-novo-corte-na-selic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/tensao-no-oriente-medio-reduz-chances-de-novo-corte-na-selic\/","title":{"rendered":"Tens\u00e3o no Oriente M\u00e9dio reduz chances de novo corte na Selic"},"content":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ataque dos Estados Unidos em Bagd\u00e1 que matou o general iraniano Qassem Soleimani, na noite de ontem, pode ter enterrado de vez as chances de corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) pelo Banco Central neste ano. O aumento da tens\u00e3o no Oriente M\u00e9dio mexeu com os mercados nesta sexta-feira (03\/01). As bolsas desabaram no mundo e no Brasil, o d\u00f3lar subiu e o pre\u00e7o do barril do petr\u00f3leo est\u00e1 em alta, sinalizando novas press\u00f5es inflacion\u00e1rias no mercado dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Ao que tudo indica o governo Donald Trump fez uma a\u00e7\u00e3o contundente ao assassinar o principal nome do ex\u00e9rcito iraniano na tentativa de abafar de vez a aproxima\u00e7\u00e3o de Bagd\u00e1 com Teer\u00e3. N\u00e3o h\u00e1 como classificar o ato de Trump sem ser como uma declara\u00e7\u00e3o de guerra ao Ir\u00e3 e sendo assim deveremos ver retalia\u00e7\u00f5es em breve\u201d, avaliou o economista-chefe da Necton Investimentos, Andr\u00e9 Perfeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista considera que uma das implica\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio e curto prazos dessa nova turbul\u00eancia internacional, al\u00e9m do aumento do pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo, \u00e9 uma fuga do capital estrangeiro para mercados com liquidez, ou seja, uma debandada dos pa\u00edses emergentes, como o Brasil. Isso, como consequ\u00eancia, implica em d\u00f3lar mais alto. \u201cIsso implica em press\u00f5es inflacion\u00e1rias difusas que enterram de vez a possibilidade do Copom (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria) cortar mais uma vez a Selic. Para al\u00e9m disso, h\u00e1 certa preocupa\u00e7\u00e3o em como o governo brasileiro ir\u00e1 reagir&#8221;, alertou Perfeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O\u00a0ex-diretor do BC e chefe da Divis\u00e3o Econ\u00f4mica da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, demonstrou a mesma preocupa\u00e7\u00e3o que Perfeito.\u00a0&#8220;Acredito que h\u00e1 espa\u00e7o para a Selic cair, mas parece que agora est\u00e1 limitado&#8221;, afirmou,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Algumas proje\u00e7\u00f5es do mercado apostavam em pelo menos um corte na Selic neste ano e, os mais otimistas, ainda achavam que os juros b\u00e1sicos poderiam chegar a 4% neste ano. Atualmente, a taxa b\u00e1sica de juros est\u00e1 em 4,5% ao ano, o menor patamar da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O barril do petr\u00f3leo, em fun\u00e7\u00e3o do grande volume de produ\u00e7\u00e3o global e de uma desacelera\u00e7\u00e3o na economia mundial estava abaixo de US$ 70. Somente hoje, o barril do petr\u00f3leo tipo Brent, negociado na Bolsa de Londres, subiu 4%, para US$ 69, por volta das 12h. O d\u00f3lar estava com alta de 0,5% e o \u00cdndice Bovespa operava em queda de 0,56%, a 117,8 mi pontos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a economista-chefe da Rosenberg Associados Thais Zara, ainda \u00e9 cedo para apostar em uma paralisa\u00e7\u00e3o do corte na Selic neste ano. \u201cVamos esperar o desenrolar nos pr\u00f3ximos dias. E ver o que vai acontecer. Ao cambio est\u00e1 em um patamar em pouco elevado, mas no ano passado, os ataques de drones na maior refinaria de petr\u00f3leo na Ar\u00e1bia Saudita (em setembro), teve um impacto moment\u00e2neo nos pre\u00e7os e depois arrefeceu\u201d, destacou. Pelas estimativas da analista, o Copom ainda deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na primeira reuni\u00e3o do ano, para 4,25%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Preocupa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com Perfeito, a rea\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto em rela\u00e7\u00e3o ao aumento da tens\u00e3o no Oriente M\u00e9dio preocupa. Em primeiro lugar, se o Planalto ir\u00e1 querer interferir numa eventual alta da gasolina, algo criticado pelos economistas liberais durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, pode afetar ainda mais o mercado interno. Em segundo, se Bras\u00edlia vai se alinhar automaticamente \u00e0 Washington, algo que n\u00e3o faz parte das tradi\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas do pa\u00eds, tamb\u00e9m ser\u00e1 arriscado. &#8220;O Brasil sempre\u00a0tomou posi\u00e7\u00f5es neutras e amb\u00edguas quando se trata de assuntos dessa natureza. Se houver alinhamento, isso pode atrapalhar mais ainda nossa balan\u00e7a comercial\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ontem, o Minist\u00e9rio da Economia divulgou os dados da balan\u00e7a comercial em 2019 com queda de 20,5% no superavit em rela\u00e7\u00e3o a 2018, para US$ 46,7 bilh\u00f5es. Essa piora no desemprenho foi puxado pela queda nas exporta\u00e7\u00f5es, principalmente, para a Argentina. J\u00e1 o fluxo cambial do Banco Central apontou uma sa\u00edda l\u00edquida de US$ 43,2 bilh\u00f5es no acumulado do ano passado, novo recorde, embalado pela queda nos juros que implicou em retornos menores para o capital estrangeiro no pa\u00eds. O \u00faltimo pico havia sido em 1999, quando o deficit acumulado ficou em US$ 16,2 bilh\u00f5es, de acordo com dados da autoridade monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; O ataque dos Estados Unidos em Bagd\u00e1 que matou o general iraniano Qassem Soleimani, na noite de ontem, pode ter enterrado de vez as chances de corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) pelo Banco Central neste ano. O aumento da tens\u00e3o no Oriente M\u00e9dio mexeu com os mercados nesta sexta-feira (03\/01). 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