{"id":1218,"date":"2016-06-03T00:01:06","date_gmt":"2016-06-03T03:01:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1218"},"modified":"2016-06-03T09:50:21","modified_gmt":"2016-06-03T12:50:21","slug":"1218-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/1218-2\/","title":{"rendered":"\u00c0 procura do fundo"},"content":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma prova de que as coisas est\u00e3o ruins \u00e9 que a economia caiu 0,3% no trimestre, acumulando um tombo de 5,4% em um ano, e a gente sentiu certo al\u00edvio. N\u00e3o \u00e9 para menos. A expectativa do mercado para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2016 era de redu\u00e7\u00e3o de 0,8%, o que levaria o resultado em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior a uma queda de 6%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alguns analistas viram nos n\u00fameros divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) um sinal de que chegamos ao fundo do po\u00e7o, ou que estamos bem perto dele. A busca do piso da crise virou uma obsess\u00e3o. Como se, a partir dali, se pudesse garantir que, finalmente, nossa expurga\u00e7\u00e3o vai acabar.\u00a0Antigamente, quando se falava em fundos, vinha logo \u00e0 cabe\u00e7a a ideia de op\u00e7\u00f5es de investimentos oferecidas por institui\u00e7\u00f5es financeiras. Hoje, ningu\u00e9m hesita: fundo s\u00f3 pode ser o do po\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Evandro Buccini, economista da Rio Bravo Investimentos, est\u00e1 entre os analistas que evitam se enganar pela cren\u00e7a de que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode piorar ainda mais. Ele v\u00ea promessas de revers\u00e3o da queda. Mas ressalva que elas ainda precisam se concretizar. Os \u00edndices de confian\u00e7a tiveram revers\u00e3o em maio, tanto do ponto de vista dos empres\u00e1rios, quanto dos consumidores, em todos os setores pesquisados.\u00a0\u201cO problema \u00e9 que isso \u00e9 muito vol\u00e1til\u201d, avisa. A confian\u00e7a precisa continuar crescendo. \u00c9 um fator indispens\u00e1vel para que os consumidores se sintam seguros para comprar mais e que as empresas decidam ampliar e melhorar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Emprego demora\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chegarmos ao fundo do po\u00e7o \u00e9 uma etapa importante. Mas escalar de volta as paredes \u00e9 outra hist\u00f3ria. O que interessa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ponto de revers\u00e3o, mas a consist\u00eancia e a rapidez da recupera\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 na melhora do pa\u00eds, medida pelos \u00edndices de confian\u00e7a, est\u00e1 longe de ser o \u00fanico fator que vai garantir isso. Para o consumidor, \u00e9 indispens\u00e1vel que diminua o medo de perder o emprego, afinal, quem teme deixar de ter sal\u00e1rio, tenta poupar o m\u00e1ximo e evita contrair d\u00edvidas. A taxa de desemprego j\u00e1 est\u00e1 em 11,2% e deve chegar a 13% at\u00e9 o fim do ano. Melhora, se houver, s\u00f3 a partir de 2017. Economistas explicam que o emprego \u00e9 o \u00faltimo indicador a piorar quando a economia entra em crise. E \u00e9 o \u00faltimo a responder no momento em que h\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o, pois contratar significa trazer para dentro da empresa um passivo, uma potencial despesa em caso de demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esperar a melhora pelo mercado de trabalho, portanto, \u00e9 contar com um horizonte bem dilatado. Um fator de mudan\u00e7a pode vir do cr\u00e9dito. Nesse caso, as perspectivas s\u00e3o um pouco melhores. A Selic, taxa b\u00e1sica de juros, deve come\u00e7ar a cair no pr\u00f3ximo semestre, com o arrefecimento da press\u00e3o dos pre\u00e7os. Com isso, bons pagadores dever\u00e3o voltar ao balc\u00e3o dos bancos, que estar\u00e3o dispostos a emprestar mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As empresas industriais dever\u00e3o liderar a melhora no segundo semestre. O c\u00e2mbio tem ajudado. Os produtores brasileiros de manufaturados ganham espa\u00e7o no mercado internacional e dom\u00e9stico, no qual passam a competir em situa\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel com os concorrentes de fora.\u00a0Mesmo assim, a ind\u00fastria continua perdendo. Caiu 0,3% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior, o mesmo que o PIB, mas muito mais do que a m\u00e9dia em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre do ano passado: 10,5% de varia\u00e7\u00e3o negativa. O patamar baixo \u00e9 um fator que favorece o crescimento, aliado ao peso da mudan\u00e7a de concorr\u00eancia externa pelo fator c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Investimentos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre melhorar o faturamento a investir \u00e9 outra hist\u00f3ria. Isso vai demorar, alertam analistas, diante da grande ociosidade. Inicialmente, o crescimento significar\u00e1 maior utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada. S\u00f3 depois \u00e9 que se vai pensar em contratar novos gastos.\u00a0Na trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica, Buccini v\u00ea possibilidade de melhora, o que pode manter o ritmo de eleva\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a, ainda muito distantes do que se viam tr\u00eas anos atr\u00e1s, quando se iniciou a trajet\u00f3ria de queda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora as perspectivas de corte de gastos p\u00fablicos n\u00e3o sejam muito favor\u00e1veis, ele v\u00ea grandes chances de controle dos d\u00e9bitos pela venda de ativos. O plano do governo \u00e9 que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) devolva R$ 40 bilh\u00f5es para o governo neste ano, R$ 30 bilh\u00f5es em 2017 e o mesmo valor em 2018. Com isso, a d\u00edvida poder\u00e1 chegar a 83% do PIB em 2018. \u00c9 uma enormidade. Menos, por\u00e9m, do que os 87% previstos sem essa transfer\u00eancia de recursos da institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica ao Tesouro. \u201cE h\u00e1 espa\u00e7o para uma devolu\u00e7\u00e3o maior\u201d, aponta Buccini.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da Selic tamb\u00e9m reduzir\u00e1 custos da d\u00edvida. Mas a perspectiva \u00e9 de que n\u00e3o haja superavit prim\u00e1rio antes de 2018.<br \/>\nA proposta de limita\u00e7\u00e3o dos gastos aos do ano anterior corrigidos pela infla\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o enviada ao Congresso Nacional, tamb\u00e9m poder\u00e1 melhorar a confian\u00e7a dos consumidores, empres\u00e1rios e investidores. N\u00e3o que se espere que o projeto fique exatamente assim. \u201cImaginamos que fique pr\u00f3ximo disso\u201d, diz Buccini.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Horizonte de longo prazo<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A consist\u00eancia da recupera\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, exige n\u00e3o apenas deixar o fundo, mas sair do po\u00e7o. E para isso \u00e9 preciso trabalhar muito mais. O governo aposta no programa de concess\u00f5es, que poder\u00e1 favorecer o volume de investimentos na economia e melhorar a infrastrutura, baixando custos. Mas o economista Jorge Arbache, professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de pensar al\u00e9m disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO que tem maior valor agregado n\u00e3o \u00e9 transportando em cont\u00eaineres, por estradas: s\u00e3o produtos com grande valor intelectual, como softwares\u201d, diz Arbache. Depois de atuar no Minist\u00e9rio do Planejamento nos \u00faltimos meses, antes da mudan\u00e7a de governo, ele explica que esse desafio n\u00e3o era ignorado pela equipe econ\u00f4mica, mas sempre ficou ofuscado pelas ang\u00fastias di\u00e1rias, incluindo, principalmente, o problema fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os incentivos que foram dados nos \u00faltimos anos para incrementar a manufatura ficaram longe de cumprir tal objetivo, incluindo os esfor\u00e7os para reerguer a ind\u00fastria naval. \u201cOs componentes mais importantes continuaram vindo de fora. Aqui, o que se fez foi basicamente montagem dos equipamentos\u201d, critica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO &nbsp; Uma prova de que as coisas est\u00e3o ruins \u00e9 que a economia caiu 0,3% no trimestre, acumulando um tombo de 5,4% em um ano, e a gente sentiu certo al\u00edvio. N\u00e3o \u00e9 para menos. 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