Setor de serviços cresce 0,7%, em junho, mas mantém retomada desigual

Compartilhe

ROSANA HESSEL

O setor de serviços, mais atingido pela crise provocada pela pandemia da covid-19 e o último a apresentar recuperação, foi o único indicador da oferta do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a apresentar crescimento em junho.

Conforme dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do órgão ligado ao Ministério da Economia, o volume no Brasil cresceu 0,7% frente a maio, na série com ajuste sazonal. O dado foi o segundo positivo seguido e ficou levemente acima da alta esperada pelo mercado, de 0,5%. Na contramão, a produção industrial e o varejo apresentaram quedas de 0,4% e de 1,4%, respectivamente, no sexto mês do ano.

De acordo com os dados do IBGE, o setor de serviços se encontra 7,5% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, mas 3,2% abaixo do ponto mais alto da série, de novembro de 2014.

O segmento de serviços de informação foi o único dos cinco grupos de atividades pesquisadas na PMS que apresentou queda em junho. O recuo de 0,2% foi o primeiro desde fevereiro. Esse grupo, aliás, está 12,1% acima do patamar pré-covid-19.

Já o grupo de serviços prestados às famílias apresentou o quarto dado positivo no ano, de 0,6%, continua em desaceleração, partindo da alta de 3,4% em maio, passando para 2,8%, em abril e para 2,2% em maio. Em comparação a fevereiro de 2020, o grupo ainda está 6,1% abaixo do patamar pré-pandemia, com as atividades de serviços de hospedagem e alimentação ainda 8,5% abaixo do nível pré-covid-19.

Aliás, esse grupo de atividades de serviços prestados às famílias — o que mais emprega — é o único dos cinco pesquisados pela PMS que ainda não voltou ao patamar pré-pandemia.

Os grupos das atividades de serviços profissionais, administrativos e complementares e de outros serviços apresentaram altas de 0,7% e de 0,8%, respectivamente. O grupo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e armazenagem, com alta de 0,6% em junho, mostra retomada desigual, com duas das cinco subcategorias apresentando queda na comparação com maio: transportes aéreos registrando queda (-9,9%) e armazenagem e serviços auxiliares aos transportes e correios (-2,4%).

Desaceleração

O indicador da PMS mostra que o avanço está desacelerando. No acumulado nos últimos 12 meses, registrou alta de 11,7%, em maio, para 10,5%, em junho, mantendo a trajetória descendente iniciada em abril de 2022, quando a taxa de crescimento era de 12,8%.

Na série sem ajuste sazonal, no confronto com junho de 2021, o volume de serviços assinalou a 16ª taxa positiva consecutiva ao avançar 6,3% em junho de 2022, conforme os dados do órgão. No indicador acumulado do primeiro semestre deste ano, o volume de serviços mostrou expansão de 8,8% frente a igual período de 2021.

Em relação a junho de 2021, a receita nominal avançou 17,1% e no acumulado do ano, o crescimento foi de 16,5%.

Vicente Nunes