“Segura na mão de Deus” vira hit na Faria Lima, centro financeiro do país

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Centro financeiro do país, a Faria Lima, famosa avenida de São Paulo, já elegeu seu hit nesses tempos de turbulência, com dólar nas altura, Bolsa de Valores derretendo e governo inerte no sentindo de estimular a atividade econômica: “Segura na mão de Deus”, um hino religioso (ouça abaixo).

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Não custa lembrar que os “faria limers”, que vêm repassando o hit por meio de redes sociais, foram os primeiros a fazer estimativas catastróficas para a economia se Dilma Rousseff não fosse apeada do poder. Foi na Faria Lima que nasceu o movimento de apoio à candidatura vitoriosa de Jair Bolsonaro.

Agora, o arrependimento começa a dar o tom no principal centro financeiro do país, ainda que a grande maioria dos “faria limers” continue acreditando que o ministro da Economia, Paulo Guedes, será capaz de colocar o Brasil na rota do crescimento sustentado, mesmo depois do fracasso da gestão dele até agora.

Barco vai afundar

Os “faria limers” pedem uma ação mais enfática de Bolsonaro em defesa das reformas, que podem dar novo fôlego à economia brasileira. Sem uma sintonia fina entre o governo e o Congresso, a tendência, admitem executivos da Faria Lima, é de o Produto Interno Bruto (PIB) afundar, sobretudo com crise trazida pelo novo coronavírus.

Está se formando o consenso no mercado de que 2020 será mais um ano perdido, encerrando a pior década para a economia brasileira, pior até que os anos de 1980, apontados como década perdida. Para os “faria limers” ou o governo reage rápido ou o barco vai afundar.

O dólar encerrou as negociações desta sexta-feira (06/03) cotado a R$ 4,634 para venda, com ligeira baixa de 0,36%, após mais uma intervenção do Banco Central. Na semana, a moeda norte-americana acumulou alta de 3,42% e, no ano, de 15,58%.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), as perdas foram generalizadas. Somente nesta sexta, o Ibovespa, principal índice de lucratividade do pregão paulista, desabou 4,14%, para os 97.997 pontos. Na semana, as perdas chegam a 8,09% e, no ano, a 15,26%.

Nesse ritmo, realmente, só mesmo segurando nas mãos de Deus para não entrar em parafuso.

Brasília, 18h55min

Vicente Nunes