PIB do segundo trimestre desaba 9,7% e Brasil entra em recessão, diz IBGE

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Rosana Hessel

Após encolher 2,5% de janeiro a março, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil desabou 9,7% no segundo trimestre de 2020, em relação aos três meses imediatamente anteriores, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira (1º/9) e que atualizaram a queda do primeiro trimestre.

Foi a segunda queda consecutiva nessa base de comparação, confirmando que o país entrou em recessão técnica como reflexo da forte desaceleração da atividade entre os meses de março e abril. Na comparação com o segundo trimestre de 2019, o tombo foi ainda maior, de 11,4%.  Com esse resultado, o PIB voltou aos patamares de 2009, de acordo com dados do órgão.

Ambas as taxas foram as quedas mais intensas da série histórica atualizada, iniciada em 1996, segundo o IBGE. E, pelas estimativas da Fundação Getulio Vargas (FGV), a queda é maior desde a decada de 1990. Os dados acabaram sendo piores do que as estimativas do mercado, que previam retrações em torno de 9%, na margem, e de 10%, na comparação com o mesmo período de 2019.

No acumulado dos quatro trimestres terminados em junho, houve queda de 2,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Em valores correntes, o PIB do no segundo trimestre de 2020 totalizou R$ 1,653 trilhão, sendo R$ 1,478 trilhão em Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 175,4 bilhões tributos.

Na comparação com o primeiro trimestre, pela ótica da oferta, a maior queda foi registrada pela indústria, de 12,3%, seguida por serviços, com recuo de 9,7%. A agropecuária apresentou variação positiva de 0,4%, de acordo com os dados do IBGE.

Entre as atividades produtivas, a indústria da transformação desabou 17,5% na mesma base de comparação. Já a da construção teve recuo de 5,7% nas atividades em eletricidade e gás, água, e a indústria extrativa registrou queda de 1,1%.

Em serviços, que representam mais de 70% do PIB, os principais resultados negativos foram: outras atividades de serviços (-19,8%), transporte, armazenagem e correio (-19,3%), Comércio (-13,0%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-7,6%), informação e comunicação (-3,0%). Na cotramão, o resultado positivo foi registrado em atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, de 0,8%, e nas atividades imobiliárias, de 0,5%.

Pela ótica da despesa, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) teve queda de 15,4%. O consumo das famílias recuou 12,5% e o consumo do governo apresentou retração de 8,8%

As exportações de bens e serviços cresceram 1,8%, enquanto importações recuaram 13,2% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

Os investimentos também desabaram. A taxa de investimento no segundo trimestre de 2020 ficou em 15% do PIB, ficando abaixo da observada no mesmo período de 2019, de 15,3% do PIB. Também foi menor do que os 15,8% do PIB computados no primeiro trimestre.

No primeiro semestre de 2020, o PIB caiu 5,9% em relação a igual período de 2019, informou o IBGE. Nessa comparação, houve desempenho positivo para a agropecuária, com alta de 1,6%, e quedas na indústria, de 6,5%, e nos serviços, de 5,9%.

Vicente Nunes