Para Planalto, reestruturação do Banco do Brasil não tem nada a ver com privatização

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POR ANTONIO TEMÓTEO

Assessores do presidente Michel Temer dizem que o processo de reestruturação do Banco do Brasil, detalhado pelo Blog, é importante, mas nada tem a ver com um desejo de privatizar a instituição, como vêm alegando alguns petistas. “A reestruturação do BB, com menos diretorias, tem a ver exclusivamente com a necessidade do banco de se tornar mais competitivo ante seus principais concorrentes, o Bradesco e o Itaú Unibanco”, diz um dos assessores.

Para o Palácio, o presidente do BB, Paulo Rogério Caffarelli, está fazendo um trabalho técnico de excelente qualidade. Mas será importante que ele dê transparência ao processo de reestruturação para que não haja ruídos desnecessários. “Qualquer coisa envolvendo o Banco do Brasil gera polêmica. Então, a transparência será importante para não dar munição a pessoas maldosas”, frisa o mesmo assessor.

Para se ter uma ideia de como a reestruturação do BB é importante, a folha de salários da instituição custa, por ano, R$ 3 bilhões a mais que as do Bradesco e do Itaú Unibanco. Isso não quer dizer que haverá demissões no banco. A meta é enxugar a estrutura, para torná-la mais eficiente e mais rentável, por meio de um programa de demissão voluntária (PDV) com incentivo à aposentadoria.

O BB ficou muito inchado durante as gestões petistas. Sua rentabilidade caiu à metade, para cerca de 7%. Nos grandes bancos privados, o retorno médio sobre o patrimônio chega a 14%.

O governo quer, com a reestruturação do BB, evitar que o Tesouro Nacional seja obrigado a socorrer a instituição. Analistas dizem que, do jeito que o banco está hoje, não haverá necessidade de capitalização do BB até o fim de 2017.

Brasília, 10h05min

Vicente Nunes