Ministério da Economia corrige dados da balança comercial de novembro

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ROSANA HESSEL

Um “erro técnico” na transmissão dos resultados das transações comerciais fez a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia divulgar uma nota nesta quinta-feira (28/11) corrigindo os números das quatro primeiras semanas de novembro. Os dados “sofreram alteração significativa”, passando de US$ 9,681 bilhões para US$ 13,498 bilhões, segundo a pasta.

As importações foram mantidas em US$ 10,781 bilhões, conforme os novos dados divulgados na segunda-feira pela Secex. Com isso, o deficit comercial de US$ 1,099 bilhão foi revertido em um superavit de US$ 2,717 bilhões. No acumulado do ano, o superavit comercial somou US$ 37,6 bilhões.

“É importante ressaltar que as informações semanais são preliminares e passam por revisões naturais ao longo das semanas”, informou o comunicado. No entanto, técnicos reconhecem que esse tipo de mudança nos números não é habitual e coincide com uma semana em que o dólar disparou por conta de declarações polêmicas do ministro da Economia, Paulo Guedes, e com a frustração dos dados da balança de pagamentos, que inclui as trocas comerciais e financeiras do país com o resto do mundo.

Na próxima segunda-feira, o resultado consolidado da balança comercial de novembro será apresentado pelo Ministério da Economia, mas analistas não demonstram entusiasmo com os vendas do país para o mercado externo neste ano. Vale lembrar que, em outubro, as exportações somaram US$ 18,2 bilhões, registrando queda de 16,7% na comparação com o mesmo período de 2018. Enquanto isso, as importações tiveram alta de 5,7% no mês passado, somando US$ 17 bilhões.

Os dados preliminares da balança comercial neste fim de ano não estão nada animadores, de acordo com o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “As exportações de commodities, que representam pouco mais da metade dos embarques nacionais estão caindo, tanto em volume quanto em receita, como minério de ferro, petróleo, soja, celulose e petróleo”, lamentou. Ele lembrou que as vendas de produtos manufaturados para a Argentina, principal destino de veículos nacionais, encolheram 50% neste ano, devido à crise financeira no país vizinho que vem reduzindo as importações drasticamente. E, para piorar, a guerra comercial entre Estados Unidos e China está fazendo o comércio global encolher de forma mais generalizada, caso haja um acordo, poderá afetar o Brasil de uma forma mais dura. “Serão algo entre US$ 30 bilhões a US$ 50 bilhões de produtos agrícolas que o país pode deixar de vender para os chineses se houver preferência pelos EUA”, alertou.

G20

Levantamento divulgado hoje pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que o comércio internacional de mercadorias dos países do G20, grupo das 19 maiores economias desenvolvidas e emergentes do planeta, mais a União Europeia, permanece fraco “em todas as regiões”. Com base em dados correntes em dólar, ajustados sazonalmente, as exportações encolheram 0,7% no terceiro trimestre de 2019 em relação ao segundo trimestre. Enquanto isso, as importações caíram 0,9%,  na mesma base de comparação, “refletindo parcialmente uma queda de quase 20% nos preços do petróleo e depreciações na maioria das principais moedas em relação ao dólar”.

O estudo da OCDE identificou uma desaceleração “pronunciada” nos 28 países que fazem parte da União Europeia. As exportações tiveram contração de 1,8% e as importações recuaram 0,4% no terceiro trimestre. No Brasil, as exportações encolheram 3,5% e as importações saltaram 15,3% no mesmo período de comparação. Essa é a maior taxa de crescimento entre os integrantes do G20 no terceiro trimestre. Enquanto isso, os embarques da Argentina cresceram 5,1% e as importações tiveram queda de 0,9%.

As exportações dos Estados Unidos caíram marginalmente, 0,2%, enquanto as importações caíram 0,7%, segundo a OCDE. “As exportações dos Estados Unidos para a China permanecem significativamente abaixo dos níveis observados antes das recentes tensões comerciais bilaterais, apesar de uma recuperação no segundo trimestre (de 1,9%), e as importações da China para os Estados Unidos caíram 2,1%”, informou o estudo.

Vicente Nunes