Ludhmila Hajjar recusa convite de Bolsonaro para assumir Ministério da Saúde

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Depois de conversar com familiares e amigos, a cardiologista Ludhmila Hajjar recusou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde no lugar do general Eduardo Pazuello. Ela havia imposto uma série de condições para comandar da pasta, como ter autonomia para montar sua equipe e liberdade para tocar as políticas de combate à covid-19.

Ludhmila disse não a Bolsonaro na manhã desta segunda-feira (15/03) em reunião Palácio do Planalto. A médica e o presidente já tinham conversado no domingo (14/03) por quase três horas. A cardiologista é defensora da vacinação em massa e de medidas restritivas para conter a disseminação do novo coronavírus, ao contrário de Bolsonaro.

Diante da recusa de Ludhmila, que vinha sendo bombardeada por aliados de Bolsonaro nas redes sociais, o presidente corre atrás para resolver o destino do Ministério da Saúde o mais rapidamente possível. Estão na mira para substituir Pazuello o médico Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o também médico José Antonio Franchini Ramires, professor titular do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, e o deputado doutor Luizinho, agora, o preferido do Centrão.

A amigos, Ludhmila disse que considerou sim, ser ministra, mas, depois da conversa com Bolsonaro — que foi muito gentil com ela, mas deixou claro sua posição sobre o combate à pandemia — e diante do tiroteio do qual foi vítima, inclusive com notícias falsas, teve a clara noção de que se envolveria em um grande problema, pois não teria liberdade para fazer o que precisa ser feito.

O Planalto está certo de que a recusa de Ludhmila cria mais ruídos para a substituição de Pazuello no Ministério da Saúde, pois fica claro que a política a ser tocada pela pasta continuará a ser a do presidente da República, justamente a que está derrubando o general titular do cargo de ministro.

Brasília, 12h07min

Vicente Nunes