Itaú Unibanco melhora previsões do PIB, mas reforça alerta sobre desaceleração

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ROSANA HESSEL

Após a surpresa positiva do crescimento de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2022, o Itaú Unibanco partiu para a revisão das estimativas e fez um alerta sobre o cenário de desaceleração da atividade econômica, apesar da melhora até nas projeções do PIB do quarto trimestre, que previam queda de 0,1%.

“A expansão de 1,2% no PIB do 2º trimestre mostrou uma composição benigna, com forte desempenho da absorção doméstica”, destacou o relatório da instituição financeira. O texto informou que o crescimento robusto do primeiro semestre do ano, combinado com o início do tracking para o 3º trimestre, “gerou uma revisão altista para as projeções do segundo semestre do ano” — de 0,1% e -0,1%, no 3º trimestre e no 4º trimestre, para 0,3% e 0%, respectivamente). E, para o PIB de 2022, passou de 2,2% para 2,5%.

“Apesar da melhora no curto prazo, os fundamentos continuam indicando desaceleração da atividade”, ressaltou o documento. para o PIB de 2023, a projeção de expansão econômica passou de 0,2% para 0,5%, “em meio à melhora no carrego estatístico”.

A provisão do Itaú Unibanco para o PIB do ano que vem está em linha com a nova mediana das projeções do mercado do boletim Focus, do Banco Central, desta semana, de 0,5%. Na anterior, a taxa para o avanço da atividade era de 0,47%. E, para o PIB deste ano, a mediana da das previsões do mercado passou de 2,26% para 2,39%.

Riscos fiscais relevantes

No relatório, os analistas do Itaú Unibanco, liderados pelo economista-chefe Mário Mesquita, ressaltaram que a sustentabilidade fiscal “continuará sendo um desafio relevante”, devido às incertezas sobre a continuidade do grande número de despesas criadas pelo governo e pelo Congresso neste ano eleitoral.

“Não se trata de uma preocupação com os números fiscais de 2022, e sim com a trajetória que parece estar contratada para o futuro. O próximo governo terá de decidir sobre a continuidade dos auxílios e cortes de impostos recém-implementados, além do arcabouço fiscal que será válido à frente, em uma economia emergente com dívida pública alta e juros elevados”, alertou o documento.

Desde 2014, o governo federal está pendurado no cheque especial, pois encerra o ano com as contas no vermelho. O banco prevê superavit primário (economia para o pagamento da dívida pública) de 1% do PIB, neste ano, acima do saldo positivo de 0,3% estimado anteriormente. contudo, para 2023, a projeção é de novo rombo fiscal, de 1,5% do PIB. Com isso, as previsões da dívida pública bruta passam de 78%, neste ano, para 82% do PIB no ano que vem.

Diante do aumento das incertezas em relação ao equilíbrio fiscal, a instituição financeira manteve em R$ 5,25 a previsão para o dólar no fim deste ano e em R$ 5,50%, no fim de 2023.  “Vemos espaço limitado para apreciação do real, dado o ambiente global de dólar forte e possíveis oscilações do prêmio de risco local ao longo do segundo semestre deste ano”, alertou.

O Itaú Unibanco reduziu de 7% para 6% a previsão para a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas manteve a projeção para o IPCA de 2023 em 5,3%. As duas estimativas continuam acima do teto da meta de inflação desde ano e do próximo, de 5% e de 4,75%, respectivamente. “A inércia menor contribui para diminuir os riscos de alta, mas a desinflação de núcleos ainda será lenta, especialmente com a dinâmica de serviços persistente”, acrescentou a análise.

Os analistas do Itaú Unibanco mantiveram em 13,75% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) no fim deste ano, mesmo patamar atual. “Acreditamos que o Comitê de Política Monetária (Copom) encerrará o ciclo de aperto monetário no patamar atual, de 13,75% e reafirmará que segue vigilante”, destacou o documento. Para 2023, a expectativa é de corte nos juros somente no segundo semestre, levando a Selic para 11% em dezembro.

Cenário global

Pelas projeções do Itaú Unibanco, a inflação persistentemente alta ainda é o principal risco global e, por isso, nos Estados Unidos, a perspectiva é de que os juros deverão ficar acima de 4%, o que contribuirá para a desaceleração da maior economia do planeta.

A instituição financeira manteve em 1,6% e 0,8% as projeções de expansão do PIB norte-americano em 2022 e em 2023, respectivamente, mas piorou as estimativas para os países europeus, onde a menor oferta de gás da Rússia vai atrapalhar a atividade econômica, o que obrigará o Banco Central Europeu (BCE) elevar os juros para 2%, em vez dos 1% previstos anteriormente. Pelas estimativas da instituição, o PIB da Zona do Euro deverá crescer neste ano 2,8%, mas sofrerá retração de 0,8% em 2023. Antes a previsão de queda era de 0,5%.

O banco ainda prevê forte de desaceleração na América Latina, cujo crescimento médio do PIB passará de 2,9%, neste ano, para 0,3%, em 2023.

Vicente Nunes