Governo Bolsonaro tem taxas de juros reais maiores do que as da gestão Dilma

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ROSANA HESSEL

Após o Banco Central elevar a taxa básica da economia (Selic) para 11,75%, o Brasil passou a ter o segundo maior juro real (descontada a inflação) do mundo, conforme levantamento feito pela Infinity Asset Managment com 40 países. As taxas reais atuais, inclusive, estão bem acima dos patamares aplicados em 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quando a Selic estava em 14,25% ao ano.

De acordo com Jason Vieira, economista-chefe da Infinity, o ranking é feito com cálculos de juros e de inflação ex-ante, utilizando o mesmo referencial e prazo equivalente nos outros países analisados, com a taxa de juros a mercado no vencimento mais líquido 12 meses à frente para o período e a inflação projetada para os 12 meses consecutivos, como referencial o último dado fornecido pelas autoridades econômicas de cada país. Ele lembrou que, em junho de 2015, a taxa de juro real do Brasil era de 4,82% e era a maior do mundo no mesmo ranking elaborado por ele.

Com taxa de juro real de 7,10% ao ano, o Brasil só perde para a Rússia, que roubou a liderança brasileira conquistada em fevereiro, quando o juro real ficou em 6,26% após a alta de 1,5 ponto percentual na Selic, para 10,75%. Após a guerra na Ucrânia, Moscou passou a sofrer sanções e o banco central russo foi obrigado a elevar a taxa de juros em 30,07%.

O Brasil tem juros reais elevadas e que são indicadores de maiores do que a média dos países pesquisados, de -1,41% e tem taxas muito ainda das praticadas como Colômbia, Chile e México.

“Continua a pressão da inflação global, a qual se acelerou na maioria das medidas, dadas as ainda contínuas pressões e choques de oferta ao atacado e aceleração de demanda, em vista ao processo de reabertura de diversas localidades, convertendo a maioria das taxas em terreno negativo”, destacou Vieira. Segundo ele, ainda que se preservem parte dos programas de alívio quantitativo, o movimento global de políticas de aperto monetário continuou a ganhar força, com o aumento expressivo no número de banco centrais sinalizando preocupação com a inflação, em especial devido à guerra na Ucrânia, e aos recentes choques de oferta e à perspectiva de alta nas commodities, com diversas altas de juros.

No computo geral, entre 167 países, 77,25% mantiveram os juros, 19,16% elevaram e 3,59% cortaram. Após a alta de 0,25 ponto percentual nos juros anunciada na tarde de hoje pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), os Estados Unidos ficaram em 34º lugar, com taxa de juro real de -4,82%.

Vicente Nunes