Desemprego atinge 14,8 milhões de brasileiros e taxa fica em 14,6%

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ROSANA HESSEL

A taxa de desemprego no trimestre móvel de março a maio de 2021 ficou em 14,6%, o que representa 14,8 milhões de brasileiros desocupados, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira (30/07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  O órgão apontou subutilização recorde para o período e aumento da informalidade.

O contingente de desempregados apresentou crescimento de 16,4% na comparação com o mesmo trimestre móvel de 2020, ou seja, mais de 2,1 milhões de pessoas perderam emprego em um ano. A taxa de 14,6% é a maior para o período desde o início da série histórica da Pnad, em 2012. O total de desocupados também é recorde para o trimestre móvel encerrado em maio, conforme os dados do IBGE.

Naquele período, foram registrados 12,7 milhões de desocupados e a taxa de desemprego estava em 12,9%. Em relação ao trimestre encerrado em fevereiro, quando a taxa estava em 14,4%, houve um leve aumento no contingente de pessoas procurando emprego, de 14,4 milhões para 14,8 milhões.

A taxa de subutilização ficou em 29,3% da força de trabalho, o maior patamar para o período desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Segundo o órgão, o dado ficou estável na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro mas acima do registrado no mesmo trimestre de 2020, de 27,5%, somando 32,9 milhões de pessoas. Houve aumento de 8,5% — mais de 2,6 milhões de subutilizados — na comparação anual.

A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas também foi recorde da série, somando 7,36 milhões de pessoas, com alta de 27,2% na comparação anual e de 6,8% em relação ao trimestre anterior.

O rendimento médio encolheu no trimestre móvel, pois ficou em R$ 2.547, entre março e maio, dado abaixo dos R$ 2.632 contabilizados no mesmo intervalo de 2020 e dos R$ 2.573 registrados de dezembro a fevereiro. O IBGE não registrou aumento nos rendimentos em nenhuma das atividades pesquisadas e uma das maiores quedas foi na indústria, que costuma ter as melhores remunerações, de 5,7%, na comparação com o trimestre anterior, e de 11,9%, na comparação anual.

Desalento

Os dados do IBGE mostram que a população desalentada ficou estável em relação ao trimestre móvel anterior, segundo o IBGE, somando 5,7 milhões de brasileiros, e cresceu 5,5% na comparação com o mesmo período de 2020, quando registrou 5,4 milhões de pessoas que desistiram de procurar emprego.

Especialistas destacam que a metodologia correta para medir o desemprego seria somar os 5,3% desalentados ao total de desocupados, para assim, ter uma verdadeira taxa de desemprego. Nesse caso, seriam, na verdade, 20,5 milhões de brasileiros sem emprego e uma taxa de 20,1% desocupados.

O contingente de pessoas ocupadas, de 86,7 milhões de pessoas entre março e maio, cresceu 0,9% em relação ao trimestre móvel anterior, mas ficou estável na comparação com o mesmo trimestre de 2020. O nível de ocupação atingiu o menor patamar da série histórica, ficando em 48,9%, dado estável na comparação da taxa de dezembro a fevereiro (48,6%), mas abaixo dos 49,5% no mesmo intervalo do ano passado.

A população fora da força de trabalho somou 75,8 milhões de pessoas, e ficou estável nas duas comparações, de acordo com o IBGE.

Queda na formalidade

Na contramão dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) — que está deixando o Ministério da Economia e ficará subordinado ao novo Ministério do Trabalho e Previdência e apontaram criação de 1,5 milhão de vagas no primeiro semestre, um dado considerado controverso e sem histórico claro para ser analisado –, os dados da Pnad apontam queda de 4,2% no número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos), na comparação com o mesmo período de 2020, para 29,8 milhões de pessoas. Segundo o IBGE foram 1,3 milhão de pessoas com emprego formal a menos no período.

A taxa de informalidade cresceu e ficou em 40% da população ocupada, chegando a 34,7 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, esse percentual ficou em 39,6% e, no mesmo trimestre de 2020, em 37,6%.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado somou 9,8 milhões, dado que ficou estável na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro, mas que cresceu 6,4% (mais 586 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2020.

O contingente de trabalhadores autônomos cresceu 3% frente ao trimestre anterior e 8,7% na comparação anual, somando 24,4 milhões de pessoas. Já o número de trabalhadores domésticos ficou estável nas duas comparações, somando 5 milhões.

O número de empregadores caiu 7,7% na comparação anual, somando 3,7 milhões de pessoas. Segundo dados do instituto, o total de empregadores com CNPJ, de 3,1 milhões, encolheu 7,8% em relação ao mesmo trimestre de 2020, e é o mais baixo da série iniciada em 2016.

Vicente Nunes