BNP e Goldman passam a prever crescimento de 5,5% no PIB do Brasil

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ROSANA HESSEL

Embalados pela onda de revisão das projeções do mercado devido à resiliência da economia brasileira em meio à pandemia da covid-19, grandes bancos estrangeiros estão mais otimistas do que analistas de instituições nacionais, mas, em grande parte, por mero efeito estatístico nas novas projeções.

O norte-americano Goldman Sachs e o francês BNP Paribas, que passaram a prever expansão de 5,5% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano após a alta registrada no primeiro trimestre, de 1,2% na comparação com os três meses anteriores, divulgado nesta terça-feira (01/06), ter ficado acima da mediana das projeções do mercado, entre 0,7% e 0,9%. Enquanto isso, no mercado doméstico, os alertas para riscos que podem travar esse crescimento aumentam, principalmente, para a crise hidrológica e o avanço de uma terceira onda da covid-19.

O Goldman Sachs, por exemplo, elevou a estimativa do PIB brasileiro neste ano de 4,6% para 5,5%, mas reconheceu o cenário de incertezas no ao longo do ano. “Esperamos que a economia se recupere visivelmente nos próximos trimestres, em conjunto com o progresso (gradual) na frente de vacinação da covid-19, reabertura gradual da economia, estímulo fiscal renovado, recuperação da confiança do consumidor e das empresas, e termos de troca muito favoráveis e cenário externo em em geral. Isso deve, no entanto, ser mitigado pelo aumento das taxas de juros, inflação alta e ruído político persistente e incerteza política”, informou o comunicado.

Pelos cálculos da instituição norte-americana, o carregamento estatístico do PIB de 2020 para o de 2021 passou a ser de 4,94%, ou seja, se a economia permanecesse estável no nível do primeiro trimestre de 2021 fim do ano, o PIB real aumentaria 4,94% em 2021. Logo, uma taxa de 5,5% não chega a ser tão expressiva assim.

O BNP Paribas revisou de 4,5% para 5,5% a previsão do PIB brasileiro deste ano e passou a prever uma taxa de carregamento estatístico de 4,9%.  “A surpresa positiva do primeiro trimestre aumenta a transferência estatística para o PIB médio de 2021
crescimento. A impressão anual oficial pode ser de 4,9%, caso o PIB permanecer estável durante os trimestres restantes”, destacou a instituição francesa. Antes, o carregamento estatístico do PIB previsto pelo banco era de 3,6%, em linha com a maioria das estimativas do mercado.

Vicente Nunes