A crise política, que ganha um capítulo ainda mais emocionante com a prisão de Rodrigo Rocha Loures, vai custar caro ao país. Quanto mais tempo ela se arrastar, pior será o impacto na economia. Pelas contas da Fundação Getulio Vargas (FGV), o maior efeito das turbulências será sentido em 2018, ano eleitoral, e não em 2017. Acredita-se que as incertezas em relação ao futuro do governo e da aprovação das reformas trabalhista e da Previdência Social possam tirar entre 0,4 e um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem. Com isso, em vez de crescer 2,4%, o país avançaria apenas 1,4%. Para este ano, a FGV reduziu a estimativa de crescimento de 0,4% para 0,2%.
Tais projeções enterram qualquer visão de euforia para a economia. O horizonte que havia se aberto até 17 de maio, quando o país tomou conhecimento de um encontro nada republicano entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, voltou a ficar turvo. Ninguém consegue dizer hoje, com clareza, qual será o destino de Temer, quem irá substituí-lo em caso de ele deixar o posto, nem quem comandará o país a partir de 2019. Nesse ambiente tão conturbado, a tendência é a economia ficar a reboque de notícias que só favorecem os especuladores.
A confusão é tanta que ninguém descarta a possibilidade de o Brasil ter, em 2017, o terceiro ano de queda do PIB. Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas Gomes diz que as duas principais alavancas da atividade, o consumo e os investimentos, estão travadas. O quadro se agravou com a decisão do Banco Central de pôr um freio no crescimento, ao informar que reduzirá o ritmo de corte da taxa básica de juros (Selic). “Tudo indica que o PIB voltará a ficar negativo no segundo trimestre do ano”, afirma. Nem mesmo o bom resultado da indústria (alta de 0,6%) em abril será suficiente para evitar isso.
Predominância previdenciária
Thadeu ressalta que o Brasil está entrando em um terreno muito perigoso por causa da crise política e da falta de direção em relação às eleições de 2018. Se, até o ano passado, havia o risco de o país mergulhar no que os especialistas chamam de dominância fiscal (quando a política de juros perde eficiência por causa dos rombos crescentes nas contas públicas), agora, pode se deparar com a “predominância previdenciária”. Sem a reforma do sistema de aposentadorias, os deficits crescerão de uma forma tão rápida que não haverá espaço no Orçamento da União para pagar as demais despesas.
“Sem a reforma, os gastos com a Previdência vão inviabilizar o teto dos gastos já em 2019”, acredita Thadeu, hoje economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC). “Por isso, não há alternativa à reforma previdenciária”, assinala. Ele assegura que, assim como na dominância fiscal, tanto fará se o BC aumentar ou reduzir os juros. “Será um quadro devastador para a economia”, enfatiza. É por isso, no entender dele, que o país mergulhou num clima de suspense. Não se sabe mais se o atual governo conseguirá aprovar as reformas nem se os governantes futuros o farão.
Tanto o Palácio do Planalto quanto a equipe econômica estão cientes dessas dúvidas. Não à toa, definiram uma agenda pesada para os próximos dias a fim de convencer o Congresso a fazer andar as reformas e de resgatar a confiança do empresariado. “O crescimento do PIB de 1% no primeiro trimestre nos abriu uma janela de oportunidade. Mas sabemos que ela é estreita. Se não conseguirmos virar o jogo agora, mostrando que o governo ainda tem rumo, será terra arrasada”, afirma um dos mais conceituados técnicos da área econômica. Que completa: “Temos uma missão muito difícil, mas não impossível”.
Brasília, 08h51min


One thought on “Crise política pode tirar até um ponto do PIB em 2018”
A questão primordial histórica do Brasil não é a previdência tampouco leis trabalhistas. A questão é meramente de gestão, de honestidade,simples assim, acontece que sempre temos péssimos gestores e além disso desonestos, corruptos mesmo. Ora, com um quadro assim, não há país que aguente, pode fazer mil reformas que não adiantará, tudo o que se arrecada vai para a vala da corrupção, sempre foi assim, por isso que somos atrasados e vivemos em crise permanente. Os gestores mentem muito, manipulam dados, compram resultados, praticam corrupção abertamente, nunca sairemos do buraco desse jeito. Não adianta nenhuma reforma, já foram feitas várias, nunca adiantou por causa do desvio evidente de dinheiro público. Isto é o que deveria ser dito pelas mídias, por que será que não falam nisso se é tão óbvio? Estariam comprados? Se quiserem, respondam.