O presidente Michel Temer disse, enfaticamente, que não vai renunciar. Repetiu isso duas vezes. Mas ele sabe que perdeu a sustentação política, que não tem mais legitimidade para continuar no cargo. Como se diz no jargão político, Temer perdeu a governabilidade.
O peemedebista, flagrado em gravações pedindo a um dos donos do grupo JBS Joesley Batista para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, começou o seu discurso falando do bom momento da economia, com a atividade se recuperando, os juros caindo e a inflação sob controle.
Mas nada do que se conseguiu de avanços da economia até agora vai se sustentar com um governo fraco, sob suspeição e sem nenhum apoio popular. Não há mais garantia de que Temer mantenha a base de sustentação no Congresso.
Certamente, as reformas trabalhista e da Previdência Social estão enterradas. Para reverter esse quadro tão adverso, Temer precisa de uma manifestação pública de todos os partidos que estão na sua base de sustentação. Será muito difícil obter isso.
Para conseguir o apoio dos partidos que até então o apoiavam, Temer precisaria das ruas. Mas elas estão completamente contra ele, contra o governo. Sendo assim, as conquistas que se teve até agora na economia podem se perder.
Antes do pronunciamento de Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tratou diretamente com investidores e representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) para acalmá-los. Disse ainda que, se Temer caísse, a equipe econômica seria mantida.
Uma coisa é certa, o governo Temer perdeu a legitimidade. De nada adiantará o presidente falar grosso, dizer que está pronto para responder a todas as acusações no processo aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A tendência é de ele ser abandonado aos poucos. Os políticos não suportam um presidente fraco.
Para o país, será o caos. Estamos há dois anos em recessão, com 14,2 milhões de desempregados. A situação social é difícil, com a violência se exacerbando em todo o país. Esse quadro não comporta um presidente sem apoio. Temer já caiu.
Brasília, 16h14min


2 thoughts on “Com Temer no governo, economia vai sangrar”
Caiu apesar de todo o apoio da mídia até hoje, que sempre soube quem ele é, mas apoiava em benefício do mercado financeiro, que é quem manda na mídia. Mas agora não dá mais, passou do limite. A agenda de reformas ia afundar mais ainda o país, concentrando a renda, só que isso ia ser progressivo. Agora antecipamos a crise que viria no futuro porque o modelo seria rompido mais cedo ou mais tarde. Mas isso é bom. Ganhamos muito tempo. Vamos ver agora quem é que vai assumir, se é outro laranja do mercado financeiro, como o Lula foi. Se for, teremos de derrubar mais um …. e que venham tantos quanto forem. Hoje tem a internet, You Tube, Whattsup, não há mais o monopólio da comunicação. Tá muito mais difícil manipular, hipnotizar a sociedade.
Esse mercado financeiro especulativo e sugando tudo o que povo brasileiro produz precisa ser de vez afastado do mando no BC.