POR VERA BATISTA
Policiais civis e agentes penitenciários ameaçam paralisar as atividades já na próxima semana se o governo não der resposta positiva ao pleito da categoria, que quer ser excluída da proposta de reforma do sistema previdenciário encaminhada ao Congresso. O presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobracol), Jânio Bosco Gandra, disse ontem que participará de reunião com o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, na quarta-feira, na qual espera receber uma resposta ao pedido, formalizado em carta encaminhada nesta semana, na qual os profissionais pedem o mesmo tratamento dado integrantes das Forças Armadas, policiais militares e bombeiros, que ficaram fora da PEC da Previdência. Se a reivindicação não for aceita, haverá radicalização.
“Vamos convocar greve geral nacional nos presídios e delegacias. Vamos parar se o governo não mudar a PEC”, afirmou Gandra. Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) também querem ser excluídas da proposta de reforma. “Estamos muito preocupados”, disse o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Boudens.
Marcelo Perrucci, auditor de finanças e controle e presidente do Conselho Fiscal do Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp), afirmou que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, maquiou dados para justificar a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria. O ministro comparou o Brasil com países desenvolvidos, na qual esse limite já vigora. Ele alega, porém, que Meirelles deixou de fora informações relevantes.
“Vemos que a expectativa de vida média dos países que delimitaram em 65 anos o corte para a aposentadoria é de 81,2 anos, contra 75 anos no Brasil. Ou seja, nesses países, as pessoas vivem, em média, 6,2 anos a mais do que no Brasil. Segundo ele, a reforma proposta pelo governo “tem o potencial de transformar o Brasil no pior país, dentre os analisados, para se aposentar”.
Brasília, 16h15min


2 thoughts on “Policiais aumentam pressão contra reforma da Previdência”
Governo fraco e vacilante, falou que ia tratar todo mundo de forma isonômica quando fosse fazer a reforma da previdência. Aí me traz uma proposta onde deixa de fora os militares e bombeiros dos estados (assim como os integrantes das forças armadas) como se entre esses e os demais policiais ou agentes da segurança pública ouvessem diferença no risco de vida. Pergunto-me qual a diferença de risco entre um policial rodoviário estadual (geralmente policial militar) e um policial rodoviário federal. Santa paciência com tamanha incoerência. Governo fajuto! Ou trata todo mundo do mesmo jeito ou nem começa com reforma nenhuma.
Acho que todos que trabalham com segurança pública e segurança nacional devem, por direito óbvio, ser excluídos da reforma. Afinal, todos eles, sem exceçao, dão a própria vida como garantia todos os dias. Sou servidora pública e não preciso arriscar minha vida como meio de trabalho. A própria Constituição Federal/88 diz que para haver igualdade é necessário tratar de modo desigual os desiguais, as pessoas colocadas em situação diferente precisam ser tratadas de modo diferenciado. Isso está no Art. 5º da Carta Magna.