Diretores eleitos da Funcef elogiam Operacão Greendfield

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POR ANTONIO TEMÓTEO

O Operacão Greenfield, deflagrada ontem pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), apontou irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão de estatais do país. Mas entre eles, a Funcef aparece com o maior número de operações irregulares e ainda teve dois ex-presidentes presos.

Diante dos fatos graves, os diretores eleitos pelos participantes do fundo de pensão dos empregados da Caixa Econômica Federal para esclarecer alguns fatos. Eles destacaram que a fundação sempre teve “simpatia” por aprovar aplicações em fundos de investimento e participação, o que abriu espaço para a corrupção.

Os executivos destacam que a Funcef fez pelo menos operações com 50 FIPs diferentes, que envolvem mais de 180 empresas e empreendimentos. Além disso, afirmaram que desde o ressurgimento dos Fips no Brasil, em 2003, por meio da Instrução CVM 391/2003, os maiores fundos de pensão do Brasil investiram cerca de R$17,5 bilhões nesse segmento.

Desse total, R$6,2 bi foram aplicados pela Funcef, R$5,8 bi pela Petros e R$1,3 bi pelo Postalis. As três entidades fechadas de previdência complementar acumulam 75% de investimentos em Fips e muitos deles amargam prejuízos.

Leia a integra da nota abaixo:

Nota Pública – Representantes Eleitos FUNCEF – Operação “Greenfield”

Os eventos ocorridos nesta histórica segunda-feira, 05 SET 2016, oferecem um novo dimensionamento, aos participantes da FUNCEF e ao público em geral, sobre o exaustivo e profundo trabalho iniciado há mais de 2 anos, quando ocorreu uma inédita e marcante eleição de Diretores e Conselheiros, de perfil independente e técnico, para nossa Fundação.

Abriu-se, desde aquela ocasião, uma importante e imprescindível janela de oportunidade, que continuaremos trabalhando para que seja irreversível, para o estancamento de uma verdadeira “sangria” que ocorria na FUNCEF, em função de uma série de investimentos que traziam fortes elementos de temeridade ao seu patrimônio, tanto pela nítida avidez de uma coalização político-empresarial que se julgava “dona do cofre”, quanto pelo volume inédito de recursos que foram canalizados para essa destinação, especialmente aqueles abrigados sob a inofensiva denominação de “investimentos estruturados”.

Desde o ressurgimento desse instrumento (também conhecido pela sigla FIP) no Brasil, no ano de 2003, por meio da Instrução CVM 391/2003, os maiores fundos de pensão do Brasil investiram cerca de R$17,5 bilhões nesse segmento, dos quais R$6,2 bi pela FUNCEF, R$5,8 bi pela PETROS e R$1,3 bi pelo POSTALIS, que juntos acumulam 75% desse total, já computado o emblemático FIP SONDAS/SETE BRASIL, o que demonstra uma “especial” atração dos fundos de pensão de estatais por esse tipo de investimento.

Atendo-se somente à FUNCEF, evidencia-se sua “simpatia” pela aprovação de investimentos em cerca de 50 FIPs diferentes, que envolvem mais de 180 empresas/empreendimentos, dos quais 09 Fundos foram objeto da operação deflagrada hoje (CEVIX, DESENVIX, ENSEADA/GRADIENTE, FLORESTAL/ELDORADO CELULOSE, GLOBAL EQUITY, MULTINER, OAS EMPREENDIMENTOS, RG ESTALEIROS, SONDAS/SETE BRASIL).

À estes, somaram-se na Operação os investimentos efetuados na INVEPAR e a recente operação de venda das salas localizadas no Ed. Sede da OAB Nacional, em Brasília.

Conscientes da condição de “minoritários” na FUNCEF (pela assimetria de informações ainda remanescente e pela existência do voto de qualidade), buscamos alianças para reforçar nosso trabalho e dar-lhe caráter estruturante, com apoio de outros colegas dirigentes e conselheiros, com perfil igualmente independente, em fundos de pensão de natureza e desafios similares, nascendo daí, no final de 2014, o FIDEF – Fórum Independente em Defesa dos Fundos de Pensão.

Apesar das ameaças, constrangimentos, calúnias e difamações contra o nosso trabalho, perseveramos em colaborar e contribuir para o notável sucesso da CPI dos Fundos de Pensão, instaurada em 2015 e concluída em 2016, que destrinchou 15 casos emblemáticos que impactaram os resultados dos Fundos, 6 dos quais envolvendo a FUNCEF.

Ao mesmo tempo, cobrando da PREVIC uma atuação efetiva e diligente em seu papel de supervisão e fiscalização, bem como interagindo com o Ministério Público Federal a respeito da necessidade e extensão de seu trabalho, temos a sensação de que, na operação de hoje, muitos de nossos argumentos, análises e ênfases foram acolhidos pelo Judiciário, que autorizou e fundamentou sua realização, com o devido alcance.

Assim, agradecemos a todos os participantes da FUNCEF, e dos demais Fundos de Pensão co-irmãos, pelo engajamento na defesa de seu patrimônio e da credibilidade destas instituições, que vislumbram hoje o início de uma nova era, com mais transparência, ética e segurança de que seu futuro estará mais protegido.

Brasília, 05 de setembro de 2016

Representantes Eleitos FUNCEF

Vicente Nunes