{"id":1713,"date":"2021-04-06T17:12:22","date_gmt":"2021-04-06T20:12:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/?p=1713"},"modified":"2021-04-06T17:12:22","modified_gmt":"2021-04-06T20:12:22","slug":"artigo-doce-pimentinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/artigo-doce-pimentinha\/","title":{"rendered":"Artigo: Doce Pimentinha"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma grande converg\u00eancia de opini\u00f5es quanto \u00e0 escolha da maior int\u00e9rprete da m\u00fasica popular brasileira. \u00c9 raro, entre cr\u00edticos, artistas e atentos apreciadores do nosso rico e diversificado cancioneiro quem n\u00e3o atribua a Elis Regina esse galard\u00e3o. Poucas s\u00e3o as cantoras, surgidas depois dela, que n\u00e3o a tomam como principal refer\u00eancia. As da mesma gera\u00e7\u00e3o, por motivos \u00f3bvios, divergem.<\/p>\n<p>Vers\u00e1til na escolha do repert\u00f3rio para cantar em disco e show, chama a aten\u00e7\u00e3o de quem a ouve a gama de sentimentos que Elis imprimia a can\u00e7\u00f5es de diferentes estilos \u2014 indo da do\u00e7ura \u00e0 agressividade, da alegria ao choro, da introspec\u00e7\u00e3o ao arrebatamento. Como n\u00e3o se emocionar ouvindo-a em <em>Atr\u00e1s da porta<\/em>, bel\u00edssimo hino dos amantes desesperados, com a assinatura de dois gigantes da MPB, Chico Buarque e Francis Hime. Essa \u00e9 uma das faixas do <em>Elis 72<\/em>, \u00e1lbum relan\u00e7ado recentemente nos formatos de CD, vinil e tamb\u00e9m nas plataformas digitais.<\/p>\n<p>O disco, visto por muitos como o mais ic\u00f4nico do legado da Pimentinha \u2014 o apelido lhe foi dado por seu g\u00eanio forte, pelo poetinha Vinicius de Moraes, que a adorava \u2013 traz outros cl\u00e1ssicos da import\u00e2ncia de <em>\u00c1guas de mar\u00e7o<\/em> (Tom Jobim), <em>Nada ser\u00e1 como antes<\/em> (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) e <em>Casa no campo<\/em> (Z\u00e9 Rodrix e Tavito). Mas h\u00e1 outros trabalhos igualmente bem avaliados, como <em>Falso brilhante<\/em> (1976), <em>Transversal do tempo<\/em> (1978) e <em>Essa Mulher<\/em> (1979).<\/p>\n<p>Este \u00faltimo foi lan\u00e7ado aqui na cidade, num raro show da cantora no Cine Bras\u00edlia, em 23 e 24 de novembro daquele ano. No LP, o grande destaque era <em>O b\u00eabado e a equilibrista<\/em>, composi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Bosco e Aldir Blanc, que se transformou no hino da Anistia. Um dia antes, a entrevistei no sagu\u00e3o de um hotel no Setor Hoteleiro Norte. A mat\u00e9ria, publicada na capa do caderno de cultura do Correio, teve como t\u00edtulo<em> Endurecer para vida mas sem perder a do\u00e7ura<\/em>, que remetia \u00e0 c\u00e9lebre frase atribu\u00edda a Che Guavara, citada por ela durante a conversa.<\/p>\n<p>A cita\u00e7\u00e3o veio quando Elis se reportou \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na Olimp\u00edada do Ex\u00e9rcito, em 21 de abril de 1972, imposta pelo tem\u00edvel general Em\u00edlio Garratazu M\u00e9dici, que a via como inimiga do regime ditatorial, que o tinha como presidente naquele per\u00edodo. Curiosamente, quando a cantora morreu, em 19 de janeiro de 1982, o tamb\u00e9m general Jo\u00e3o Baptista Figueiredo, o \u00faltimo dos ditadores que, em 28 de agosto de 1979 havia sancionado a Lei da Anistia, enviou um telegrama de p\u00easames aos pais de Elis Regina. J\u00e1 o atual mandat\u00e1rio do pa\u00eds n\u00e3o tomou conhecimento da perda do genial letrista Aldir Blanc (coautor de <em>O b\u00eabado e a equilibrista<\/em>), um dos milhares de v\u00edtimas da pandemia da covid 19, que partiu em 4 de maio de 2020.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elis Regina O B\u00eabado e A Equilibrista\" width=\"1333\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6kVBqefGcf4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado na se\u00e7\u00e3o de Opini\u00e3o do Correio Braziliense desta ter\u00e7a-feira (6\/4)  <\/p>\n","protected":false},"author":84,"featured_media":1714,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[209,36,212],"class_list":["post-1713","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-elis-regina","tag-musica","tag-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/users\/84"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1713"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1717,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713\/revisions\/1717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}