{"id":1516,"date":"2020-11-24T12:35:54","date_gmt":"2020-11-24T15:35:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/?p=1516"},"modified":"2020-11-24T12:35:54","modified_gmt":"2020-11-24T15:35:54","slug":"opiniao-escola-parque-das-artes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/opiniao-escola-parque-das-artes\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Escola Parque das artes"},"content":{"rendered":"<p>As salas Villa-Lobos e Martins Penna do Teatro Nacional (fechadas h\u00e1 seis anos), o audit\u00f3rio do Centro de Conven\u00e7\u00f5es Ulysses Guimar\u00e3es, a Sala C\u00e1ssia Eller do Complexo Cultural da Funarte e o Espa\u00e7o Cultural do Choro, ou mesmo o Gin\u00e1sio Nilson Nelson, s\u00e3o os locais que v\u00eam \u00e0 mente do brasiliense quando o assunto \u00e9 palco para espet\u00e1culos. Certamente h\u00e1 quem vai se lembrar do Teatro da Escola Parque que entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1980 recebeu shows memor\u00e1veis, pe\u00e7as consagradas e filmes cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>Patrim\u00f4nio Imaterial de Bras\u00edlia, a Escola Parque, o primeiro centro de ensino da nova capital, concebida pelo inesquec\u00edvel educador An\u00edsio Teixeira, que na \u00faltima sexta-feira comemorou 60 anos de exist\u00eancia, a EP tem um teatro como algo a mais. Localizada na Entrequadra 107\/108 Sul, em outros tempos tinha como vizinhos, de um lado o Cine Cultura e, do outro, os teatros Galp\u00e3o e Galp\u00e3ozinho. Mesmo sem ser, exatamente, uma sala de exibi\u00e7\u00e3o, foi l\u00e1 que cin\u00e9filos sessentistas assistiram obras de celebrados diretores italianos: <em>Blow Up<\/em>, de Michelangelo Antonioni; e <em>Teorema<\/em>, de Pier Paolo Pasolini.<\/p>\n<p>Nos anos 1970, aquele teatro teve plateias superlotadas, \u00e1vida para apreciar pe\u00e7as protagonizadas por nomes exponenciais da dramaturgia brasileira, como Cacilda Becker, em <em>Esperando Godot<\/em>, de Samuel Becket; e Paulo Autran, em <em>A morte do caixeiro viajante<\/em>, de Arthur Miller. Ali cumpriu concorrida temporada de duas semanas, o grupo Asdrubal Trouxe o Trombone que encenou <em>Trate-me le\u00e3o<\/em>, montagem pop e inovadora \u2014 para os padr\u00f5es da \u00e9poca \u2014 com uma linguagem fragmentada de letras de m\u00fasica, poesia e cartas. Sob a dire\u00e7\u00e3o de Hamilton Vaz Pereira, a trupe contava com artistas em in\u00edcio de carreira, entre eles Regina Cas\u00e9, Evandro Mesquita e Luiz Fernando Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Int\u00e9rpretes de g\u00eaneros variados da MPB passaram pelo palco do Teatro da Escola Parque, tamb\u00e9m naquela d\u00e9cada. Da mem\u00f3ria afetiva de muita gente deve fazer parte, por exemplo, shows como <em>Berra boi<\/em> (Quinteto Violado), <em>Miudinho<\/em> (Paulinho da Viola), o antol\u00f3gico<em> \u00cdndia<\/em>, de Gal Costa e o que reuniu Clementina de Jesus e Jo\u00e3o Bosco, pelo <em>Projeto Pixinguinha<\/em>. Chamou aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m o concerto \u2014 que beirou uma catarse \u2014 de Hermeto Pascoal. Ao final, Bruxo do Som deixou o palco, continuou tocando e arrastou as pessoas at\u00e9 a Pra\u00e7a 21 de abril, onde a festa teve continuidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1518\" aria-describedby=\"caption-attachment-1518\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1518\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/11\/CBPFOT290820110164.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"536\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/11\/CBPFOT290820110164.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/11\/CBPFOT290820110164-300x201.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/11\/CBPFOT290820110164-768x515.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/11\/CBPFOT290820110164-550x369.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/11\/CBPFOT290820110164-230x154.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1518\" class=\"wp-caption-text\">05\/07\/1985. Cr\u00e9dito: Mila Petrillo\/CB\/D.A Press. Brasil. Bras\u00edlia &#8211; DF. M\u00fasico Hermeto Pascoal (c) e seu grupo durante show.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Primeira banda pop da cidade, o Mel da Terra, ao abrir um show de Lulu Santos, em 1982, provocou ci\u00fame no popstar carioca, por ser mais aplaudido do que ele. J\u00e1 no ano seguinte, o teatro viveu uma vibrante noite de rock, ao acolher em seu palco o primeiro grande concerto da Legi\u00e3o Urbana, antes do lan\u00e7amento do primeiro disco e, obviamente, anterior \u00e0 fama e ao sucesso. Os seguidores de Renato Russo e companhia fizeram coro para v\u00e1rias m\u00fasicas \u2014 algumas delas compostas para o seminal Aborto El\u00e9trico.<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado na se\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/opiniao\/2020\/11\/4890816-escola-parque-das-artes.html\">Opini\u00e3o desta ter\u00e7a-feira (24\/11) do Correio Braziliense<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As salas Villa-Lobos e Martins Penna do Teatro Nacional (fechadas h\u00e1 seis anos), o audit\u00f3rio do Centro de Conven\u00e7\u00f5es Ulysses Guimar\u00e3es, a Sala C\u00e1ssia Eller do Complexo Cultural da Funarte e o Espa\u00e7o Cultural do Choro, ou mesmo o Gin\u00e1sio Nilson Nelson, s\u00e3o os locais que v\u00eam \u00e0 mente do brasiliense quando o assunto \u00e9 palco para espet\u00e1culos. 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