{"id":1440,"date":"2020-10-19T14:26:34","date_gmt":"2020-10-19T17:26:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/?p=1440"},"modified":"2020-10-19T14:26:34","modified_gmt":"2020-10-19T17:26:34","slug":"artigo-samba-da-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/artigo-samba-da-fraternidade\/","title":{"rendered":"Artigo: Samba da fraternidade"},"content":{"rendered":"<p>Vinicius de Moraes, um dos mais celebrados poetas brasileiros, n\u00e3o tinha o dom da premoni\u00e7\u00e3o. Em 1961, ao escrever a letra de <em>Samba da b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em> ele n\u00e3o sabia quem era Jorge Maria Bergoglio, que acabara de graduar-se em filosofia pela Universidade Cat\u00f3lica de Buenos Aires. Cinquenta e nove anos depois, o bispo argentino que ocupa o posto mais alto da hierarquia da Igreja Cat\u00f3lica, iria recentemente referir-se ao Poetinha, de quem se diz f\u00e3, ao citar trecho da m\u00fasica \u2014 \u201cA vida \u00e9 a arte do encontro, embora h\u00e1 tanto desencontro pela vida\u201d \u2014, na enc\u00edclica <em>Fratelli Tutti<\/em> (Todos Irm\u00e3os, em portugu\u00eas). No documento dedicado ao di\u00e1logo, divulgado pelo Vaticano, o Papa Francisco faz cr\u00edticas contundentes ao consumismo, ao liberalismo econ\u00f4mico, \u00e0 tirania da propriedade privada e a falta de empatia com os imigrantes.<\/p>\n<p><em>Samba da b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em>, de Vinicius de Moraes e Baden Powell (autor da melodia) foi composto no apartamento de um edif\u00edcio, projetado por L\u00facio Costa, no Parque Guingle, no bairro de Laranjeiras, com vista para o Cristo Redentor. Era o in\u00edcio da parceria desses dois reverenciados nomes da MPB, que desaguaria nos chamados afrosambas. Vinicius, ateu de forma\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, a partir dali deixou claro seu envolvimento com a cultura da matriz africana, representada pelos orix\u00e1s.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Fz0eddwTjnk&#038;feature=emb_title<\/p>\n<p>J\u00e1 na letra de <em>Samba da b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em> ele pedia para ser aben\u00e7oado por Senhora \u201ca maior ialorix\u00e1 da Bahia\u201d e por outros mestres da hist\u00f3ria da m\u00fasica popular brasileira como Pixinguinha, Sinh\u00f4, Cartola, Ary Barroso, Tom Jobim e \u201cos grandes sambistas do Brasil lindos como a pele macia de Oxum\u201d e o maestro Moacir Santos: \u201cN\u00e3o \u00e9 um s\u00f3, \u00e9s tantos, como o meu Brasil de todos os santos\u201d. O pedido de b\u00ean\u00e7\u00e3o vem sempre antecedido da express\u00e3o sarav\u00e1, origin\u00e1ria da fala de africanos escravizados de l\u00ednguas bantas.<\/p>\n<p>Mas, foi com os afrosambas, compostos em 1966 e gravados em \u00e1lbum hom\u00f4nimo no mesmo ano, que a \u201cnegritude\u201d de Vinicius se acentuaria ainda mais. Tidos como divisor de \u00e1guas da MPB, eles trazem uma sonoridade que funde elementos dos batuques africanos \u2014 como pontos de candombl\u00e9 e toque de berimbau \u2014 com o samba. Entre as oito can\u00e7\u00f5es reunidas no repert\u00f3rio chamam aten\u00e7\u00e3o as faixas <em>Canto de Ossanha<\/em> (a de maior sucesso), <em>Canto de Iemanj\u00e1<\/em>, <em>Canto de Xang\u00f4<\/em> e <em>Lamento de Exu.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/opiniao\/2020\/10\/4883060-opiniao-samba-da-fraternidade.html\">Artigo publicado na se\u00e7\u00e3o de <em>Opini\u00e3o<\/em> de segunda-feira (19\/10) do <strong>Correio Braziliense<\/strong><\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1441\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/10\/A08-OPI-1910_page-0001.jpg\" alt=\"\" width=\"724\" height=\"1049\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/10\/A08-OPI-1910_page-0001.jpg 724w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/10\/A08-OPI-1910_page-0001-207x300.jpg 207w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/10\/A08-OPI-1910_page-0001-707x1024.jpg 707w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/10\/A08-OPI-1910_page-0001-550x797.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/trilhasonora\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2020\/10\/A08-OPI-1910_page-0001-230x333.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinicius de Moraes, um dos mais celebrados poetas brasileiros, n\u00e3o tinha o dom da premoni\u00e7\u00e3o. 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