{"id":22,"date":"2019-12-09T22:53:44","date_gmt":"2019-12-10T01:53:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/thiagodearagao\/?p=22"},"modified":"2019-12-09T23:04:10","modified_gmt":"2019-12-10T02:04:10","slug":"investidores-estrangeiros-realidades-de-2019-versus-expectativas-de-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/thiagodearagao\/2019\/12\/09\/investidores-estrangeiros-realidades-de-2019-versus-expectativas-de-2020\/","title":{"rendered":"Investidores Estrangeiros: Realidades de 2019 versus Expectativas de 2020"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo de 2019, conversei com v\u00e1rios clientes estrangeiros sobre o Brasil. As vis\u00f5es e expectativas que tinham sobre o ano que se iniciava foram se alterando seguidamente at\u00e9 agora, nas v\u00e9speras do Natal.<\/p>\n<p>Sabia-se em janeiro que Paulo Guedes seria o grande nome do governo. Todas as grandes esperan\u00e7as de recupera\u00e7\u00e3o e reformas residiam nele e em sua equipe. Vale notar que alguns investidores mais experientes j\u00e1 demonstravam incerteza sobre a rela\u00e7\u00e3o que o Minist\u00e9rio da Economia iria construir com o Congresso.<\/p>\n<p>Como todos lembram, a Reforma da Previd\u00eancia era o grande tema no in\u00edcio do ano. Essencialmente, as conversas com investidores eram voltadas para a capacidade do governo de articular os n\u00fameros necess\u00e1rios para a aprova\u00e7\u00e3o da Reforma e o que poderia resultar a partir dessa aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esperava-se que a articula\u00e7\u00e3o com o Congresso fosse feita a partir da Casa Civil, sob orienta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Economia, tendo as lideran\u00e7as do PSL e do Governo como pontos focais dentro do Congresso. Nesse momento, recebia in\u00fameras consultas sobre o funcionamento da Casa Civil e qual seria sua capacidade de convencimento para formar uma coaliz\u00e3o al\u00e9m da base aproximada de 280 votos que o governo possu\u00eda.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da Reforma da Previd\u00eancia revelou que o Minist\u00e9rio da Economia era o grande centro intelectual das reformas estruturais que o governo se comprometera a fazer, por\u00e9m n\u00e3o contava com o apoio necess\u00e1rio da Casa Civil para executar a articula\u00e7\u00e3o sob sua influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Isso foi se evidenciando, \u00e0 medida que outras pautas consideradas \u201cde costume\u201d eram rebatidas pelo Presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia. Quase que imediatamente, muitos investidores passaram a buscar a compreens\u00e3o do papel de Rodrigo Maia para al\u00e9m das suas fun\u00e7\u00f5es na presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Entendeu-se que, naquele momento, o avan\u00e7o das reformas estruturantes dependia mais da receptividade e da articula\u00e7\u00e3o interna no Congresso do que necessariamente da articula\u00e7\u00e3o liderada pelo Governo. O esfor\u00e7o do Presidente Bolsonaro para a aprova\u00e7\u00e3o de Eduardo Bolsonaro como embaixador nos EUA modificou ainda mais a din\u00e2mica de funcionamento nas rela\u00e7\u00f5es entre Executivo e Legislativo. O Senado usou bem o fato de o Pal\u00e1cio n\u00e3o conseguir contabilizar os votos necess\u00e1rios para essa aprova\u00e7\u00e3o. Por volta do meio do ano, a unidade do PSL demonstrou fraturas que se provariam insuper\u00e1veis. Durante as negocia\u00e7\u00f5es para chegar ao n\u00famero necess\u00e1rio para a aprova\u00e7\u00e3o de Eduardo &#8212; 41 votos &#8212; havia, entre os investidores, recep\u00e7\u00f5es mistas a essa ideia. Uns viam na nomea\u00e7\u00e3o a possibilidade de avan\u00e7os r\u00e1pidos em potenciais acordos entre Brasil e EUA (como o de Livre Com\u00e9rcio); outros, n\u00e3o entendiam o objetivo por tr\u00e1s dessa iniciativa.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o para a obten\u00e7\u00e3o desses votos gerou alguns efeitos colaterais. Por mais que a ideia de Eduardo para a embaixada tenha colapsado por conta do derretimento interno do PSL, lideran\u00e7as governistas e do Centr\u00e3o negociaram ferozmente posi\u00e7\u00f5es com o Executivo.<\/p>\n<p>No CADE tivemos um dos casos mais emblem\u00e1ticos: 70 opera\u00e7\u00f5es ficaram paradas, j\u00e1 que o \u00f3rg\u00e3o ficou quase 2 meses sem sua composi\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Essa paralisia em um \u00f3rg\u00e3o t\u00e3o importante at\u00e9 hoje \u00e9 comentada por v\u00e1rios investidores e utilizada como exemplo de algo que n\u00e3o esperavam na nova administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O PLC 79 (Lei Geral de Telecom) tamb\u00e9m gerava muita ansiedade em diversos investidores dos EUA e do Reino Unido. Assim como na quest\u00e3o do CADE, o atraso na aprova\u00e7\u00e3o fez com que o pa\u00eds perdesse alguns investimentos quase assumidos.<\/p>\n<p>No entanto, um ponto importante foi a percep\u00e7\u00e3o de que o governo seguia com grandes dificuldades em aprovar projetos de lei que possu\u00edam m\u00ednima oposi\u00e7\u00e3o, como o PLC. Nesse caso, o papel do Centr\u00e3o em ampliar o leque de expectativas em negocia\u00e7\u00f5es especificas com o governo levou o projeto a ser atrasado.<br \/>\nFinalmente, ao findar-se o ano, o mercado est\u00e1 come\u00e7ando a entender melhor a din\u00e2mica do governo Bolsonaro:<\/p>\n<p>1. Paulo Guedes segue tendo uma import\u00e2ncia primordial. No entanto, essa import\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 como executor ou gestor, mas sim como idealizador e respons\u00e1vel pela estrutura\u00e7\u00e3o das reformas;<br \/>\n2. O Congresso inverteu a l\u00f3gica de negocia\u00e7\u00e3o com o Executivo. A recente postura da Frente Parlamentar da Agricultura demonstra que grupos parlamentares conseguem cada ver mais determinar o ritmo de decis\u00f5es do Executivo;<br \/>\n3. Tirando o Ministro Tarc\u00edsio de Freitas\/ Infraestrutura, o governo ainda n\u00e3o consegue apresentar cronogramas convincentes para o mercado se programar;<br \/>\n4. O Governo misturou EUA e China na mesma panela de temas. Isso gera uma expectativa que pode se tornar uma ansiedade a partir do ano que vem;<br \/>\n5. Os pontos de refer\u00eancia no pa\u00eds s\u00e3o: Presidente Bolsonaro, Paulo Guedes, Tarc\u00edsio de Freitas, Tereza Cristina, Roberto Campos, Rodrigo Maia e David Alcolumbre.<\/p>\n<p>Em termos gerais, o investidor estrangeiro de capital fixo est\u00e1 feliz com o Brasil. Para o investidor de ativos l\u00edquidos, h\u00e1 uma expectativa e ligeira ansiedade para que o crescimento prometido comece a se apresentar com mais robustez. Um crescimento por volta de 2.3% para 2020 \u00e9 considerado bom, mas ainda n\u00e3o o ideal. Al\u00e9m disso, a grande pergunta \u00e9 se o mundo ir\u00e1 piorar em 2020. O Brasil precisa de mais demanda para melhorar e ultrapassar a barreira dos 2.5% de crescimento. No entanto essa demanda s\u00f3 vir\u00e1 com um ambiente de melhora global, que passa pela resolu\u00e7\u00e3o da guerra comercial entre EUA e China. Obviamente, se houver uma recess\u00e3o, o impacto no Brasil ser\u00e1 complicado.<\/p>\n<p>O estrangeiro segue com d\u00favidas, vontade, temor e excita\u00e7\u00e3o. Varia muito de fundo a fundo, dependendo das suas caracter\u00edsticas de atua\u00e7\u00e3o no mercado. Uma coisa foi unanimidade entre v\u00e1rios esse ano: a pol\u00edtica prejudicou imensamente a confian\u00e7a no Brasil. N\u00e3o apenas a confian\u00e7a na imagem, mas a confian\u00e7a nos processos e procedimentos. N\u00e3o se pode prometer demais e entregar de menos. Para 2020, o Brasil precisa de menos pol\u00eamicas , menos loucura em redes sociais e mais cronogramas claros para projetos e reformas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo de 2019, conversei com v\u00e1rios clientes estrangeiros sobre o Brasil. As vis\u00f5es e expectativas que tinham sobre o ano que se iniciava foram se alterando seguidamente at\u00e9 agora, nas v\u00e9speras do Natal. 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