{"id":103,"date":"2020-06-24T13:25:48","date_gmt":"2020-06-24T16:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/thiagodearagao\/?p=95"},"modified":"2020-07-05T02:03:47","modified_gmt":"2020-07-05T05:03:47","slug":"geopolitica-regional-chinesa-vizinhos-e-a-questao-do-tibete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/thiagodearagao\/2020\/06\/24\/geopolitica-regional-chinesa-vizinhos-e-a-questao-do-tibete\/","title":{"rendered":"Geopol\u00edtica Regional Chinesa &#8211; Vizinhos e a Quest\u00e3o do Tibete"},"content":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o do Tibete \u00e9 um dos pontos mais controversos relacionados \u00e0 imagem da China no exterior. Sem entrar no m\u00e9rito, \u00e9 importante entender por que a China tem um interesse t\u00e3o grande em manter controle sobre essa prov\u00edncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Tibete \u00e9 a \u00faltima linha de fronteira com a \u00cdndia &#8212; antes de entrar a fundo na cordilheira do Himalaia. Os dois rios de maior import\u00e2ncia para a China, o Amarelo e o Yangtz\u00e9, considerados o ber\u00e7o de sua civiliza\u00e7\u00e3o , nascem nas montanhas do Himalaia. De uma certa forma, o Tibete representa a &#8220;caixa d&#8217;\u00e1gua&#8221; da China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, por s\u00e9culos e s\u00e9culos, a China viu o controle do Tibete como estrategicamente imprescind\u00edvel para proteger o fornecimento de \u00e1gua para seu territ\u00f3rio. Entendendo que a \u00cdndia \u00e9 um poss\u00edvel grande rival geopol\u00edtico na regi\u00e3o, o temor de que esse territ\u00f3rio fosse controlada pelos indianos fez com que o controle do Tibete sempre representasse algo maior do que simplesmente uma pol\u00edtica expansionista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A China possui uma geografia onde a expans\u00e3o territorial tamb\u00e9m apresenta fatores cr\u00edticos para sua seguran\u00e7a nacional. Controlando o Tibete &#8212; e com o Himalaia abaixo &#8211;, uma barreira natural separa dois pa\u00edses que contam com quase 1\/3 do total dos habitantes da Terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No oeste, segurando com m\u00e3o de ferro a prov\u00edncia de Xinjiang, uma imensa plan\u00edcie que faz fronteira com oito pa\u00edses, os chineses t\u00eam nas m\u00e3os um territ\u00f3rio que poderia representar uma vulnerabilidade, dada a grande presen\u00e7a ali de n\u00e3o-chineses de religi\u00e3o mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o controle de outra pot\u00eancia sobre esses pa\u00edses fronteiri\u00e7os (como a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica teve), colocaria a China em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao norte, a Mong\u00f3lia serve como uma zona de barreira com a R\u00fassia. Tanto a R\u00fassia quanto a China disputam influ\u00eancia na Mong\u00f3lia por conta dos recursos minerais abundantes l\u00e1 encontrados. A migra\u00e7\u00e3o de chineses da etnia Han para a Mong\u00f3lia \u00e9 crescente (apesar de ainda ser baixa em n\u00fameros absolutos) e funciona de forma estrat\u00e9gica para aumentar a influ\u00eancia chinesa. Isso sem falar, obviamente, nos acordos comerciais e investimentos chineses no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No nordeste chin\u00eas, a R\u00fassia n\u00e3o representa uma amea\u00e7a, devido \u00e0 baixa demografia da regi\u00e3o. Uns 7 milh\u00f5es de russos moram ali frente a 100 milh\u00f5es de chineses na industrializada Manch\u00faria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o chinesa naquela regi\u00e3o da R\u00fassia \u00e9 alta e possibilita um peso maior para a China nas conversas bilaterais com a R\u00fassia. A depend\u00eancia comercial russa perante a China \u00e9 outro fator de desequil\u00edbrio a favor dos chineses.<br \/>\nNo sudeste, a China busca controle do Mar do Sul da China, no \u00e2mbito do que eles denominam de &#8220;linha dos 10 pontos&#8221;. Essa perspectiva levou o governo chin\u00eas a investir pesado para desenvolver uma marinha poderosa que possa assegurar forte presen\u00e7a na denominada &#8220;China Azul&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Parte da import\u00e2ncia dessa opera\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pela depend\u00eancia do fluxo de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o atravessando o estreito de Malaca. Esse estreito poderia ser facilmente bloqueado por uma marinha estrangeira, estrangulando energeticamente a China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do controle do Mar do Sul da China, o pa\u00eds financia &#8212; com garantia de 40 anos (renov\u00e1veis) &#8212; a constru\u00e7\u00e3o do porto de Gwadar, no Paquist\u00e3o, numa estrat\u00e9gia que anteciparia a chegada de petr\u00f3leo e de outras commodities sem a necessidade de passar pelo estreito de Malaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O controle do Mar do Sul da China e do Mar do Leste da China tamb\u00e9m garante um fluxo de acesso ao Pac\u00edfico sem depender da boa vontade japonesa. Em caso de guerra, o Jap\u00e3o poderia bloquear o acesso chin\u00eas ao Pac\u00edfico com facilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tempos de paz sempre s\u00e3o momentos preparat\u00f3rios para tempos de guerra, mesmo que esses demorem muito para chegar. O h\u00e1bito chin\u00eas de vis\u00e3o de longo prazo torna isso mais claro ao fazermos essa leitura geopol\u00edtica regional com a perspectiva deles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o do Tibete \u00e9 um dos pontos mais controversos relacionados \u00e0 imagem da China no exterior. 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