{"id":3488,"date":"2026-07-30T12:16:53","date_gmt":"2026-07-30T15:16:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=3488"},"modified":"2026-07-30T12:17:46","modified_gmt":"2026-07-30T15:17:46","slug":"o-misterio-de-galeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/o-misterio-de-galeno\/","title":{"rendered":"O mist\u00e9rio de Galeno"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Severino Francisco<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fui ver a exposi\u00e7\u00e3o Galeno \u2013 O mist\u00e9rio do simples, na Caixa Cultural, e fiquei inebriado e me lembrei de um verso do Carlos Drummond: \u201cDos cem prismas de uma joia\/quantos h\u00e1 que n\u00e3o presumo\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 uma exposi\u00e7\u00e3o concisa, que condensa os m\u00faltiplos aspectos da vida e da obra do artista: a dimens\u00e3o da fam\u00edlia, a heran\u00e7a da arte popular, a transforma\u00e7\u00e3o do popular em contempor\u00e2neo, a participa\u00e7\u00e3o em obras p\u00fablicas e a cria\u00e7\u00e3o de camisas para o time de Brazl\u00e2ndia e reportagens e fotos publicadas no Correio Braziliense.<\/p>\n<p>Os objetos que ele incorporou \u00e0 sua obra n\u00e3o s\u00e3o aleat\u00f3rios, como ocorre em certas vertentes da arte contempor\u00e2nea; s\u00e3o sempre objetos com uma intensa carga de hist\u00f3ria e afetividade.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m j\u00e1 disse, maliciosamente, que Galeno reincidia nos materiais, signos e s\u00edmbolos da inf\u00e2ncia. Realmente, ele utiliza os mesmos carrinhos, latas, canoas, estilingues, bilros, lamparinas, lagartixas, barracos e monumentos, mas para compor um quebra-cabe\u00e7as de infinitas possibilidades l\u00edricas. \u00c9 um jogo de pura inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, embora esteja sempre ligado, atavicamente, a determinados objetos afetivos, varia e surpreende. Athos Bulc\u00e3o dizia que Bras\u00edlia era um museu a c\u00e9u aberto e deveria<span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\"><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"> educar, cotidianamente, os brasilienses para cultivar a arte. Tenho d\u00favidas de que isso aconte\u00e7a com todos. Contudo, no caso de Galeno, a cidade funcionou mesmo como uma grande escola ao ar livre.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\"><span style=\"font-size: small\">Nasceu em Parna\u00edba, no Piau\u00ed, e se mudou para Bras\u00edlia em 1965, aos oito anos. Com a inquieta\u00e7\u00e3o de curumim arteiro, paulatinamente, assimilou o esp\u00edrito da cidade ao vivenciar a arquitetura de Niemeyer, os pain\u00e9is de Athos Bulc\u00e3o, as banderinhas de Volpi e a pintura de Rubem Valentim, inspirada nos signos do candombl\u00e9 e da cultura afro-brasileira. Aprendeu a valorizar a sua vida de menino nordestino e a olhar para os objetos, as brincadeiras e as festas sob um prisma modernista.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Em vez de jogar a experi\u00eancia de menino nordestino embaixo do tapete e copiar a \u00faltima moda de Paris ou de Nova York, ele construiu uma obra marcada pela inven\u00e7\u00e3o e pela autenticidade. Por isso, suas obras t\u00eam um requinte de arte contempor\u00e2nea e uma alegria de festa popular brasileira. Bras\u00edlia foi transpassada pelo parna\u00edba piauiense; e a mem\u00f3ria do parna\u00edba foi tocada pelo modernismo de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o de Galeno deixa a impress\u00e3o de que ele podia transformar tudo em arte. \u00c9 uma obra que, cada vez mais, se decantava e se depurava rumo ao mist\u00e9rio do simples.<\/p>\n<p>Em entrevista a Nahima Maciel para o <strong>Correio<\/strong>, Paulo Herkenhoff, o curador da mostra O mist\u00e9rio do simples, n\u00e3o hesita em classificar a obra de Galeno na mesma categoria de not\u00e1vel em que est\u00e3o Alfredo Volpi, Rubem Valentim, H\u00e9lio Oiticica e Alberto da Veiga Guignard: \u201cSe a gente escrever a hist\u00f3ria da cor no Brasil, o Galeno \u00e9 fundamental.\u201d Senti falta de que a exposi\u00e7\u00e3o tivesse um cat\u00e1logo no qual Herkenhoff escrevesse isso com todas as letras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco &nbsp; &nbsp; Fui ver a exposi\u00e7\u00e3o Galeno \u2013 O mist\u00e9rio do simples, na Caixa Cultural, e fiquei inebriado e me lembrei de um verso do Carlos Drummond: \u201cDos cem prismas de uma joia\/quantos h\u00e1 que n\u00e3o presumo\u201d. \u00c9 uma exposi\u00e7\u00e3o concisa, que condensa os m\u00faltiplos aspectos da vida e da obra do artista: a dimens\u00e3o da fam\u00edlia, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":73,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-3488","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/73"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3488"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3490,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3488\/revisions\/3490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}