{"id":2998,"date":"2024-11-10T08:21:59","date_gmt":"2024-11-10T11:21:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2998"},"modified":"2024-11-10T08:21:59","modified_gmt":"2024-11-10T11:21:59","slug":"as-musicas-de-vladimir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/as-musicas-de-vladimir\/","title":{"rendered":"As m\u00fasicas de Vladimir"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\">Recebi um precioso presente, que vou dividir com voc\u00eas no papel impresso: o link do programa <em>Mem\u00f3ria Musical,<\/em> da R\u00e1dio Nacional (que integra a EBC) com o nosso amigo Vladimir Carvalho, que nos deixou h\u00e1 duas semanas. \u00c9 isso mesmo. O programa foi gravado em 7 de mar\u00e7o de 2013 por M\u00e1rcio Lacombe. Os que tinham uma imagem dogm\u00e1tica de Vladimir se surpreender\u00e3o. A sua voz, agora, parece vir de outro mundo, para evocar as m\u00fasicas marcantes de sua vida.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">A primeira \u00e9 <em>Cheek to cheek<\/em>, com Louis Armstrong e Ella Fitzgerald. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que vem envolvida pelas reminisc\u00eancias da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia. Ou\u00e7amos a voz de Vladimir: &#8220;Enquanto cuidava dos afazeres dom\u00e9sticos minha m\u00e3e cantava. E uma das can\u00e7\u00f5es era<em> Cheek to cheek<\/em>. Aflora a ternura que sinto por minha m\u00e3e Maria Jos\u00e9, Maz\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">A segunda m\u00fasica, <em>Ad\u00e1gio<\/em>, de Abinoni, foi um sopro de sugest\u00e3o que Vladimir recebeu do irm\u00e3o mais novo, Walter Carvalho. &#8220;E, para mim, foi uma coisa sublime. \u00c9 ambivalente, se estou triste, ponho o Ad\u00e1gio. \u00c9 como um frescor na alma. Se estou muito alegre, est\u00e1 na hora de celebrar.&#8221;<\/p>\n<p lang=\"zxx\"><em>Vozes da seca<\/em>, de Luiz Gonzaga, a terceira can\u00e7\u00e3o, est\u00e1 no sangue do menino nordestino. Vladimir a usou como trilha sonora do filme O homem de areia, sobre Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, escritor e governador da Para\u00edba: &#8220;Gonzag\u00e3o era um g\u00eanio, mostra a seca quase como um carma do nordestino. Por sorte ou infelicidade, durante uma seca, Jos\u00e9 Am\u00e9rico distribuiu dinheiro. Recorri a Vozes da seca: mas, doutor dar uma esmola a um homem que \u00e9 s\u00e3o ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidad\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">A quarta m\u00fasica \u00e9 o <em>Hino da internacional comunista<\/em>, composto em 1871, com m\u00fasica da Marselhesa, o hino da Fran\u00e7a. Depois, ganhou outra melodia: &#8220;\u00c9 um hino, fabulosamente, integrado \u00e0 luta das massas. \u00c9 de uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria. Quem foi para a rua na d\u00e9cada de 1960, cantou. Conclama: &#8216;De p\u00e9, \u00f3, v\u00edtimas da fome, fam\u00e9licos da Terra'&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Quando entrevistou Renato Russo para o filme <em>Rock Bras\u00edlia \u2013 A era de ouro<\/em>, o roqueiro disse a Vladimir que <em>Faroeste Caboclo<\/em> n\u00e3o era nada mais do que um cordel. &#8220;S\u00e3o 157 versos. Encontro muita rapaziada nova que sabe de cor, fazem quase um coral acompanhando. Como nordestino, me deixa comovido&#8221; .<\/p>\n<p lang=\"zxx\">A primeira vez que Vladimir conheceu a sexta m\u00fasica escolhida, <em>Rock around the clock<\/em>, com Bill Halley e seus Cometas, foi em uma sess\u00e3o matinal do Cine Rex, no centro de Jo\u00e3o Pessoa. Todos ca\u00edram na dan\u00e7a seduzidos pelo ritmo irresist\u00edvel: &#8220;Quebraram tudo, o dono teve de reformar o cinema.&#8221;<\/p>\n<p lang=\"zxx\">&#8220;Quem \u00e9 esse que conhece Alagoas e Gerais\/De quem \u00e9 essa ira santa?&#8221;, indaga a letra de Fernando Brandt, na can\u00e7\u00e3o <em>O menestrel de Alagoas<\/em>, outra preferida de Vladimir, cantada por Faf\u00e1 de Bel\u00e9m, no filme O evangelho segundo Teot\u00f4nio: &#8220;Quando Teot\u00f4nio (Vilela) morreu, me meti em um avi\u00e3o com a equipe a Macei\u00f3 e me encontrei com Faf\u00e1 de Bel\u00e9m no avi\u00e3o. Pedi que ela cantasse ali para eu filmar, mas a empres\u00e1ria n\u00e3o deixou. No entanto, Faf\u00e1 soltou a garganta em um com\u00edcio enorme com M\u00e1rio Covas. \u00c9 essa m\u00fasica que carrega o filme sobre Teot\u00f4nio&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Quando ouvia o <em>Coro dos escravos<\/em>, do Coral Nabuco, sempre visualizava os escravizados carregando pedras no mart\u00edrio cotidiano. Estava na sala de montagem do filme <em>Conterr\u00e2neos velhos de guerra<\/em>, com as imagens dos buracos e vo\u00e7orocas da Ceil\u00e2ndia dos tempos iniciais, para onde foram levados os candangos que constru\u00edram Bras\u00edlia: &#8220;Ergueram os barracos fr\u00e1geis, levavam as crian\u00e7as, pareciam sobejos da seca. Lembrei do <em>Coro dos escravos<\/em> e se encaixou que \u00e9 uma beleza.&#8221;<\/p>\n<p lang=\"zxx\">E a Mem\u00f3ria Musical se encerrou em alto astral, com o <em>Hino do Flamengo<\/em>, de Lamartine Babo. &#8220;Sei que posso contrariar minorias, mas o meu Flamengo tem uma das maiores torcidas do mundo. Fechou nossa conversa com chave de ouro.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco Recebi um precioso presente, que vou dividir com voc\u00eas no papel impresso: o link do programa Mem\u00f3ria Musical, da R\u00e1dio Nacional (que integra a EBC) com o nosso amigo Vladimir Carvalho, que nos deixou h\u00e1 duas semanas. \u00c9 isso mesmo. O programa foi gravado em 7 de mar\u00e7o de 2013 por M\u00e1rcio Lacombe. 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