{"id":2882,"date":"2024-07-23T10:38:32","date_gmt":"2024-07-23T13:38:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2882"},"modified":"2024-07-23T11:52:16","modified_gmt":"2024-07-23T14:52:16","slug":"o-manto-sagrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/o-manto-sagrado\/","title":{"rendered":"O manto sagrado"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\"><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\">&#8220;Plumi\/alvor na\/\u00e1rvore\/-n\u00e9voa\/ou\/manto?\/\u00e9 quase\/a pele\/de um anjo\/o que\/se v\u00ea&#8221;. O poeta Francisco K sempre foi fascinado pela pe\u00e7a <em>Harogomo<\/em>, do teatro N\u00f4 japon\u00eas. A partir da leitura do fragmento final de <em>Hagoromo<\/em>, traduzido por Haroldo de Campos, ele escreveu, em 1990, o que chamou de poedrama sint\u00e9tico, com o mesmo nome: &#8220;veste\/de um\/anjo\/sua\/quase\/pele\/coisa\/ca\u00edda\/do c\u00e9u&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Agora, ele lan\u00e7a <em>Experimanto<\/em>, com um texto po\u00e9tico hom\u00f4nimo, a reedi\u00e7\u00e3o do poema <em>Hagoromo<\/em> e de um ensaio de Mar\u00e7al Barreto sobre ambos os textos. A trama inspiradora tem como fonte a pe\u00e7a do teatro N\u00f4, <em>Hagoromo<\/em>, em que uma tennin (anjo-ninfa) deve executar uma dan\u00e7a celeste, rarissimamente vista pelos mortais, para reaver seu manto de plumas m\u00e1gico em posse de um pescador.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">A pe\u00e7a despertou fasc\u00ednio nos poetas Erza Pound e Haroldo de Campos. No caso de Francisco K, ele ficou, particularmente, encantando com a dimens\u00e3o er\u00f3tica de <em>Hagoromo<\/em>, envolta em uma dimens\u00e3o m\u00edtica. \u00c9 uma face misteriosa, subentendida e insinuada. O erotismo aparece como a possibilidade de uma dan\u00e7a em que se consuma o encontro do humano com o divino.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">K acentuou a carga er\u00f3tica e, ao mesmo tempo, explorou a simbologia do manto de plumas, que coloca a quest\u00e3o da nudez, mas pode ser interpretado tamb\u00e9m como met\u00e1fora da linguagem po\u00e9tica: &#8220;se\/m\u00ednima\/(sem\/h\u00edmem)\/se\/da\/-na relva\/te de-\/volvo\/(ou s\u00f3\/revolvo\/insano pensar?).<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Com uma linguagem extremamente concisa, muito pr\u00f3xima do hai kai, Francisco K aspira que cada fragmento seja aut\u00f4nomo e, ao mesmo tempo, deseja tecer uma f\u00e1bula modernizada:&#8221;teatro\/da pele\/(tateio-\/a\/em\/pelo)-se, em\/c\u00e2mbio, me\/deres\/a dan\u00e7a\/circular\u00e1\/sempre\/em\/mim&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Francisco K n\u00e3o queria que fosse uma mera apropria\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1bula oriental e estabeleceu uma conex\u00e3o brasileira com os parangol\u00e9s de H\u00e9lio Oiticica, vestimentas multicoloridas criadas com a inten\u00e7\u00e3o de fazer com que o dan\u00e7arino se transformasse em obra de arte.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Pouco depois, K fez um roteiro para um v\u00eddeo, que acabou n\u00e3o se realizando, mas tinha esses componentes mais marcados: uma dimens\u00e3o m\u00edtica e outra l\u00fadica, mais pr\u00f3xima de um experimentalismo com a contracultura brasileira de H\u00e9lio Oticica e Julio Bressane.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Em 1998, fez um experimento de v\u00eddeo com a dan\u00e7arina Lorena Moura. As fotos est\u00e3o registradas nesta edi\u00e7\u00e3o. Elas t\u00eam como cen\u00e1rio \u00e1reas do Cerrado isolado e ru\u00ednas pr\u00f3ximas \u00e0 Universidade de Bras\u00edlia. K transformou o roteiro em roteiro po\u00e9tico. \u00c9 uma apropria\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e criadora. O experimento virou Experimanto radicalmente h\u00edbrido: &#8220;Sombra\/da\/primavera\/imanta\/o\/ar\/-ao inv\u00e9s\/de voar\/resvala\/ao c\u00e9u\/do meu\/desejo&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">PS: Francisco K lan\u00e7a Experimanto, hoje, \u00e0s 19h, no Beirute da 109 Asa Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco &#8220;Plumi\/alvor na\/\u00e1rvore\/-n\u00e9voa\/ou\/manto?\/\u00e9 quase\/a pele\/de um anjo\/o que\/se v\u00ea&#8221;. O poeta Francisco K sempre foi fascinado pela pe\u00e7a Harogomo, do teatro N\u00f4 japon\u00eas. 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