{"id":2831,"date":"2024-06-16T10:08:59","date_gmt":"2024-06-16T13:08:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2831"},"modified":"2024-06-19T14:36:45","modified_gmt":"2024-06-19T17:36:45","slug":"andancas-de-tancredo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/andancas-de-tancredo\/","title":{"rendered":"Andan\u00e7as de Tancredo"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\"><strong><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Severino Francisco<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Tancredo Maia Filho nasceu em Rio Branco, no Acre, e cresceu no meio da natureza, das matas, das trilhas, dos rios e dos igarap\u00e9, inebriado pelas cores e pelo canto dos p\u00e1ssaros. Gostava tanto das aves que, com 10 anos, juntava os ovos de p\u00e1ssaros que encontrava no quintal de casa e os classificava pelo tamanho. Um amigo comentou que essa foi a sua inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Mas o contato, ao mesmo tempo, uma conex\u00e3o com a magia e for\u00e7a transformadora da natureza.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Formado em arquitetura, gestor educacional do MEC, quando se aposentou, Tancredo passou a se dedicar \u00e0 escrita liter\u00e1ria e \u00e0 xilogravura. Experimentou uma modalidade de xilogravura com folhas e, h\u00e1 15 anos, passou a integrar o coletivo Observares, que fotografa p\u00e1ssaros no DF. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Transferiu a paix\u00e3o pelos p\u00e1ssaros do Acre para o Cerrado e ainda viajou muito para conhecer a realidade de outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Tancredo visitou 19 estados e o DF e conheceu cerca de 840 esp\u00e9cies brasileiras. Tem mais horas de observa\u00e7\u00e3o de p\u00e1ssaros do que beija-flor de voo. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">No ano passado, ele se mudou para Olhos d&#8217;\u00e1gua, cidadezinha nas imedia\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia, e organizou a exposi\u00e7\u00e3o Andan\u00e7as, que re\u00fane fotos tiradas no Acre, Alagoas, Amap\u00e1, Bahia, Goi\u00e1s, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e DF. Migrou, mas n\u00e3o deixou de passarinhar. Ele est\u00e1 sempre atento \u00e0s cores, aos matizes, ao canto e ao voo das aves.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">A t\u00e9cnica utilizada para a impress\u00e3o dos quadros da exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 a sublima\u00e7\u00e3o em azulejo, que coloca em evid\u00eancia toda a beleza que Tancredo registrou, ao longo de 15 anos de exerc\u00edcio como fot\u00f3grafo de aves. Com exce\u00e7\u00e3o da Sa\u00edra-pintor, que ocorre em Alagoas,por enquanto, os p\u00e1ssaros que ele flagrou em imagens n\u00e3o est\u00e3o na lista dos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">A exposi\u00e7\u00e3o abre com fotos de duas esp\u00e9cies relativamente comuns em Olhos d&#8217;\u00c1gua:o\u00a0 Picapau de topete vermelho e Udu-de- coroa azul. Em seguida, figuram as aves de plumagem preta e vermelha: o Soldadinho, fotografado em Bras\u00edlia,\u00a0\u00a0 o Yarapuru vermelho, em Macap\u00e1, e o Benedito de costa amarela, em Tapira\u00ed, no Sul de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Em um terceiro painel, figuram os tucanos, o Ara\u00e7ari-banana, de Tapira\u00ed, o Tucanu\u00e7u, em Olhos d&#8217;\u00c1gua, e o Tucano-de-bico preto,\u00a0 do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. As aves amarelas ganharam espa\u00e7o: o Fim-fim, de Olhos d&#8217; \u00e1gua, o Iaratau\u00e1-grande, de Macap\u00e1,\u00a0 o Gaturamo-bandeira, da serra ga\u00facha, em Veran\u00f3polis . Esp\u00e9cies comuns tamb\u00e9m mereceram destaque: o Anum- branco, de\u00a0 Bras\u00edlia, Bem-te-vi, com fruta amarela no bico, de Bras\u00edlia, e a Seriema, de Abadi\u00e2nia.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Os p\u00e1ssaros coloridos ganharam um painel: a Sa\u00edra-militar e a Sa\u00edra-pintor. A Sa\u00edra-pintor est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o e se encontra em \u00e1rea muito restrita, em Quebrangulo, a terra de Graciliano Ramos. Tem um colono com ch\u00e1cara pequena que fez um comedouro com bananas que atrai gera\u00e7\u00f5es da Sa\u00edra-pintor.\u00a0 Os observadores de aves providenciaram uma vaquinha para arrumar a casa. Na varanda, eles tomam caf\u00e9 e comem tapioca, enquanto observam e fotografam a Sa\u00edra-pintor.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">E, finalmente, h\u00e1\u00a0 o que Tancredo chama de &#8220;momento fofura&#8221;:o filhote de marreca-anana\u00ed filhote, do Parque de \u00c1guas Claras, o Gavi\u00e3o do Igap\u00f3, do Macap\u00e1, a Gar\u00e7a-moura, da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio Grande do Sul,\u00a0 o Ara\u00e7ari castanho e uma Ariramba de capoeira, em Rio Branco, no Acre.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Tudo isso acontece no centro cultural da\u00a0 Padaria do Caetano, em Olhos d&#8217;\u00c1gua, que se tornou uma refer\u00eancia cultural na regi\u00e3o. <span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Se voc\u00ea for a Olhos d&#8217;\u00c1gua, visite a exposi\u00e7\u00e3o de Tancredo, pois ela \u00e9 uma festa para os olhos. Vamos passarinhar. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco Tancredo Maia Filho nasceu em Rio Branco, no Acre, e cresceu no meio da natureza, das matas, das trilhas, dos rios e dos igarap\u00e9, inebriado pelas cores e pelo canto dos p\u00e1ssaros. Gostava tanto das aves que, com 10 anos, juntava os ovos de p\u00e1ssaros que encontrava no quintal de casa e os classificava pelo tamanho. 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