{"id":2736,"date":"2024-03-28T18:21:10","date_gmt":"2024-03-28T21:21:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2736"},"modified":"2024-03-28T18:21:10","modified_gmt":"2024-03-28T21:21:10","slug":"pedro-anisio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/pedro-anisio\/","title":{"rendered":"Pedro An\u00edsio"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><strong><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Severino Francisco<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Neste in\u00edcio de semana, perdemos o cineasta e roteirista Pedro An\u00edsio, paraense, 69 anos, que era, a um s\u00f3 tempo, um contestador nervoso, inquieto e incisivo, mas simp\u00e1tico, educado e elegante. Ao lado de Marcelo Coutinho e Jo\u00e3o Fac\u00f3 (filho do escritor e deputado Ruy Fac\u00f3, autor de Cangaceiros e fan\u00e1ticos) formou o trio de mosqueteiros an\u00e1rquicos que animou o cinema brasiliense com interven\u00e7\u00f5es sempre provocadoras.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Em 1978, sob os ventos da redemocratiza\u00e7\u00e3o que sopravam no pa\u00eds, mas ainda sob as amea\u00e7as dos estertores do regime militar, eles formaram a Pedra Produ\u00e7\u00f5es, a primeira produtora independente anarquista do cinema em Bras\u00edlia. Com grandes esperan\u00e7as, os movimentos se multiplicavam em luta pela reconquista dos direitos civis e da democracia. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Eles nasceram dentro desse caldeir\u00e3o de inquieta\u00e7\u00f5es . Antes deles, s\u00f3 existia o cinema produzidos pelos professores-cineastas. Sintonizados com o inconformismo dos movimentos estudantis, eles desencadearam interven\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, bem-humoradas e an\u00e1rquicas. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Por uma dessas coincid\u00eancias felizes, a Pedra Produ\u00e7\u00f5es estava instalada numa sala da 302 Norte, em cima do Bar Chor\u00e3o, ponto de concentra\u00e7\u00e3o do bloco carnavalesco Pacot\u00e3o, que desfila o deboche pol\u00edtico pela contram\u00e3o da W3 Norte. E, de fato, os filmes da Pedra tamb\u00e9m iam na contram\u00e3o do cinema hegem\u00f4nico. A inspira\u00e7\u00e3o vinha do cinema marginal de J\u00falio Bressane, de Rog\u00e9rio Sganzerla e, principalmente, da fase mais experimental de Glauber Rocha. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">As pedradas da trupe an\u00e1rquica atingiram as vidra\u00e7as da Bras\u00edlia oficial, que passou a ser ocupada com filmes baratos, rodados na rua, com a c\u00e2mera na m\u00e3o, a cara e a coragem. Algumas vezes, eles filmavam manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas na cidade, mas subvertiam todo o material ao criar uma narrativa em off que produzia um efeito de choque. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Os t\u00edtulos dos filmes s\u00e3o representativos da vis\u00e3o \u00e1cida do grupo sobre Bras\u00edlia. Em 1979, Jo\u00e3o Fac\u00f3 filmou <em>Fig meu anjo: os tr\u00eas poderes s\u00e3o um s\u00f3: o deles<\/em>, a partir da indica\u00e7\u00e3o do presidente Jo\u00e3o Figueiredo por uma junta militar. Em seguida, rodaram<em> Escrevendo certo por linhas tortas<\/em>, sobre a primeira greve dos professores, depois de uma lacuna de 15 anos. A \u00faltima havia sido em 1964. Em 1980, Pedro An\u00edsio dirige <em>Conversa Paralela<\/em>, curta que mixa imagens documentais de Tancredo Neves, Ulisses Guimar\u00e3es, Paulo Brossard, Raoni, com cenas de um casal em crise numa paisagem agreste de Bras\u00edlia. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Os filmes da Pedra estavam em sintonia com o cinema marginal, com o rock insubmisso de Renato Russo e companhia, com a poesia irreverente de Nicolas Behr e com o esp\u00edrito de insurrei\u00e7\u00e3o dos movimentos estudantis. Mas eles sempre driblavam o mero panfletarismo com muito humor. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Lembro que me chamava a aten\u00e7\u00e3o como convidavam a um novo olhar sobre os pr\u00e9dios, as passagens subterr\u00e2neas e as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, numa mixagem de s\u00e1tira e pol\u00edtica. \u00c9 fundamental digitalizar esses filmes em 16mm para que as novas gera\u00e7\u00f5es possam desfrutar desse cinema audacioso que comp\u00f5e parte relevante da hist\u00f3ria do cinema em Bras\u00edlia. Seria a melhor homenagem a Pedro An\u00edsio.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco Neste in\u00edcio de semana, perdemos o cineasta e roteirista Pedro An\u00edsio, paraense, 69 anos, que era, a um s\u00f3 tempo, um contestador nervoso, inquieto e incisivo, mas simp\u00e1tico, educado e elegante. 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