{"id":255,"date":"2017-07-20T17:00:02","date_gmt":"2017-07-20T20:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=255"},"modified":"2017-07-20T17:24:40","modified_gmt":"2017-07-20T20:24:40","slug":"o-verbo-roubar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/o-verbo-roubar\/","title":{"rendered":"O verbo roubar"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_256\" aria-describedby=\"caption-attachment-256\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-256\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/07\/CBNFOT200720170511.jpg\" alt=\"Credito: Reproducao. Padre Ant\u00f4nio Vieira foi important\u00edssimo na hist\u00f3ria do Brasil e de Portugal.\" width=\"800\" height=\"991\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/07\/CBNFOT200720170511.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/07\/CBNFOT200720170511-242x300.jpg 242w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/07\/CBNFOT200720170511-768x951.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/07\/CBNFOT200720170511-550x681.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/07\/CBNFOT200720170511-230x285.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-256\" class=\"wp-caption-text\">Padre Ant\u00f4nio Vieira. Cr\u00e9dito: reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Severino Francisco<\/h3>\n<p>Neste momento dram\u00e1tico da rep\u00fablica, em que as roubalheiras mais delirantes vieram \u00e0 tona, esta coluna conseguiu uma entrevista medi\u00fanica exclusiva com o ilustre padre Antonio Vieira, o autor de <i>Os serm\u00f5es<\/i>. Fiat lux! (D\u00e1 uma luz, mestre!, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como o senhor definiria o ato de roubar?<\/b><\/p>\n<p>O roubar pouco \u00e9 culpa, o roubar muito \u00e9 grandeza: o roubar com pouco faz piratas, o roubar com muito, os Alexandres, os imperadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Por que o senhor defende essa escala?<\/b><\/p>\n<p>Os outros ladr\u00f5es roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, s\u00e3o enforcados, este furtam e enforcam. Quantas vezes se viu em Roma ir a enforcar um ladr\u00e3o por ter furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um c\u00f4nsul, ou ditador por ter roubado uma prov\u00edncia! Queria tirar os ladr\u00f5es do mundo, para roubar ele s\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Qual a responsabilidade dos pr\u00edncipes?<\/b><\/p>\n<p>Isa\u00edas dizia sobre os pr\u00edncipes em Jerusal\u00e9m: s\u00e3o companheiros de ladr\u00f5es. E por qu\u00ea? S\u00e3o companheiros dos ladr\u00f5es, porque os dissimulam; s\u00e3o companheiros dos ladr\u00f5es, porque os consentem; s\u00e3o companheiros dos ladr\u00f5es, porque lhes d\u00e3o os postos e os poderes; s\u00e3o companheiros dos ladr\u00f5es, porque talvez os defendam; e s\u00e3o finalmente seus companheiros, porque os acompanham e h\u00e3o de acompanhar no inferno, onde os mesmos ladr\u00f5es os levam consigo. Aquele que tem obriga\u00e7\u00e3o de impedir que se n\u00e3o furte, se o n\u00e3o impediu, fica obrigado a restituir o que se furtou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que propicia os ladr\u00f5es nas rep\u00fablicas?<\/b><\/p>\n<p>Pagou o furto quem elegeu e quem deu of\u00edcio ao ladr\u00e3o. A porta por onde legitimamente se entra ao of\u00edcio, \u00e9 s\u00f3 o merecimento; e todo o que n\u00e3o entra pela porta, n\u00e3o diz Cristo que \u00e9 ladr\u00e3o, sen\u00e3o ladr\u00e3o e ladr\u00e3o. E por qu\u00ea duas vezes ladr\u00e3o? Uma vez porque furta o of\u00edcio, e outra vez pelo que h\u00e1 de furtar com ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como o senhor observa o comportamento da classe pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao verbo roubar?<\/b><\/p>\n<p>Conjugam por todos os modos o verbo rapio. Tanto que l\u00e1 chegam, come\u00e7am a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informa\u00e7\u00e3o que pedem aos pr\u00e1ticos, \u00e9 que lhe apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O poder concentrado nas m\u00e3os influi na conjuga\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Furtam pelo modo imperativo, porque como t\u00eam o mero e misto imp\u00e9rio, todo ele aplicam despoticamente \u00e0s execu\u00e7\u00f5es da rapia. Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quanto lhes mandam; e para que mandem todos, os que n\u00e3o mandam n\u00e3o s\u00e3o aceitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Que avalia\u00e7\u00e3o faz o senhor da declina\u00e7\u00e3o dos imperfeitos?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o lhes escapam os imperfeitos, os perfeitos, mais-que-perfeitos, e quais outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma que o resumo de toda esta rapante conjuga\u00e7\u00e3o vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar para furtar. E quando eles t\u00eam conjugado assim toda a voz ativa, e as miser\u00e1veis prov\u00edncias suportada toda a passiva, eles, como se tiveram feito grandes servi\u00e7os, tornam carregados de despojos e ricos; e elas ficam roubadas, e consumidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O senhor entende que os ladr\u00f5es de carteirinha deveriam ter uma segunda chance na pol\u00edtica?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o. Ainda que haja de viver 900 anos, e houvesse de viver 9 mil, uma vez que roubou, e \u00e9 conhecido por ladr\u00e3o, nunca mais deve ser restitu\u00eddo, nem h\u00e1 de entrar no mesmo posto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que o senhor diria \u00e0s pessoas honestas? <\/b><\/p>\n<p>Que v\u00f3s, que vossas mulheres, que vossos filhos, e que todos n\u00f3s nos sustent\u00e1ssemos dos nossos bra\u00e7os. Porque melhor \u00e9 sustentar do suor pr\u00f3prio do que do sangue alheio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste momento dram\u00e1tico da rep\u00fablica, em que as roubalheiras mais delirantes vieram \u00e0 tona, esta coluna conseguiu uma entrevista medi\u00fanica exclusiva com o ilustre padre Antonio Vieira, o autor de Os serm\u00f5es. Fiat lux! 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