{"id":2521,"date":"2023-10-27T16:25:40","date_gmt":"2023-10-27T19:25:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2521"},"modified":"2023-10-27T16:25:40","modified_gmt":"2023-10-27T19:25:40","slug":"divina-dama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/divina-dama\/","title":{"rendered":"Divina dama"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><strong><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Severino Francisco<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span lang=\"zxx\">Para quem n\u00e3o conhece, <\/span><span lang=\"zxx\">M<\/span><span lang=\"zxx\">aria Cobog\u00f3 \u00e9 um coletivo de mulheres de diversas idades, elegantes, bravas, generosas, <\/span><span lang=\"zxx\">pilhadas, <\/span><span lang=\"zxx\">delicadas, inflam\u00e1veis <\/span><span lang=\"zxx\">e bem-humoradas<\/span><span lang=\"zxx\">. Elas sabem fazer as coisas acontecerem. Quando lan\u00e7am livros no Beirute, <\/span><span lang=\"zxx\">falta<\/span><span lang=\"zxx\"> quibe <\/span><span lang=\"zxx\">no peda\u00e7o<\/span><span lang=\"zxx\">. <\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\"><span lang=\"zxx\">O nome \u00e9 inspirado naquele material usado nos pr\u00e9dios de Bras\u00edlia para permitir a passagem da luz e do ar.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">E \u00e9 precisamente essa a a\u00e7\u00e3o que o coletivo de mulheres empreende para colocar Bras\u00edlia no mapa da literatura. Ao longo de quatro anos de exist\u00eancia, publicou mais de 20 livros e arejou o ambiente cultural. Os livros do selo Maria Cobog\u00f3 s\u00e3o caprichados, esmerados e belos.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">Duas produ\u00e7\u00f5es foram reconhecidas como finalistas do Pr\u00eamio Jabuti: o projeto Calango Leitor, de est\u00edmulo \u00e0 leitura nas escolas, coordenado por Claudine Duarte, em 2018, e o livro <i>Fios<\/i>, de Christine N\u00f3brega, destinado especialmente ao p\u00fablico infantojuvenil. Mas, como bem disse Fernanda Montenegro, os pr\u00eamios s\u00e3o acidentes na trajet\u00f3ria dos criadores da cultura.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Eles podem ser um sinal importante de qualidade, mas a relev\u00e2ncia do trabalho delas transcende as l\u00e1ureas. Revelaram para a pr\u00f3pria cidade muitas ficcionistas, poetas e artistas gr\u00e1ficos de talento. Mais recentemente, o grupo abriu uma nova vertente de produ\u00e7\u00e3o: a cole\u00e7\u00e3o Mestres Cobog\u00f3s, que apresenta os artistas criadores de Bras\u00edlia para as novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Darcy Ribeiro tinha como um dos seus mantras precisamente o lema: s\u00f3 se faz mestres com mestres. Nada mais verdadeiro. A presen\u00e7a de mestres fecundou e salvou Bras\u00edlia da mediocridade. A s\u00e9rie come\u00e7ou com Gl\u00eanio Bianchetti, contemplou Athos Bulc\u00e3o e, agora, celebra Dulcina de Moraes, em livro de Ana Maria Lopes e Marcia Zarur.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Dulcina de Moraes n\u00e3o nasceu; estreou. O pai e a m\u00e3e eram atores, estavam em turn\u00ea, foram expulsos de um hotel por causa da gravidez da matriarca e se hospedaram em um casar\u00e3o cedido por uma alma generosa. Quando Dulcina nasceu foi exibida pelo pai na janela de um sobrado e toda a trupe aplaudiu. Nunca mais ela abandonaria a cena. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Ana e M\u00e1rcia utilizaram a p\u00e1gina como se fosse uma ribalta para que a pr\u00f3pria Dulcina se revele, de viva voz e de corpo inteiro, com os tra\u00e7os marcantes, a boca pintada de batom vermelho, os \u00f3culos pretos imensos e as broncas memor\u00e1veis. N\u00e3o eram chiliques gratuitos. Para ela, a arte estava acima de tudo. Dulcina era um teatro completo.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00c9 admir\u00e1vel a integra\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo entre texto e imagem, com uma est\u00e9tica fragment\u00e1ria da era virtual no papel. Dulcina n\u00e3o nasceu, mas renasceu em Bras\u00edlia. Jamais se arrependeu da aventura de abandonar a carreira de sucesso no Rio de Janeiro para encarar os desafios de uma capital nascente. Queria que o teatro se irradiasse a partir da capital do pa\u00eds. Ela tinha uma f\u00e9 na arte capaz de mover montanhas de obst\u00e1culos. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">O livro se insere no movimento de resist\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o Dulcina. N\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o panflet\u00e1ria; \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o educativa, l\u00edrica, afetuosa e amorosa. Nos sensibiliza para a figura extraordin\u00e1ria, vibrante, carism\u00e1tica e magnetizante de Dulcina de Moraes. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco Para quem n\u00e3o conhece, Maria Cobog\u00f3 \u00e9 um coletivo de mulheres de diversas idades, elegantes, bravas, generosas, pilhadas, delicadas, inflam\u00e1veis e bem-humoradas. Elas sabem fazer as coisas acontecerem. Quando lan\u00e7am livros no Beirute, falta quibe no peda\u00e7o. O nome \u00e9 inspirado naquele material usado nos pr\u00e9dios de Bras\u00edlia para permitir a passagem da luz e do ar. 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